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25 de abril – 45 anos (Dia 25) O Terra Ruiva nas comemorações, com o Almirante Martins Guerreiro

Na celebração dos 45 anos da “Revolução dos Cravos”, o “Terra Ruiva” associa-se às comemorações e publica todos os dias, durante o mês de Abril, um texto ou poema alusivos ao 25 de Abril.
Uma iniciativa organizada por Rui Cabrita e que decorre em simultâneo no jornal Postal do Algarve.

“Um povo sem memória não perpetua um país, preenche um espaço sem identidade.”

Carlos Esperança

 

 

MENSAGEM DE ABRIL

Temos refletido e continuamos a refletir sobre o que foi e é o 25 de Abril como fator da identidade portuguesa atual.

Sem dúvida o 25 de Abril faz parte do imaginário português, há um antes e um depois. O 25 de Abril é o início de uma nova fase da nossa História e da nossa vida enquanto comunidade histórica organizada.

Esse dia, que comemoramos o 45º aniversário, foi uma singularidade na nossa História: pela forma como foi realizado, por jovens militares que vieram de uma Instituição pilar do anterior regime e não seguiram quaisquer modelos exteriores ou esquemas antes usados; pelos valores que transportou: liberdade, democracia, paz, equidade, generosidade e desapego ao poder; pelas ruturas e transformações que provocou nas áreas: militar, política, económica, social, cultural, estética e ética.

Tratou-se de uma verdadeira revolução sem derramamento de sangue, onde a iniciativa e a participação populares deram cabal expressão ao Dia inicial inteiro e limpo na feliz expressão de Sofia de Mello Breyner.

O 25 de Abril é uma data luminosa na nossa História, portadora de valores intemporais cuja urgência era imediata, mas cuja necessidade continua hoje a ser de maior premência.

Desde então o Mundo mudou tanto! E Portugal também. Porém os valores e princípios do 25 de Abril continuam a ter plena validade se quisermos construir uma sociedade pacífica mais livre, justa e solidária, se quisermos realizar os ideais de Abril.

O País fechado, autoritário, patriarcal e rural transformou-se graças ao 25 de Abril, à liberdade e ao desenvolvimento económico.

Portugal abriu-se ao mundo. Alterou radicalmente a sua expressão territorial pondo fim ao império colonial. Libertou-se e do mesmo passo abriu a porta para a libertação de povos colonizados, integrando-se no concerto das nações democráticas.

A atual situação mundial e europeia é incerta e ambígua. A globalização, a completa financeirização e desregulação da economia e da sociedade, o consumismo e o crescimento ilimitado estão a pôr em causa a Democracia, as suas Instituições e o próprio Planeta.

Os processos autoritários e antidemocráticos florescem em muitos países formalmente democráticos, o exército de marginalizados, de insatisfeitos e frustrados continua a crescer, são alimento fácil para o populismo, estão em causa a dignidade e os Direitos Humanos, desenvolve-se um discurso de ódio e de exclusão do que é diferente ou não se conhece.

É neste contexto que a afirmação e prática dos Valores de Abril: Paz, Democracia, Ecologia e Inclusão, assumem especial importância.

A defesa da Democracia, da República e do Estado Social é essencial.

Temos de saber exigir o regular funcionamento das instituições criadas com Abril, criar organismos e redes de base que permitam um exercício completo de cidadania sem restrições e com responsabilidade.

Temos de saber desenvolver uma cultura de defesa do bem comum, de cooperação e colaboração, sabendo rejeitar a competição desenfreada, o individualismo egoísta, o consumismo destruidor da natureza.

Temos de saber defender e praticar os valores de Abril na vida quotidiana e na prática de uma cidadania ativa e responsável.

Temos de saber proteger o Planeta, o que tem de ser feito em colaboração e cooperação com os outros.

Espera-se que os Órgãos eleitos pelos cidadãos e cada um de nós estejamos à altura das exigências do tempo atual e dos valores de Abril.

Espera-se que cada um saiba ser cidadão português e cidadão do mundo, que reconheça o planeta como a nossa casa comum, que reconheça no outro um ser humano com igual dignidade e igual direito a realizar os seus sonhos e anseios.

Se assim for estaremos a realizar Abril e a realizar o Portugal Universalista que em diferentes épocas os portugueses sonharam.

 

Abril 2019                                                                                     Martins Guerreiro 

Nota:  Este texto foi escrito especialmente para esta iniciativa do Terra Ruiva e do Postal do Algarve. O Almirante Martins Guerreiro, algarvio, foi um dos oficiais da revolução de Abril.

Manuel Beirão Martins Guerreiro nasceu a 11 de Outubro de 1940, em S. Brás de Alportel.
Reformado do ECN/RES (Engenheiro Construtor Naval na Reserva da Armada). Cursou a Escola Naval, de 1959 a 1962 – licenciatura em ciências militares e náuticas e Engenharia Naval e Mecânica, na Faculdade de Engenharia de Génova (Itália), de 1965 a 1969.
Participou ativamente na organização do movimento político na Marinha desde 1970 e na preparação do 25 de Abril de 1974. Integrou os vários órgãos do MFA – Movimento das Forças Armadas. Chefiou o Gabinete do Chefe do Estado Maior da Armada, 1974/1975. Fez parte do Conselho de Revolução desde a sua criação, 1975, até à sua extinção em 1982. Foi promovido a Guarda-Marinha em 1962 e, sucessivamente, aos vários postos até Contra-Almirante que atingiu em 1997, passando à reserva por limite de idade, em outubro de 1999.
Foi condecorado com as medalhas de serviços distintos e mérito militar, possui, além de outras, a Grã Cruz da Ordem da Liberdade que lhe foi atribuída pelo Presidente da República, pela sua participação no 25 de Abril de 1974. Foi Presidente do Conselho de Administração dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo, S.A., desde 4 de janeiro de 2002 a 5 de abril de 2004.
É sócio de diversas Associações de natureza profissional, cultural e humanitária e movimentos cívicos e desempenhou funções nos órgãos sociais dos CMN – Clube Militar Naval, da Amnistia Internacional, do Círculo Teixeira Gomes e da Associação 25 de Abril de que é atualmente presidente do Conselho Fiscal. Pertence ao Grupo 1/Lisboa da Amnistia Internacional Portugal.

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