A subida do nível do mar, a diminuição da precipitação, o aumento da temperatura são alguns dos fatores que colocam em risco todo o território do Algarve. E também a sua atividade económica principal – que turista quererá fazer férias debaixo de ondas de calor?
Desde junho, os municípios do Algarve têm uma estratégia conjunta para combater estes fenómenos.
Estes e outros fatores levaram à elaboração do PIAAC-Plano Intermunicipal de Adaptação às Alterações Climáticas que a AMAL- Comunidade Intermunicipal do Algarve encomendou a uma equipa de especialistas e que foi apresentado publicamente na Universidade do Algarve.
Portugal é um dos países europeus mais vulneráveis aos impactos das alterações climáticas dada a sua posição geográfica e a região do Algarve encontra-se exposta a um conjunto de vulnerabilidades climáticas que serão potencialmente agravadas.
As projeções mais recentes, segundo o PIAAC, mostram que irá haver um agravamento de fenómenos como as ondas de calor, incêndios florestais, inundações e cheias rápidas, galgamentos e erosão costeira. Haverá uma diminuição progressiva de água disponível no solo, um aumento da temperatura máxima, mais noites tropicais, mais poluição no ar e agrava-se o impacto dos agentes acrobiológicos como os pólenes e fungos. O calor trará consigo mais dias favoráveis ao desenvolvimento de doenças, entre as quais as que são transmitidas por mosquitos, como a febre do Nilo, cujo mosquito transmissor já foi identificado em toda a área do Algarve, à exceção de Vila do Bispo. A saúde humana, será também prejudicada pelo facto de uma grande parte da arquitetura existente não estar adaptada às condições climáticas atuais. As temperaturas elevadas trarão não só dificuldades à agricultura, mas também às vias rodoviárias, com deformações no asfalto e nos carris, por exemplo. A nível ambiental será também enorme a pressão que os ecossistemas naturais irão sofrer, sendo o nível de ameaças muito elevado, de uma forma geral. O que levará a alterações na distribuição geográfica das espécies e ao risco de desaparecimento de muitos habitats.
Como exemplo, aponta-se o caso das amendoeiras, alfarrobeiras, azinheiras e pinheiros mansos que terão uma boa adaptação às alterações climáticas, ao contrário do que acontecerá com o sobreiro e o medronheiro.
No caso do turismo, o PIAAC analisa também os fatores de risco para esta atividade económica: o desconforto térmico no exterior, impeditivo de muitas atividades; o aumento da duração da época dos fogos (de maio a outubro); a migração das espécies, um verão pouco confortável, o que poderá alterar não só os meses em que os turistas procuram o Algarve, mas também o seu número.
O PIAAC analisa ainda as consequências da subida constante do nível de mar, relevando a situação de Quarteira, que terá o mar a atingir a segunda linha de habitações, e da Ilha de Faro que corre o risco de desaparecer na totalidade, bem como as consequências da diminuição dos recursos hídricos da região.
Foi para “antecipar” estes cenários e encontrar formas de os combater e de preparar a região para essa luta, que a AMAL encomendou este estudo que também preconiza uma série de medidas a serem tomadas pelos municípios do Algarve, com vista ao aumento da resiliência do território. Recomenda-se a criação de um Conselho Regional de Acompanhamento, para garantir “intervenções coerentes entre municípios” e que estes introduzam nos seus Planos Diretores Municipais estes novos objetivos. No caso dos PDM acrescenta-se que dos 16 municípios algarvios, 15 têm um PDM com mais de 20 anos de vigência, pelo que ultrapassaram há muito os prazos de revisão, e que isto tem de ser corrigido com a introdução de nova legislação pois que o “horizonte temporal do PIAAC- AMAL é crítico”.
Lembra-se ainda que irá iniciar-se a revisão do Plano de Ordenamento do Território do Algarve- PROT Algarve e que está prestes a entrar-se num novo quadro comunitário, o Portugal 2030, que tem entre os seus pilares estratégicos as Alterações Climáticas, pelo que esta é a altura para “definir as prioridades de investimento e o modelo territorial durante a próxima década, sendo determinantes para antecipar e prevenir os impactos climáticos mais gravosos que se antecipam até 2050”.
De referir que o PIAAC-AMAL se encontra publicado no site desta entidade e que pode ser consultado pelos cidadãos.
Algumas medidas propostas
• Aumentar as áreas verdes
• Proceder ao recuo da ocupação em zonas costeiras vulneráveis
• Aumentar a disponibilidade de recursos hídricos
• Tratar e reutilizar águas residuais
• Melhorar a qualidade e gestão dos habitats
• Aumentar a resiliência das atividades económicas e garantir a reputação positiva do turismo
• Apostar na eficiência energética e nas energias renováveis
• Melhorar o conforto térmico nos edifícios
• Apostar nas espécies autóctones e valorizar as locais menos exigentes em água
• Promover uma região com uma população mais saudável e preparada pra os efeitos das Alterações Climáticas
• Ajustar o planeamento de emergências







