A depressão e a ansiedade acontecem porque ocorreram alterações neuroplásticas ao longo do tempo. A neuroplasticidade é a capacidade que o cérebro tem de adaptar-se a mudanças através do sistema nervoso. É a habilidade do cérebro, com a sua flexibilidade e encaixe, de se reorganizar através dos neurônios e nos seus circuitos, que ao longo da existência vão-se moldando, a níveis de estrutura por meio das aprendizagens e vivências.
O nosso cérebro não consegue distinguir comportamentos que são para adaptar, de comportamentos que não são para ser adaptados, pois ele só consegue aprender aquilo que é repetido.
Ou seja, a neuroplasticidade é a capacidade que o ser humano tem, ou não, de alterar comportamentos e seus estados emocionais perante determinada situação ou ocorrência na sua vida quotidiana.
Na depressão, de uma forma geral, encontram-se presentes sentimentos de profunda tristeza e que por norma persistem no tempo, no vazio, numa sensação de cansaço e na existência de falta de interesse nas atividades a desenvolver. Normalmente é uma doença silenciosa, em que o meio laboral, familiar e social são fundamentais na sua recuperação. Esta pode atingir qualquer pessoa, de qualquer idade ou sexo. Quando um sentimento de tristeza atinge o ser humano, dura o tempo suficiente para a sua perceção e discernimento. A depressão afeta os pensamentos, sentimentos, comportamentos e a perceção da realidade, estendendo-se no tempo, por várias semanas, de forma recorrente.
A Ansiedade é caracterizada por um sentimento de tensão, preocupação e medo. É, na sua essência, uma antecipação de uma ameaça futura, que surge sob a forma de tensão ou de um pressentimento, sem que muitas das vezes a pessoa consiga indicar um motivo concreto para o sentimento de angústia sentida. Embora haja diferença entre medo e ansiedade, pois o perigo pode ser real ou imaginário, podendo levar até ao descontrole.
Quando uma pessoa sofre de transtorno de ansiedade, sofre por antecipação a uma situação, deixando de viver o agora.
Está comprovado que estes transtornos iniciam-se desde a formação dos centros condutores já mencionados, cérebro e sistema neurológico. Tudo se irá refletir e exteriorizar-se através do corpo humano, quer seja em órgãos internos ou no seu externo.
Estes dois transtornos podem cumular-se em simultâneo.
Pode haver períodos de extrema e profunda tristeza em certos ambientes, quer seja isolado ou em companhia, assim como em sobressalto, noutros períodos o individuo se preocupe em demasia e se encha de tensão.
A máquina mais completa e complexa aqui na Terra, sem dúvida é o Ser Humano. Então em qualquer uma destas situações devemos parar, e parar não é ficar sem fazer nada, nada disso. Parar é ouvir-se, não os pensamentos, não a mente a falar, mas sim escutar o seu corpo, porque o corpo é que vai indicar onde e o quanto nos está a afetar esse estado adotado e tido como parte integrante do Ser. Trabalhar a auto compaixão, tratar-se a si próprio de forma mais amável, generosa, paciente, encorajar-se de forma a compreender-se.
De todas as fórmulas encontradas para o equilíbrio da neuroplasticidade, ou seja, a reorganização dos neurónios e dos seus circuitos bloqueados ou incapacitados, a mais indicada é a meditação ou mindfullness, o esvaziar da mente com os seus bloqueios.
Este, o mindfulness, tem por princípio a atenção profunda na respiração para uma maior concentração no momento presente. Foco na respiração, e sempre que a atenção se dirigir para os pensamentos e sentimentos, que sejam observados sem julgamentos.
A meditação tem por base o mesmo foco, no presente, no agora, e o presente é respiração e ausência de pensamento para uma melhor observação de si.
Seja gentil consigo!







