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Reading: A toponímia na cidade de Silves: I – Silves e a toponímia até à I República
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História & PatrimónioSociedade

A toponímia na cidade de Silves: I – Silves e a toponímia até à I República

Vera Gonçalves
Última Atualização: 2020/Out/Ter
Vera Gonçalves
6 anos atrás
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Em Silves, no edifício da Câmara, encontra-se patente,  a Exposição do Arquivo Municipal com o tema «A toponímia na cidade de Silves”., que se desenrola até ao mês de  novembro. O Terra Ruiva colabora com esta iniciativa do Arquivo Municipal publicando um resumo da exposição. A versão integral, relativa ao mês de setembro, com o texto e as imagens, esta disponível aqui:

A toponímia na cidade de Silves – I – Silves e a toponímia atá à I República

A toponímia, que etimologicamente se define como o estudo histórico ou linguístico da origem dos nomes próprios dos lugares, constitui um importante elemento de identificação, orientação, comunicação e localização de imóveis.

A designação toponímica assume particular importância na preservação da memória e identidade cultural das gentes, perpetuando nomes, factos, costumes e eventos, dando a conhecer a evolução histórica dos lugares e respetivas populações.

Até ao século XIX a designação dos arruamentos e outros espaços públicos tinha essencialmente um carácter pragmático e de formação popular, radicado na consciência da população, nas tradições dos moradores, nome por que, desde sempre, era conhecido, e que vinha de gerações anteriores, transmitidos oralmente, destinando-se, exclusivamente, a criar pontos de referência para orientação dentro da urbe.

Deste modo, a toponímia começou por ser obra da população, sem outras razões para a atribuição de um nome a determinado lugar a não ser o quotidiano, referindo-se aos seus habitantes, às igrejas, ao comércio, às profissões: por ali se ir à igreja era a rua da Igreja, se havia um sapateiro era a rua do Sapateiro, ou ali morava um senhor importante, tinha o seu nome e como se realizava a feira era a rua da Feira, imperando a tradição.

Com o Código Administrativo de 1878, as Câmaras Municipais adquirem a competência para tomar decisões a nível da toponímia, aptidão que pertencia, desde 1836, aos Governos Civis, passando a prevalecer os valores e ideais políticos da época.

A política teve sempre um papel preponderante nas razões determinantes da atribuição de topónimos urbanos. Após o 5 de Outubro de 1910 uma das primeiras medidas efetuadas pelas Câmaras Municipais, incluindo a de Silves, foi de banir as toponímias que evocassem a Realeza e referência a motivos religiosos, substituindo-as sistematicamente pelas dos novos heróis e dos ideais republicanos, eliminando assim a memória monárquica. Também o Estado Novo não perdeu a oportunidade de alterar nomes confrangedores e de homenagear vultos do regime.

O mesmo sucedeu após a Revolução de Abril, por todo o lado se procuraram apagar as reminiscências do anterior regime e dos seus apaniguados e mentores a nível local e nacional, constituindo este um meio privilegiado para homenagear quem contribuiu e quem teve um papel importante durante a revolução.

Como é o caso da nomenclatura da atual rua 25 de Abril que em 1921 tinha a designação de Rua dos Soldados Portugueses, onze anos depois mudou para Rua Dr. Oliveira Salazar e a 7 de maio de 1974 foi alterada para Rua 25 de Abril.

Os topónimos podem ser agrupados nos diferentes temas: antropónimos (homenagear personalidades de relevo concelhio ou nacional), cronológicos (alusivos a datas festivas ou com significado histórico concelhio ou nacional), acontecimentos (homenagear o regime implantado e os seus ideais, como República ou Liberdade), populares, tradicionais ou relacionados com elementos arquitetónicos.

 

  1. Silves e a toponímia até à I República

A partir de 1820 a cidade de Silves assistiu a transformações urbanísticas com a abertura de alguns novos arruamentos, sendo as principais ruas, a de Nossa Senhora dos Mártires, a rua da Feira e a rua da Rebola, mais amplas e orladas de alguns bons edifícios particulares e armazéns, em contraste com as ruas estreitas e tortuosas mais antigas.

A primeira referência documental associada à necessidade da numeração dos edifícios e da atribuição de letreiros nas ruas foi apresentada pelo Administrador do Concelho na reunião da Câmara Municipal de Silves realizada a 23 de outubro de 1861.

Com a alteração legislativa relativamente à atribuição de topónimos oficiais às ruas, e passando a Câmara Municipal a possuir essa competência, as artérias de Silves passaram, progressivamente, a possuir topónimos oficiais.

Os três primeiros foram propostos à Câmara por Gregório Nunes Mascarenhas em 1887, “pedindo que a Rua da Aguardente, em que tem o seu estabelecimento de cortiça e a sua morada, tivesse a denominação = Victor Hugo”  e em 1894 quando solicitou que “seja dado o nome de Latino Coelho à nova rua junto ao quintal e adega do requerente e o  de Mascarenhas Gregório à rua em frente da nova fábrica da Cortiça” . Ficando a seu cargo a compra e colocação das respetivas placas de porcelana no começo e fim das ruas.

Até ao final do século XIX, devido ao crescimento populacional e à expansão do tecido urbano, essencialmente na parte oriental da cidade, foram atribuídas duas novas denominações e seis alterações de nome, homenageando-se personalidades de prestigiada posição na vida nacional, nomeadamente heróis e escritores, e na vida da cidade.

Deste modo, a pedido dos diversos proprietários, artistas e industriais, residentes no novo bairro da parte oriental da cidade, foi atribuído à nova rua, paralela à Latino Coelho, a denominação de Rua José Falcão e, em 1897, o nome Rua Diogo Manuel, proposto pelo Presidente José Teixeira Gomes, em homenagem “aos muitos serviços prestados a este Município pelo fallecido Diogo João Mascarenhas Manoel, antigo presidente d’esta Camara, cuja memoria ficou inolvidavel no espirito não só, dos que o conheceram de perto, mas até dos municipes d’este concelho” .

Quanto à alteração do nome de várias ruas a 8 de março de 1895, celebrando-se a apoteose do inimitável poeta João de Deus, a Câmara, associando-se a esta manifestação, propôs “que a Rua da Estalagem se chame no futuro de Rua João de Deus”. No ano seguinte, com a chegada da gloriosa expedição militar de Lourenço Marques e os prisioneiros de guerra, em júbilo por tão brioso feito, a Câmara em homenagem aos três vultos da campanha deliberou que fosse dado os nomes de Mouzinho de Albuquerque à atual Rua das Vendas, Coronel Galhardo à Rua da Feira e António Ennes ao Largo do Cais.

Na sessão seguinte foi proposto que à Rua e Largo da Ponte fosse atribuído o nome de Coronel Figueiredo Mascarenhas, antigo deputado deste Círculo de Silves que sempre defendeu o desenvolvimento do concelho, em homenagem respeitosa às suas qualidades de homem e de cidadão, bem como a denominação de Praça do Município ao atual largo da praça desta cidade.

O início do novo século trouxe uma mudança no modo de viver da população e um florescente comércio. Nessa altura, e até à implantação da República, deu-se a alteração das denominações de quatro artérias: passando a denominar-se Largo Conselheiro Magalhães Barros  ao largo do Poço Novo, Rua Comendador Vilarinho  a antiga rua dos Legumes, Rua Francisco Gomes Pablos  a rua do Rossio e Rua Alexandre Herculano  à rua da Rebola.

Rua Comendador Vilarinho, Rua Francisco Gomes Pablo e Rua Samora Barros

 

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TAGGED:Arquivo Municipal de Silvescidade de SilvesI RepúblicatoponímiaVera Gonçalves
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PorVera Gonçalves
Natural da Sé de Faro, oriunda de S. Brás de Alportel, nascida em 1980. Licenciada em Línguas e Literaturas Modernas variante de Estudos Portugueses e Pós-graduação em Ciências Documentais – Ramo Arquivo pela Universidade do Algarve. Funcionária da Câmara Municipal de Silves, desde 2005, como técnica superior de arquivo.
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