A Serra algarvia, tantas vezes considerada madrasta, é, na verdade, uma Mãe d’Água.
No pico do Caldeirão, nascem a Ribeira do Vascão que corre até ao Guadiana; o rio Mira que alimenta o litoral alentejano com a barragem de Santa Clara e desagua em Vila Nova de Mil Fontes; o rio Sado alcançando a foz a Norte, em Setúbal; ou a caudalosa Ribeira de Odelouca, principal afluente do Rio Arade, e atualmente aproveitada pelo grande repositório de água do Algarve, a segunda maior barragem de aterro de Portugal: a Barragem de Odelouca.
Pelos poros da Serra do Caldeirão, borbulham ainda pequenas nascentes, abrem-se regatos e barrancos, desenha-se uma paisagem de água, que nos remete para os primórdios da ocupação deste território. Puras e intocadas, as águas que assomam à superfície resultam somente da interação entre a água e a rocha, sendo um recurso natural excecional dos raríssimos 0,02% das águas subterrâneas do nosso país.
Mãe d’Água do Algarve e do Alentejo, a nossa Serra não precisaria de qualquer outro atributo para a considerarmos uma bênção natural! A ela devemos a protecção dos ventos do quadrante norte, que dão ao Algarve o clima ameno e invejável que a todos seduz e encanta. Há tanto tempo de costas viradas para a Serra, continuamos ainda a receber dela guarida e arrumo, como de todas as mães que verdadeiramente o são.
No Dia Mundial dos Rios, 25 de setembro, celebremos os seios de pedra da nossa Serra e o seu papel fundamental na manutenção do equilíbrio ambiental e da biodiversidade do Algarve.

* Textos para o conhecimento e valorização da Serra algarvia da responsabilidade do projeto “Rio Arade: Percurso das Fontes Boião-Azilheira”
Autor: Patrícia de Jesus Palma







