O Agrupamento de Escuteiros 1339 N. Sr.ª da Saúde, de São Bartolomeu de Messines, comemorou recentemente o seu 10º aniversário.
Fé e tradição manifestam-se no movimento escutista ligado à Igreja Católica, mas também um desejo de servir a comunidade e de formar jovens enquanto cidadãos responsáveis e ativos na sociedade.
Num sábado de manhã, o Terra Ruiva foi falar com o chefe do Agrupamento, Paulo Antão, e descobrir quanta carolice e dedicação são necessárias até se festejar 10 anos de vida.
É sábado de manhã, ainda cedo, dia de chuva, mas no edifício do Polo de Educação ao Longo da Vida de São Bartolomeu de Messines, junto à Igreja Matriz, há agitação. Hoje é dia de vender calendários para 2020, editados pelo Corpo Nacional de Escutas. Na sala ocupada pelo Agrupamento 1339 N. Sr.ª da Saúde formam-se as “equipas de vendas”. A organização é simples: os mais novos vão com os mais velhos, os restantes seguem ao seu gosto, mas sempre em grupo. As indicações são para que não se afastem muito, que se mantenham no centro da Vila, onde as pessoas fazem compras a essa hora matinal. Para que as contas sejam simples de fazer: 10 calendários para cada um, cinco euros em moedas para trocos, para cada equipa.
“Quando venderem esses podem vir buscar mais, temos muitos para vender” , diz o chefe Paulo Antão. E durante toda a manhã, esse movimento de vai e volta irá repetir-se…
Os calendários são uma pequena mas importante fonte de angariação de fundos do Agrupamento que habitualmente também participa na Feira das Tradições, em Messines, na Mostra Silves Capital da Laranja, em Silves, e noutros eventos, para suportar os custos das suas atividades. A sua sede, na antiga escola primária dos Calvos, foi cedida pela Câmara Municipal de Silves e costumam contar com o apoio da autarquia também na cedência de autocarros e para eventos, bem como com o apoio da Junta de Freguesia de S. Bartolomeu de Messines. Algumas empresas de Messines, como a Vânia Calado Seguros, a oficina de Ezequiel Cabrita e os Supermercados Prata são importantes apoios.
Para o resto, como é comum nestes casos, desenrascam-se com a “carolice” dos pais e o empenho e imaginação dos responsáveis pelo Agrupamento.
Fundado em 2009, por ocasião das Festas em Honra de N. Sr.ª da Saúde, que se comemoram a 21 de setembro, o Agrupamento 1339 nasceu com “o saudoso padre Brito que fomentou a ideia”. Acolhendo crianças a partir dos 6 anos e jovens até aos 22 anos, o Agrupamento foi crescendo e consolidando-se tendo atualmente 59 elementos, incluindo dirigentes. Aos membros é cobrada uma quota anual de 30€, fundamentalmente para pagar seguros.
Já as atividades em que participam são variadas, destacando-se os acampamentos e as ações de solidariedade, como a recolha de tampinhas e outras.

A três jovens que voltam para uma segunda ronda na sua venda de calendários, pergunta-se por que razão são escuteiras; “para ajudar a comunidade”, “para ajudar o ambiente e aprender técnicas de sobrevivência” e “porque nos ajudamos uns aos outros” – respondem.
“Já comemos muito arroz queimado, mas é um orgulho vê-los sair daqui a desenrascarem-se, a serem autónomos, vê-los crescer homens e mulheres adultos, responsáveis”, diz Paulo Antão.
A partilha e a responsabilidade são dois valores muito presentes no movimento escutista. Aqui cada um tem o seu lugar, nas diferentes etapas: enquanto Lobitos, Exploradores, Pioneiros, Caminheiros. Nas atividades, todos têm também uma tarefa a desempenhar. Vestidos com a farda dos escuteiros apenas se distinguem pelos símbolos que usam, o que cria entre todos uma sensação de união e de igualdade, explica Paulo Antão “Uniformizados são todos iguais, todos únicos mas todos iguais”, acrescenta.
É habitual esse sentimento de união perdurar, o que faz com que vários Caminheiros, que pelo limite de idade têm de abandonar o Agrupamento, permaneçam ligados na qualidade de voluntários, ou desempenhando outras tarefas na Igreja.
Como, por exemplo, no Coro de Jovens da Paróquia que à sexta-feira se juntam para aprender a tocar guitarra, com Luís Guia, ou que participam na Missa para Jovens, aos sábados às 18h30. Ou na Catequese para Adultos, às terças-feiras à noite.
Para participar nestas atividades, assim como para entrada no corpo de escutas, não é necessário que a criança seja católica e tenha cumprido os rituais desta religião. Esse é um percurso que se fará depois, através do conhecimento e da fé. ( E já agora, as inscrições estão abertas nesta altura.)

Para o ano de 2020, o movimento escutista, que conta com mais de 50 milhões de jovens e adultos voluntários em todo o mundo, aliou-se ao desafio lançado pela Organização das Nações Unidas, para criar uma vida com dignidade e oportunidades, seguindo Objetivos do Desenvolvimento Sustentável que também o Papa Francisco defendeu, propondo que se cuide da casa comum. Este é um desafio que cumpre uma das visões do fundador do movimento escutista, Baden-Powell: “deixar o mundo um pouco melhor do que o encontrámos”.
À sua dimensão e segundo as suas capacidades este é também o objetivo do Agrupamento 1339 N. Srª da Saúde. “E que venham muitos 10 anos de carolice, de histórias e vivências incríveis que deixam muita saudade a quem parte”, conclui o chefe Paulo Antão.






