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Festival da Comida Esquecida começa em São Marcos da Serra

Terra Ruiva
Última Atualização: 2019/Set/Ter
Terra Ruiva
7 anos atrás
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O Festival da Comida Esquecida, que de outubro a maio irá percorrer nove concelhos algarvios, terá o seu primeiro evento na Azilheira, freguesia de São Marcos da Serra, no dia 19 de outubro. Será um “Piquenique de Charme” à moda dos anos 30, 40, mas com um menu elaborado pelo chefe Abílio Guerreiro. A experiência inicia com um pequeno percurso interpretativo para dar a conhecer a identidade do lugar e conta com a participação de acordeonistas e bailarinos de folclore, que irão dançar o corridinho Algarvio.

O acesso ao piquenique é limitado e os bilhetes já se encontram à venda na plataforma BOL, por um preço de 20€ (gratuito para crianças até aos 7 anos).O Festival da Comida Esquecida é um evento integrado na programação do 365 Algarve, com 11 eventos, em 9 concelhos do Algarve, que percorrem a região desde o litoral até à Serra. Haverá piqueniques de charme inspirados nos anos 30 e 40, experiências gastronómicas com uma narrativa sensorial em locais monumentais, passeios a hortas familiares com recolha de alimentos seguidas de sessões culinárias, e por fim, uma grande festa de encerramento dedicada à comida das famílias algarvias.

“O objectivo desta iniciativa é fazer renascer receitas e ingredientes perdidos na memória, e em alguns casos em iminência de extinção da sua espécie, tanto por estarem associadas à pobreza; ou à ruralidade; ou pelo facto de não serem espécies de interesse agrícola actual.”

É promovido pela Cooperativa QRER, uma organização dedicada ao Desenvolvimento dos Territórios de Baixa Densidade sendo uma conceção coletiva das suas cooperantes Barroca, Produtos Culturais e Turísticos e Alexandra dos Santos Design, contando ainda com a colaboração de Pedro Bartilotti.

A programação completa pode ser consultada aqui: http://www.comidaesquecida.com/

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TAGGED:365 AlgarveCooperativa QrerFestival da Comida EsquecidapiqueniqueSão Marcos da Serra
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1 comentário
  • José Domingos diz:
    24 de Setembro, 2019 às 21:45

    Tornou-se comum e quase proverbial enaltecer a qualidade da dieta gastronómica portuguesa.
    Quando é perguntado a um qualquer emigrante nacional, nos mais variados países onde esteja, aquilo de que mais falta sente, quando fora de Portugal, a resposta vem, quase sempre, pronta, referindo a Família e a nossa comida.
    Não é por acaso que a gastronomia de um povo tem uma relação tão intrínseca com a sua vida do dia-a-dia e com a sua cultura.
    Se repararmos, a própria palavra “dieta” significa, literalmente, “modo de vida”, em Grego, onde teve a sua origem.

    Como sabemos, a trilogia da dieta mediterrânica é baseada no pão (trigo), no azeite (o ouro verde) e no vinho (a videira), a que eu acrescentaria o peixe e a fruta da Região Oeste.
    Tenho presente uma entrevista feita, no Algarve, a um residente inglês – pessoa muito viajada, segundo a sua própria informação -, a quem foi perguntado se tencionava sair do nosso país.
    “Não, porque como aqui o melhor peixe do mundo ! ” (sic) – respondeu.

    Cabe esclarecer que a qualidade de excelência da fruta da nossa Região Oeste (Caldas da Rainha / Alcobaça) se deve à influência de um microclima criado, nesta zona, por um pequeno braço descendente da Corrente do Golfo.

    Porém, o facto de a nossa cozinha ser de base mediterrânica, não explica tudo, visto que, em vários outros países nossos vizinhos, a dieta é a mesma e, no entanto – chauvinismo à parte -, é abissal a diferença, para melhor, das características sápidas da nossa culinária.

    A esta qualidade da gastronomia portuguesa há a juntar a sua variedade.
    Com efeito, enquanto o território de muitos países se estende, “grosso modo”, no sentido Leste / Oeste, isto é, mantendo-se na mesma latitude, o de Portugal, não obstante ser de reduzida dimensão, fá-lo, na direcção Norte / Sul, abarcando várias latitudes, com climas igualmente diferentes, o que lhe confere a riqueza e a possibilidade de culturas agrícolas diversas, tudo isto confluindo, como reflexo, na própria índole e cultura local das populações.
    É mais do que óbvio que todas estas diferenças não poderiam deixar de influenciar também as criatividades culinárias.

    Seria um crime de lesa-gastronomia nacional não referir aqui a doçaria, como uma componente igualmente nobre da culinária, designadamente a doçaria conventual, nascida da necessidade, por parte das freiras, de imaginarem soluções para aproveitarem as gemas dos ovos, sobrantes das claras, utilizadas para engomarem as toucas brancas, com que adornavam as frontes.
    Seria fastidioso enumerar todas as “obras de arte” da confeitaria, criadas por esse país fora.

    Contudo, não poderei deixar de referir algumas que melhor conheço, como o sublime pão de rala ou os papos de anjo ou ainda as encharcadas … todos eles criações conventuais alentejanas, que descobri pela mão da minha mulher.
    Ficaria, porém, de mal com a minha consciência, se não mencionasse igualmente a magnífica torta de alfarroba, que o meu amigo Carvalho do Restaurante “O Retiro dos Caçadores” tem a gentileza de me servir, como sobremesa, ao almoço, sempre que me desloco, em visita, à minha terra.

    Ficaria incompleto e em falta este meu pequeno escrito, se não fizesse jus à variada e excelente doçaria do Algarve, cuja rainha é a amêndoa.

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