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Ambiente & CiênciaSociedadeUncategorized

Espécies da Península Ibérica obrigadas a “mudar de casa” devido às alterações climáticas

Terra Ruiva
Última Atualização: 2022/Mar/Qua
Terra Ruiva
5 anos atrás
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Investigadores da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP) publicaram um estudo pioneiro que analisou os efeitos das alterações climáticas para a maioria das espécies de flora vascular e fauna da Península Ibérica. A investigação concluiu que, em apenas 35 anos, algumas espécies foram forçadas a explorar habitats diferentes.

Para este estudo, a equipa debruçou-se sobre os nichos ecológicos, ou seja, uma combinação de valores de variáveis climáticas. “O nicho de uma espécie poderia, por exemplo, ser o volume compreendido entre as temperaturas e precipitações mínimas e máximas que a espécie consegue suportar”, explica Neftalí Sillero, investigador no CICGE, Centro de Investigação em Ciências Geoespaciais na FCUP e primeiro autor do artigo recentemente publicado na revista científica Oikos. A investigação incidiu sobre 19 variáveis climáticas.

Com este trabalho, os cientistas perceberam que, ao comparar os nichos de espécies em 1979 com os de 2013, os nichos não são completamente similares, o que significa que as espécies estão a começar a usar outros habitats. Entre as espécies que sofreram maiores alterações estão, por exemplo, a Marmota (espécie introduzida na Península Ibérica) e algumas aves como o Tetraz-real (Tetrao urogallus) e o Brita-Ossos (Gypaetus barbatus). “As alterações climáticas podem levar as espécies à extinção quando estas ficarem sem os habitats onde podem viver”, alerta o investigador.

“Num outro estudo publicado no jornal Regional Environmental Change vemos que há espécies que estão a subir a maiores altitudes para poder seguir os seus habitats”, acrescenta Neftalí Sillero. A mesma equipa concluiu também, num trabalho divulgado no ano passado na revista STOTEN, que as espécies estão a sofrer uma descida geral na qualidade dos seus habitats preferidos.

Os próximos passos dos investigadores da FCUP são perceber quais os novos habitats que as espécies estão a usar e se estas alterações apontam para habitats com temperaturas mais amenas.

 

Texto: Faculdade de Ciências da Universidade do Porto

 

 

 

 

 

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