O grande incêndio de 2018 que começou em Monchique e que durante sete dias lavrou com intensidade, afetando largamente o concelho de Silves e ainda os de Portimão e Odemira, não foi da responsabilidade da EDP, segundo o juiz de instrução do Tribunal de Portimão.
Recorde-se que o Ministério Público tinha acusado a EDP, por considerar que o fogo teria sido causado por um cabo elétrico de alta tensão que estava em contacto com ramos de eucaliptos, na zona de Perna Seca, em Taipas, no concelho de Monchique.
Mas foi agora conhecida a decisão do juiz de instrução de Portimão que decidiu não levar a julgamento a EDP Distribuição e um gestor operacional da empresa, que se encontravam acusados de um crime de incêndio florestal por negligência na forma agravada. O referido juiz, citado pelo Jornal de Notícias, aponta várias falhas à acusação, considerando que existem “dúvidas quanto ao concreto local do início (e respetiva causa)”. O magistrado afirma ainda que existiram várias falhas na investigação e critica testemunhas da Polícia Judiciária e dos bombeiros sapadores florestais, bem como o relatório redigido pela PJ, no qual considera existir “lacunas e incongruência”.
Perante as dúvidas, o magistrado aplicou o princípio da presunção de inocência, “in dubio pro reo”, ou seja, decidiu a favor dos arguidos, não os levando a julgamento
O grande incêndio Monchique/Silves, como na altura foi designado, destruiu 111 casas de primeira e segunda habitação e 26 mil hectares de floresta, feriu 41 pessoas e matou mais de cinco mil animais.








