Já encontrou o seu Ikigai?

O que é afinal o Ikigai? Ken Mogi – neurocientista japonês – autor do livro “Ikigai: Os cinco passos para encontrar seu propósito de vida e ser mais feliz”, explica-nos que “É o motivo que o faz acordar todos os dias… Ikigai é a sua razão de viver “.

O conceito vem de Okinawa, grupo de ilhas ao sul do Japão, conhecida como a “Terra dos Imortais”, com uma população de centenários bem acima da expectativa de vida média, mesmo para os padrões japoneses. Muitos acreditam que o Ikigai é o segredo da sua longevidade. As pessoas dessa região do Japão tiram proveito do clima subtropical, têm uma dieta rica em frutas e vegetais, moram em comunidades onde se valorizam os laços pessoais e mantêm-se ativas fisicamente por toda a vida.

Perguntaram aos idosos o motivo de estarem sempre alegres, por que cuidavam uns dos outros, e o que os fazia ter laços tão fortes uns com os outros… e uma palavra era mencionada com frequência: Ikigai.” Este conceito japonês antigo pode ser a chave para uma vida longa, feliz e saudável. Mas, será difícil encontrar o Ikigai?

Habitualmente quando falamos de alterações associadas ao envelhecimento são ativadas automaticamente as perdas/limitações. Contudo, apesar destas, há um conjunto de capacidades que se mantém e outras até que aumentam. Mantêm-se os conhecimentos adquiridos ao longo da vida. Fatores protetores para um envelhecimento saudável são a existência de objetivos, uma emocionalidade mais positiva (maior foco nos ganhos que nas perdas) e relações sociais saudáveis (menor isolamento).

Segundo Ken Mogi, “Em geral, somos muito obcecados com o sucesso e grandes metas. O bom do Ikigai é que você pode partir de coisas pequenas até chegar aos grandes objetivos de vida”.  Como diz a canção de Sérgio Godinho “A vida é feita de pequenos nadas”, por isso podemos começar por algo simples como beber uma chávena de café pela manhã… Qualquer um pode partir do que está ao seu alcance e começar a sentir-se bem e a experimentar os benefícios que isso traz, antes de, gradualmente, evoluir para objetivos maiores.

Você precisa observar-se a si mesmo“, recomenda Ken Mogi. “Parta do zero, olhe-se ao espelho: que tipo de pessoa é você? Pense no passado e no que te dá prazer. Isso dará uma pista. Como neurocientista, eu acredito que as coisas que nos dão prazer são reflexos do tipo de pessoas que nós somos. “

Seguindo os conselhos de Ken Mogi, se não sabe o que quer da vida, comece por fazer uma lista do que não quer, quais as situações que o(a) deixam desconfortável ou infeliz, quais as atividades que prefere evitar. Este exercício vai ajudar a descobrir que há várias coisas que nos deixam felizes: aprender coisas novas, cuidar do jardim, ajudar outras pessoas, resolver problemas, fazer música…

Encontrar um Ikigai não é sempre um processo simples. “A beleza do Ikigai é que é algo muito pessoal”, diz Ken Mogi, “Não é algo dado a você, de forma passiva. Você precisa explorar sua mente e cultivar seu Ikigai.” A descoberta do Ikigai torna-se uma forma de celebrar as diferenças individuais, o que é muito importante e relevante em sociedades muito homogéneas. Há muitas formas de ter prazer. Na verdade, é importante ter vários ikigais, dos mais simples aos mais ambiciosos.

De acordo com estudos realizados pela Universidade Toho, em Tóquio, com idosos que levam um estilo de vida equilibrado, há uma correlação entre longevidade e ter uma razão de viver: o seu sistema imunológico – e, em especial, um tipo de glóbulo branco, o neutrófilo – atua melhor, ajudando a mantê-los saudáveis por mais tempo.

Numa outra pesquisa, a neuropsicóloga americana Patricia Boyle, do Centro Rush para Mal de Alzheimer, em Chicago, acompanhou 900 idosos que corriam o risco de desenvolver demência num período de sete anos. Ela concluiu que aqueles com uma boa noção de seu propósito de vida tinham 50% menos chances de ficar doentes.

“O cérebro humano tem uma habilidade incrível de regular as funções do corpo. Em alguns casos, pode curar-se por conta própria, como demonstrado pelo efeito placebo”, afirma Ken Mogi. Se você encontrar o seu Ikigai, as pequenas coisas que dão significado à vida podem ajudar a preservar a sua saúde por mais tempo. “

Os mais velhos guardam em si três grandes superpoderes: disponibilidade, sensibilidade e saber acumulado. Estes podem ser colocados ao serviço do próprio e dos outros, promovendo um envelhecimento saudável e rico de novas descobertas e experiências.

Qual o meu objetivo na vida? Ser rio ou ser paisagem? Eu prefiro ser rio. Viajar é melhor que chegar. O processo é melhor que o resultado. (Walter Sasso)

 

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