Junho inicia-se com o Dia da Criança. E que bom que é ser criança. Nelas cabem todos os sonhos do mundo. E tudo é possível quando não lhes roubam o direito a Ser CRIANÇA, quando não as adultizam, quando não as exploram com trabalho infantil, quando não as maltratam. Pouco bastaria para dar o mínimo de dignidade a uma infância, mas, para muito do mundo adulto, a criança não pensa, não tem direito a opinião. O trabalho infantil é um drama em todo o mundo, e mais facilmente se gasta dinheiro na manutenção de uma guerra do que em matar a fome e acesso à educação a tantas crianças. O drama vivido por uma criança, leva a um adulto em desequilíbrio. Se queremos curar o mundo, temos de tratar melhor as nossas crianças e verdadeiramente cuidar delas.
Cada filho é uma fonte de aprendizagem para cada mãe e cada pai. Eles nascem de nós, mas não nos pertencem, são a via pela qual aprendemos a ser melhores pessoas. Saber cuidar, saber caminhar à frente, atrás, ao lado, é um desafio constante. Criar pontes de afeto entre todos, é o caminho. Não basta ouvir dizer “gosto de ti”, é necessário sentir isso. Na infância a criança procura essencialmente saber que é amada, que é importante para os seus pais/ família, por aquilo que é e não em comparação com os outros; que é suficiente por aquilo que é, e não necessita de ser aquilo que os outros acham que deveria ser. As nossas crianças não precisam de pais perfeitos, precisam de pais conectados com elas, precisam de pais presentes, precisam de saber que os pais sempre estarão a seu lado, as apoiam e respeitam os seus direitos.
Uma criança deve ter direito a sonhar e achar que o mundo é mágico, deve poder pintar o céu da cor que a sua criatividade ditar, que “cor de pele” é uma caixa de muitas cores; deve sentir que é respeitada na sua individualidade e isso faz dela um ser humano fantástico e ninguém tem o direito de a fazer sentir inferior aos outros; deve ter pais que se sentam a ler uma história num lindo livro, folheando com prazer cada folha e não a despacham para um qualquer equipamento tecnológico; que brincam, cantam e dançam, que fazem palhaçadas e dão umas boas risadas das “parvoíces” de cada um; e que isto sim vai contribuir para o seu sucesso académico, entendendo e interagindo com o mundo à sua volta, numa constante atitude de descoberta e construção de novos saberes.
A criança deve ter direito a crescer ao seu ritmo, vivendo completa e intensamente essa fase tão boa da vida e não ser transformada num pequeno adulto, com gostos de adulto, atividades de adulto. As etapas não são para saltar antes do tempo, pois são fundamentais na estruturação da personalidade do futuro adulto.
Então deixemos as nossas crianças SER CRIANÇAS, rir, brincar, sujar-se, cair e levantar, fazer misturas esquisitas com a comida, lindas obras de arte nas paredes da casa. Devemos dar às nossas crianças uma infância simples, despreocupada, feliz e divertida, rodeada de afeto. Ela tem direito a alguém que verdadeiramente a ouça, que lhe ofereça um ombro amigo, um colo de abrigo e muito, muito mimo.
A infância é a nossa base e, como tudo, quando não é cuidada, quando não se constroem boas memórias, fica mais frágil o futuro adulto.
Somos o resultado das opções que fazemos, pelo que podemos sempre mudar de rumo, no que depende exclusivamente de nós, quando este não nos leva a um espaço de felicidade e nos afasta da essência.
Que melhor prenda para as nossas crianças que o nosso AFETO e o nosso TEMPO? De que valem afinal os objetos se eles estiverem vazios de afeto e conexão?
A infância deve ser o melhor dos laboratórios para se aprender a SER PESSOA. Nela devemos aprender a sorrir, a amar, a respeitar, a acreditar em nós, a confiar, a partilhar, a ser solidário, a dar e receber.
“Ser criança é ter luz própria e levá-la por aí brincando.”




