“- Fica-te tão bem o dia que trazes. Onde é que o arranjaste?
– Fui eu que fiz. Já me aborreciam os dias sempre iguais, sempre a mesma coisa, e resolvi arriscar um toque personalizado.
– E como fizeste?
– Aproveitei coisas que tinha e a que voltei a dar uso. Subi as bainhas da manhã para deixar entrar mais claridade e bordei uns pontos de exclamação nos bolsos para ter sempre à mão maneira de me espantar com a beleza da vida. Descosi velhos hábitos e teci algumas considerações importantes, como a de apanhar as malhas caídas dos dias com força de vontade e coragem. Depois, junto à fímbria da noite, deixei abertos uns rasgos de imaginação e prendi os sonhos com colchetes de luz à esperança num mundo melhor.”
Este pequeno texto de Mia Couto, leva-nos a refletir sobre o quando muitas vezes nos acomodamos, e nos deixamos cair numa rotina nem sempre saudável. Nas nossas mãos está a possibilidade de mudança e de dar nova cor aos dias, usando a palete que já faz parte dos nossos recursos pessoais, inventando novos tonalidades, criando novas harmonias. As soluções estão muitas vezes ali bem à nossa mão, mas a resistência à mudança, a arriscar novos olhares, experimentar novos caminhos, leva a “… dias sempre iguais, sempre a mesma coisa,…”. Pense sobre o que o/a impede de avançar? Fez o que estava ao seu alcance? Há algo de diferente que possa fazer?
Como nos diz o autor, experimente “:..arriscar um toque personalizado”, pois a satisfação, a realização pessoal, nas diferentes áreas que compõem a vida de cada um (saúde, família, amigos, lazer, finanças, …), dependem do quanto são importantes para cada um e do investimento que se faz em cada uma delas. O pensamento por si só não provoca mudança, é necessário agir.
Aproveite as férias, faça uma pausa e descosa “…velhos hábitos…”, tenha a coragem de “… apanhar as malhas caídas dos dias com força de vontade e coragem”. O futuro só acontece quando se vive o presente.
Não se esqueça ainda de juntar fios de esperança, sorrisos, afetos, e bordar “…uns pontos de exclamação nos bolsos para ter sempre à mão maneira de me espantar com a beleza da vida.”
Boas Férias e até setembro!








Helena obrigada pelo lindo texto. Gostaria de saber em qual livro ele foi publicado.
Helena, sou brasileira e aprecio muito a obra de Mia Couto. Por favor, poderias indicar a obra em que esse poema foi escrito?
Em que lugar poderemos ler texto e comentários teus?
Obrigada.
Este texto está a ser alvo de dúvidas sobre a sua autoria.
É referido em diferentes sítios que é do porta Moçambicano Mia Couto, contudo afigura -se que há quem o atribua a Helena Pinto?
Afinal de quem é a autoria.
Importante esclarecer.
No próprio texto, a autora refere que a autoria é de Mia Couto.