Todos os dias experimentamos emoções de que não gostamos e nos deixam desconfortáveis. Estas emoções acabam por, quando atingem níveis elevados, causar a maioria das doenças de foro psicológico. Escutar a mensagem que as emoções negativas estão a transmitir e perceber a necessidade de mudar o estilo de vida, é um passo importante para a estabilidade emocional. Na partilha deste mês vamos falar sobre um dos lados de uma destas emoções – a ansiedade.
Quando sentimos algum nível de ansiedade, queremos livrar-nos dela e deixar de sentir esse desconforto. Mas será isso boa ideia? Quando devemos escutar a mensagem que as emoções negativas nos estão a tentar transmitir, mesmo quando o desconforto é grande? Devemos mudar a vida emocional ou mudar a vida externa e o estilo de vida?
A maior parte das pessoas tem tendência a fazer interpretações catastróficas das situações. Mesmo quando as coisas estão a correr bem, tendemos a colocar em causa esse bem-estar, pois “quando a esmola é grande, o pobre desconfia”. Isto leva a que se procure, mesmo que inconscientemente, encontrar motivos para criar mau estar. Quantas vezes implicamos com pequenas coisas? Porque fazemos isto?
O psicólogo russo Blyuma Zeigarnik descobriu, já no século passado, que nos lembramos de frustrações, fracassos, rejeições, problemas insolúveis, muito melhor do que dos nossos sucessos e realizações. Este facto estará de acordo com algumas teorias, ligado à evolução da espécie e à forma como o ser humano foi lidando com as catástrofes e mudanças ao longo da evolução do nosso planeta.
Como refere o psicólogo Martim Seligman “Talvez um cérebro grande, sábio, não seja suficiente. A disforia, o mau tempo interior, é necessária para galvanizar a mera inteligência em ação. O descontentamento, a preocupação, a depressão, uma visão pessimista do futuro,… são necessários para a agricultura, para a cultura, para a civilização”. (existe uma crença subjacente, de que há um final feliz à espera).
Por detrás de cada emoção negativa, como a ansiedade, a depressão e a raiva, está presente uma mensagem para que mudemos a nossa vida. Quando maior o desconforto, mais urgente é essa mudança. A ansiedade dá-nos um alerta para o perigo, impele-nos a encontrar alternativas. A ansiedade é a expressão, através do corpo, da nossa mente. Ela está continuamente a inspecionar a nossa vida. Se encontra uma imperfeição ou identifica um hipotético perigo, chama a nossa atenção para esse aspeto, o que gera desconforto. Vamos assim recebendo chamadas de atenção, às quais muitas vezes não ligamos, o que leva a que sinais mais fortes sejam enviados e ao consequente aumento do desconforto, às alterações do sono e do apetite.
A ansiedade está a chamar a nossa atenção para o que necessita ser mudado. Não escutar a mensagem por detrás dela, pode levar a consequências mais gravosas. Devemos olhar para ela como um alerta, uma luz amarela ou vermelha, a chamar para a ação. Imagine uma panela com água a ferver, na qual vai deitando copos de água fria. Se não procurar o que está a ativar o lume, a fervura vai continuar a acontecer até que transborda. Os copos de água fria vão ajudando a atenuar a ansiedade diária num nível moderado, mas para resolver temos de escutar a mensagem que está a ser transmitida, agir e mudar o que precisa ser mudado.
“ A vida é uma grande universidade, mas pouco ensina a quem não sabe ser um aluno.” (Augusto Cury)
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