Maio, mês que se inicia com a comemoração do Dia do Trabalhador, é um bom mês para falarmos de Burnout, tema tão importante e cada vez mais uma realidade que afeta muitas pessoas e é transversal à maior parte das profissões.
“Não aguento mais!” ou “Atingi o meu limite!” podem ser os desabafos de quem sofre da chamada Síndrome de Burnout, já classificada como doença ocupacional, desde o dia 1º de janeiro de 2022, que muitos conhecem como a síndrome do esgotamento profissional. Foi incorporada à lista das doenças ocupacionais reconhecidas pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
A Síndrome de Burnout pode surgir como resposta à exposição a um stress laboral crónico, perante o qual a pessoa sente que não tem estratégias adaptativas para lidar. A definição deste conceito tem vindo a sofrer transformações, sendo, no entanto, consensual que é “uma resposta prolongada a stressores físicos e emocionais crónicos que culminam em exaustão e sentimentos de ineficácia” (Maslach et al., 2001), ou “uma resposta à pressão emocional crónica resultante do envolvimento intenso com outras pessoas no meio laboral” (Teixeira, 2002).
Apesar de poder ser desencadeada em qualquer tipo de atividade profissional, verifica-se uma maior predisposição para esta síndrome em profissionais de ajuda ou que impliquem o contato diário com pessoas a quem prestem determinado serviço (profissionais de saúde, professores, serviço social, entre outros), dada a elevada responsabilidade e exigência profissional e o maior envolvimento emocional.
De acordo com alguns autores a síndrome de Burnout pode ter três etapas de evolução:
- Exaustão emocional – sensação de sobrecarga e desgaste, de exaustão física e emocional. Perceção de falta de energia para levar a cabo as atividades profissionais (e pessoais). O trabalho passa a ser visto como algo penoso e doloroso.
- Despersonalização/ desumanização – assumir de uma atitude mais distanciada na prestação de cuidados. Contactos mais impessoais e sem afetividade e pouco empáticos e humanizados com o outro. Barreiras cognitivas e emocionais em relação ao trabalho, àqueles a quem se presta serviços, aos colegas, aos superiores e à instituição.
- Baixa realização profissional – sensação de descontentamento e desmotivação com o trabalho, que conduzem à perceção de perda de sentido e interesse e consequente sensação de que o trabalho se tornou “um fardo”. Como resultado, o investimento é cada vez menor, a sensação de realização profissional também e a eficácia fica muitas vezes comprometida.
Podemos dividir a síndrome de burnout em dois tipos:
- Burnout ativo: é o primeiro estágio da doença, em que o funcionário ainda mantém um comportamento assertivo e tenta sair da situação. É capaz de mostrar uma atitude positiva, controlar a raiva, aceitar críticas e não perder o controlo;
- Esgotamento passivo: é neste momento que aparecem os sentimentos de apatia. O funcionário já abandonou a atitude positiva e não faz nenhum esforço para tentar reverter a situação.
Dois dos sintomas mais comuns são a depressão e a ansiedade. Mas há muitos mais: Sentimento de fracasso e impotência; Exaustão emocional; Frustração; Baixa autoestima; Falta de concentração; Pouca realização pessoal; Baixo rendimento; Estado permanente de nervosismo; Comportamentos agressivos; Dor de cabeça, taquicardia ou insónia; Absenteísmo no trabalho; Tédio; Impaciência e irritabilidade; Comunicação deficiente.
O principal gatilho para a síndrome de burnout são as más condições de trabalho. Altos níveis de stress crónico, sobrecarga de trabalho, pouca autonomia, falta de reconhecimento, maus relacionamentos pessoais e falta de suporte são apenas alguns dos fatores de risco que podem levar um trabalhador a sofrer de síndrome de burnout ou síndrome de esgotamento profissional.
A má organização na empresa e falta de controlo, as dinâmicas de trabalho disfuncionais (estilos de liderança pobres, pouco apoio, pouca atenção dos superiores, burocracia excessiva ou deficiências na definição do trabalho) têm uma influência muito negativa no humor dos trabalhadores. Assim, como uma má adaptação ao trabalho, seja porque o trabalho não atende aos seus interesses ou porque não possui as habilidades necessárias, é outro motivo que pode afetar o estado emocional de um trabalhador. As expectativas num trabalho específico também são importantes, pois às vezes não coincidem com a realidade e fazem com que não haja uma boa adaptação ao ambiente de trabalho. É aí que podem começar a aparecer os primeiros sintomas de ansiedade ou apatia, por exemplo.
É possível prevenir o burnout? Muito trabalho necessita ser feito quer ao nível das empresas, quer a nível pessoal, mas é um processo sobre o qual é urgente agir. Falaremos sobre isso na próxima edição.
Em nossas vidas, a mudança é inevitável. A perda é inevitável. A felicidade reside na nossa adaptabilidade em sobreviver a tudo de ruim.(Buda)
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