Na apresentação da sua obra, no edifício quinhentista, o atual Museu Municipal de FARO, se apresentou a sua última Coleção de Pintura. Por motivos de cautela, em período de contágios, não fui à apresentação. Um pouco mais tarde, fomos: eu e o Amigo Vicente de Brito, o autor de toda a obra exposta, numa das salas do antigo Convento quinhentista. O meu Amigo, de anos, e eu, lá fomos em admirações pictóricas, ao MUSEU MUNICIPAL, em admirações ao exposto.
E, nessas admirações e nesses conteúdos artísticos, reparámos: quanto vem Vicente de Brito, contribuindo para a evolução artística, num conjunto de obra diversificada e muito própria na sua Arte que percorre dois Séculos. Tenho notado/estudado as variações pictóricas… Vicente esclarece, para um entendimento da sua Pintura, no 2º livro das suas publicações elucidativas: “Este 2º livro sobre a minha arte e biografia, é apenas a continuação do primeiro. Assim a pintura e ciência médica, embora não a pratique oficialmente, têm sido as minhas principais ocupações… Remeto, para o primeiro livro, para maior conhecimento da minha obra artística e um pouco de biografia que têm influenciado a minha atividade.”
Vicente de Brito é um Homem/Pintor à procura da sua Arte. E como é diversa e imensa… O Médico/Pintor, sempre nessa vivência dupla: Homem da ciência… Homem da Arte Pictórica… No seu livro nº 2, desafoga: “Tenho a sensação que quando desenho ou pinto, está tudo feito, tudo desenhado, tudo pintado… Mas, só a criação de algo de novo e original me traz ou pode trazer satisfação intelectual. O que faço é com esforço. Só quando me sai algo de novo ganho ânimo para continuar ”.
ARTE E VIDA: Duas ações de vida, explícitas: Em 2013, publiquei, sobre a sua Pintura, numa “Breve História de “Pintores”, que transcrevo, breves palavras: “A invenção formal, a invenção narrativa e, acima de tudo, toda a invenção dos meios que a técnica fornece, tendo na pintura toda a leitura dos tempos. O Pintor é um Arquiteto… Ele constrói, pela pintura, os séculos, em imagens divinas, belas e diabólicas. Eles são os construtores da história, nos tempos. Também, acima de tudo, os pintores são a transgressão, com uma “Délectation”, nesse prazer em ter de o construir, no que vai do Artista ao Modelo, em género humano ou paisagístico, nesse ser insatisfeito, que é o ser Humano livre de tabus e dos interditos, cuja Arte assegura a libertação sobre a meditação. ENFIM! Sobre o tempo próprio da criação e os tempos que tomam os empreendimentos nas formas de uma atmosfera de jubilação ou de penível nostalgia… A exposição que o pintor-autor nos transporta, pela sua Pintura, a Arte em punível nostalgia, em que toda a criação se penaliza e se enaltece em momentos criativos, chega-nos, não em plena maturidade, mas em sentido de uma soberana liberdade, numa necessidade pura, onde dispara o prazer virtuoso… Há um momento de graça entre a vida e o contrário, num caminho que atravessa as idades. Um bom Pintor está num bom olho, afirmava Monet. Ao pintor menos bom, sobra-lhe a mão, insistia o autor do “ LeDéjeunersurl´herbe”.
Vem a propósito a imagem que Pablo Picasso transmitiu, quando, num encontro em “Avignon”, mostrava as suas 156 gravuras, o seu último trabalho exposto no palácio “PAPAL”- 1972, afirmando : “Este sou eu: O sim e o contrário, no que está em mim”.
FALAR DE Vicente de Brito, Homem do Sul, adorador da cor, transbordando, derramando em telas imensas, essa vontade incontida, em plasmar toda essa força de artista, na sua própria identificação: A Pintura da modernidade! É certo que, como literatura, há o pejo do regionalismo na pintura, como literatura atirado para o desdém. Assim, como se poderá chegar ao classicismo do orgulho! Há algumas décadas, descobri os quadros exuberantes do pintor Vicente de Brito, nessa dualidade de Pintor-Médico. A pintura da modernidade que Vicente de Brito nos tem apresentado, não é soletrada em revistas de Londres, etc. Fui visitando as suas exposições na cidade de Faro. Fomos criando Amizades. Trocando conhecimentos… E, eu a aprender, numa coragem de artista. “Entreguei-me aos seus quadros”, numa curiosidade do saber. Entrei na sua Casa-Museu, já com o século XXI a entrar.
Descendo a Rua Filipe Alistão – Faro, onde o Pintor/Médico tem residência e Atelier. Reparo, no exterior do seu edifício, uma imensa Pintura “Pública”. Reparo que também sou admirador, nos – estrangeiros e nacionais- captando as imagens, que “escorregam”, paredes abaixo, num “Painel” mural e inédito. Há de tudo. Muitos admiradores, de aparelho fotográfico, na captação da Imagem. Pessoalmente, vou descendo a Rua, nesse interesse, nessa capacidade em interessar os Passeantes em Arte Mural. Não creio que Faro tenha os seus “contrários”, nessa amostra que atrai o indivíduo, seja nacional ou doutro País… Aquele HOMEM PINTOR, mostrando aos demais, a exposição PÚBLICA.









