As obras na Ponte Velha de Silves irão começar muito em breve, agora que foram finalizadas as obras na Ponte Nova (rodoviária).
Segundo a Câmara Municipal de Silves, já é possível avançar com a execução da empreitada de “Conservação e Restauro da Ponte Velha”, mais conhecida por “Ponte Romana”, após a desativação das condutas de água e saneamento que pela mesma passavam e que foram transferidas para a Ponte Nova.
Esta foi “uma obra complexa, cujo investimento ascendeu a 440 mil euros”, no decorrer da qual foram instaladas novas condutas de abastecimento de água e saneamento sob a Ponte Nova.
A intervenção estendeu-se aos troços entre a Ponte Velha e a Ponte Nova, nas vertentes sul (EN 124-1) e norte (Avenida Marginal), envolvendo a colocação de 1,4 km de tubagem de água e esgotos.
“A execução da importante empreitada permitiu a remodelação e modernização das redes de água e saneamento, acabando-se com as roturas frequentes num ponto estratégico do sistema, estabilizando o fornecimento de água à cidade e às zonas limítrofes.
A empreitada enquadrou-se na linha de orientação estratégica de modernização e consolidação das redes de abastecimento de água e saneamento, de combate às perdas de água e melhoria dos níveis de prestação do serviço público em todo o concelho”, afirma a autarquia de Silves.

Intervenção na Ponte Velha de Silves
No que se refere à intervenção na Ponte Velha de Silves, como já foi divulgado pela Câmara Municipal de Silves, irá ser realizada uma profunda intervenção visando a “Conservação e Restauro da Ponte Velha de Silves”, dando corpo a um projeto que foi analisado e mereceu os pareceres favoráveis de numerosas entidades regionais e nacionais.
Esta obra será realizada recorrendo a fundos da própria autarquia, num valor aproximado de 500 mil euros, uma decisão tomada depois de várias insistências junto dos organismos do património, que nada adiantaram, e em resultado de ter sido inviabilizada uma candidatura a fundos comunitários (CRESC 2020 – Património Cultural) por ausência de linha de financiamento disponível. Ainda assim, a autarquia entendeu que não poderia alhear-se do estado de crescente degradação da Ponte Velha, considerada um ex-libris da cidade histórica e que foi recentemente classificada como Monumento de Interesse Público. Uma classificação que veio reconhecer o valor cultural deste imóvel, ícone de Silves e marco histórico nas acessibilidades ao Barlavento algarvio, cuja origem remontará a meados do século XIV.
Ponte Velha
Designada frequentemente por “ponte romana”, a sua construção não será tão remota. Em contraste com a robustez das obras romanas apresenta tabuleiro pouco espesso e em cavalete, o talhe dos blocos, mais pequenos e com marcas de canteiro, a tipologia das aduelas e o grande vão dos arcos evidenciam uma fábrica medieval. Por outro lado, as marcas de canteiro surgem logo na base da infraestrutura, o que juntamente com as características medievais dos silhares indicia a ausência de fundações anteriores. Na verdade, não foi detetada a reutilização de quaisquer elementos de construções antigas, além de que as descrições da cidade no período islâmico, ou mesmo a do cruzado anónimo, em 1189, não fazem referência a qualquer ponte.
A primeira referência conhecida remonta a 1439, quando nas cortes de Lisboa, os silvenses lastimavam que a ponte tivesse ruído na sequência de uma grande cheia, pedindo a intervenção do rei para a sua reconstrução. As obras decorreram nos anos seguintes, embora dilatadas pelo tempo, dado que em 1459 ainda não estavam concluídas. Em 1473 os trabalhos estavam terminados, tal como as obras da Sé, congratulando-se os representantes de Silves, nas cortes de Évora, com o apoio de D. Afonso V e com a ajuda divina. Refira-se que D. Álvaro de Pais, bispo de Silves (1334- 1352), havia lançado uma maldição sobre a cidade, segundo a qual as obras na ponte e na Sé jamais se concluiriam, praga que, desta forma, não se concretizaria, mas que permite concluir que as obras já decorriam em meados do século XIV.









