Primeiro Relatório de 2021 sobre incêndios revela que trabalhos agrícolas foram a principal causa

As entidades integrantes do Sistema de Gestão Integrada de Fogos Rurais (SGIFR) apresentaram, na semana passada, o primeiro Relatório de 2021 sobre Incêndios Rurais, relativo ao primeiro semestre do ano, disponibilizado no site do ICNF.

A base de dados nacional de incêndios rurais regista, no período compreendido entre 1 de janeiro e 30 de junho de 2021, um total de 3628 incêndios rurais que resultaram em 11030 hectares de área ardida, entre povoamentos (2263 ha), matos (7995 ha) e agricultura (772 ha).
Comparando os valores do ano de 2021 com o histórico dos 10 anos anteriores, assinala-se que se registaram menos 38% de incêndios rurais e menos 36% de área ardida relativamente à média anual do período. O ano de 2021 apresenta, até ao dia 30 de junho, o 3.º valor mais reduzido em número de incêndios e o 4.º valor mais elevado de área ardida, desde 2011.

A distribuição do número de incêndios rurais por classe de área ardida evidencia que em 2021 os incêndios com área ardida inferior a 1 hectare são os mais frequentes(77 % do total de incêndios rurais).
No que se refere a incêndios de maior dimensão, assinala-se, até à data, a ocorrência de 18 incêndios com área ardida entre 100 e 1000 hectares.

Até à data, as causas mais frequentes em 2021 são: incendiarismo – imputáveis (13%) e o uso negligente do fogo (69%), neste caso com relevância para as queimadas de sobrantes florestais ou agrícolas (28%), queimas de amontoados de sobrantes florestais ou agrícolas (16%) e queimadas para gestão de pasto para gado (22%). Os reacendimentos representam 4% do
total de causas apuradas, num valor inferior face à média dos 10 anos anteriores (12%).

A divulgação dos primeiros indicadores foi o pretexto para o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), Guarda Nacional Republicana (GNR) e Agência para a Gestão Integrada de Fogos Rurais (AGIF) reforçarem o apelo para nos dias quentes, secos ou ventosos os Portugueses não realizarem queimas, queimadas, atirarem beatas enquanto conduzem ou operarem maquinas agrícolas ou motosserras e motorroçadoras que estão entre as principais causas dos incêndios. “Se há risco não arrisque”, afirmou o presidente da AGIF num desafio direto a todos os portugueses para os próximos meses.

A mesma tónica foi seguida pelo ICNF que, através de Nuno Banza, destacou como evolução positiva a “adesão” dos portugueses ao call center (808 200 520) destinado a queimas e queimadas. De acordo com este responsável, a redução de menos 38% do número de incêndios no 1º semestre de 2021 quando comparada com a média dos últimos anos, é um “resultado explicado” pelo facto de em 2021 já terem sido registados 710 mil pedidos de autorização para esta prática. Em 2019, esse número foi de meio milhão para todo o ano.

A GNR apresentou também os seus números sobre as suas ações de fiscalização, vigilância e investigação de causas de incêndios. O Coronel Vítor Caeiro aproveitou a identificação da principal causa de incêndios, ou seja, o uso incorreto do fogo, para sublinhar a importância de evitar comportamentos de risco em situações de queimas e queimadas. “Se os conseguirmos evitar, evitamos mais 50 por cento das ocorrências”, frisou.

Da parte da ANEPC, a mesma mensagem. Depois de elencar os números relativos ao dispositivo especial de combate, o General Duarte da Costa lembrou que “todos nós somos proteção civil” e que para haver “sucesso no combate” em muito contribuía “não haver um elevado número de ignições”.

Além das entidades já referidas, o SGIFR é composto pelo IPMA, Polícia Judiciária e Forças Armadas e conta com o envolvimento operacional das corporações de Bombeiros, dos sapadores florestais e das autarquias, entre outros.

A concluir a apresentação dos resultados da equipa, a AGIF divulgou também o resultado do Barómetro sobre campanhas de sensibilização (2019-2021), insistindo na importância em reforçar a comunicação com a população, nomeadamente em iniciativas especializadas e junto dos público-alvo. O presidente da AGIF recorreu mesmo à principal causa de incêndios identificada para o mês de Junho para sublinhar a importância de, nos dias mais secos e quentes, evitar usar máquinas nas horas de maior calor (11 as 17h). “Os trabalhos agrícolas foram a causa que mais contribuiu para a área ardida do mês de junho”.

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