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45º Aniversário da elevação de S. Bartolomeu de Messines a categoria de Vila

Em Silves, no edifício da Câmara, encontra-se patente, até ao final do mês de março, a Exposição do Arquivo Municipal com o tema “ 45º aniversário da elevação de S. Bartolomeu de Messines a categoria de vila ”.
A exposição é acompanhada de imagens e documentos.
O Terra Ruiva colabora com esta iniciativa do Arquivo Municipal publicando uma versão resumida do texto da exposição. A versão integral está disponível aqui: Exposição_DM_Março_2018

 

 

45º Aniversário da elevação de S. Bartolomeu de Messines a categoria de vila

A 7 de março assinala-se o 45º aniversário da elevação da aldeia de S. Bartolomeu de Messines a categoria de Vila, decorrente da publicação do Decreto n.º88/73, pelo Diário do Governo n.º56/1973, Série I de 7 de março de 1973.

A freguesia de S. Bartolomeu de Messines abrange uma vasta área com cerca de 250 km2 repartidos pela serra, a norte, e pelo barrocal, a sul. Trata-se de uma das mais importantes freguesias do concelho de Silves, com cerca de 8 500 habitantes.
Os vestígios arqueológicos encontrados em vários sítios mostram e outros uma ocupação desde os primórdios da Humanidade, pela presença de vestígios do Paleolítico e Neolítico e da Idade do Bronze. Registam-se vários testemunhos da ocupação romana, tal como de origem islâmica, de entre estes últimos, as referências à existência de um castelo. Segundo estudos efetuados por José Manuel Vargas a referência mais antiga à criação da freguesia apontam para que a mesma tivesse sido criada entre 1530 e 1540. Infelizmente há uma escassez de documentos referentes aos períodos compreendidos entre a ocupação islâmica e a primeira alusão enquanto freguesia.
É no século XIX que a aldeia de S. Bartolomeu de Messines salta para a ribalta aquando as Lutas Liberais, pelo destaque do célebre “Remexido”, José Joaquim de Sousa Reis, caudilho Miguelista que operou durante algum tempo no Algarve.
É neste século que a freguesia ascendeu ao progresso e desenvolvimento devido à construção de novas vias de comunicação e a inauguração da estação de caminho-de-ferro o que originou o aparecimento de várias indústrias, ligadas ao comércio da cortiça, da aguardente de medronho e de frutos secos.

Pela criação do concelho de Messines

Foi com a implantação da República que forças começaram a se movimentar para a criação de um novo concelho com sede em Messines, que seria composto por esta freguesia, São Marcos da Serra e Alte. Este projeto foi retomado em 1914 pelo deputado João de Deus Ramos, filho do poeta João de Deus, e apresentado na Câmara dos Deputados, na sessão de 29 de maio. A proposta ficou à espera de melhor oportunidade e condições, todavia os messinenses nunca desistiram deste seu desejo de autonomia.
A 11 de julho de 1927, na reunião da Comissão Administrativa da Câmara de Silves, presidida por Aníbal Sant’Ana foi deliberado “de conformidade com o disposto no Decreto n.º13912, de 30 de Junho ultimo, representar contra a pretendida elevação a concelho da freguesia de S. Bartolomeu de Messines” .
Posteriormente, na reunião camarária de 23 de fevereiro de 1931, o mesmo Aníbal Sant’Ana expôs o resultado de uma reunião efetuada no dia anterior no Governo Civil deste Distrito onde resolveu “manifestar ao Excelentissimo Governador Civil o seu descontentamento pela forma que na mesma reunião foi tratado o assunto referente á criação do Concelho de S. Bartolomeu de Messines, onde não só as conveniencias de ordem económica e administrativa, como tambem os interesses da Republica, não fôram devidamente defendidos”.
Trinta anos depois da primeira investida, individualidades da freguesia voltaram a solicitar ao ministro do Interior a criação de um novo concelho com sede naquela aldeia. Contudo mais uma vez a edilidade silvense, na reunião camarária de 29 de dezembro de 1945, sob a presidência de Salvador Gomes Vilarinho, manifesta-se “contra tal pretensão purquanto Concelho de Silves ficará gravemente prejudicado com a desanexação daquela freguesia. Acresça ainda que apesar a freguesia de São Bartolomeu de Messines ter cerca de treze mil habitantes não possui mais de trezentos fogos” e argumenta ainda que “De tal creação resultaria concelho de Silves já de fracos recursos com sua situação financeira mais angustiosa e o desejado Concelho de São Bartolomeu de Messines ainda em peores circunstancias”.

O crescimento da aldeia
Todavia, durante este período a aldeia beneficiou com a criação de um espaço destinado a praça de peixe e talho; construção de lavadouro público; inauguração dos telefones de S. Bartolomeu de Messines, a 22 de junho de 1931; instalação de uma repartição do Registo Civil; criação e instalação de um posto da Guarda Nacional Republicana; e, ainda, investimentos no ensino como a instalação da escola primária, a criação de postos de ensino pelas diversas povoações da freguesia, a criação do curso de ensino noturno para o sexo feminino e a inauguração da cantina escolar, a 8 de março de 1935.
Nas décadas seguintes a aldeia continuou a crescer contando já com iluminação pública e Mercado Municipal, inaugurados em julho de 1948; implementação de um novo edifício escolar e cantina pelo Plano dos Centenários; construção e inauguração de um monumento ao poeta João de Deus, inaugurado a 8 de março de 1964; adaptação a Quartel da GNR do edifício onde anteriormente estavam instaladas as escolas primárias, inaugurado a 3 de maio de 1967; abastecimento de água em 1968; e a ampliação do edifício do cineteatro João de Deus, em 1970 e cuja inauguração ocorreu a 8 de março de 1972. Tudo isto fez com que a aldeia evoluísse e para tal também contribuiu o facto de ali se estabeleceram as sedes de importantes firmas do concelho, ganhando assim a povoação larga projeção comercial e industrial.
Todos estes fatores foram determinantes para a pretensão da Junta de Freguesia de S. Bartolomeu de Messines, sob a presidência de Francisco Vargas Mogo, que, interpretando o sentir dos seus habitantes, em 1973, solicitou a elevação à categoria de Vila da povoação.
A 24 de janeiro de 1973 foi elaborada uma exposição com as razões pela qual solicitava a elevação, dirigida ao Ministro do Interior e apresentada à Câmara Municipal de Silves. Por conseguinte, na reunião camarária do dia 26 de janeiro de 1973, sob a presidência de Salvador Gomes Vilarinho, foi deliberado deferir tal pedido uma vez que “considerou a Câmara ser da maior justiça a satisfação de tal pretensão pelo que deliberou dar o seu apoio”.

Praça e Rua João de Deus, década de 30

O pedido de elevação a vila
A exposição apresentada Junta de Freguesia tinha o seguinte teor:

“A Junta de Freguesia de S. B. de Messines do Concelho de Silves, e Distrito de Faro, intérprete dos justos desejos e anseios dos seus naturais e residentes nesta freguesia, e conscientes do alto nivel do seu desenvolvimento populacional e urbanístico, do seu apreciável e sempre crescente aumento Industrial e Comercial e de ser dotada por óptimas vias de comunicação, de se encontrar servida com instalações de água domiciliária, energia eléctrica, assim como rede de saneamento, do seu expressivo progresso social, fundamentado na existência de instituições de marcado interesse colectivo, traduzido no sector de recreio e cultura, ainda de assistência social, consciente da permente actividade da sua população, que dinamizou a realização de todo o seu progresso, que tornou possível tantas obras que de dia a dia se incrementam, vem nos termos do designado no Artº 12, Nº 2 do Código Administrativo, requerer que o Governo da República Portuguesa, através de V. Exª promova a ascensão desta freguesia à categoria de Vila (…)

Situa-se a 17 km. da séde do Concelho Silves, a 46 km. da capital do Distrito – Faro, com uma área de cerca de 242 km2., com uma população de cerca de 12.000 habitantes, correspondendo a 4.000 fogos e 60 lugares. (…) A linda povoação de S. Bartolomeu de Messines é hoje indiscutivelmente o maior centro urbano, comercial e industrial entre todas as Freguesias do Distrito, e até do País no que se refere à interpretação tradicional das chamadas aldeias Portuguesas.

(…) Ainda em matéria de comunicação a povoação de S. Bartolomeu de Messines é servida pelo Caminho de Ferro pela Linha Sul e Sueste, onde todos os comboios de passageiros têm paragem obrigatória (…).
Telecomunicações: os C.T.T. estão instalados em edifício próprio recentemente construído (…). Realizam-se em S. Bartolomeu de Messines 5 feiras anuais, 1 mercado mensal na 4ª segunda-feira de cada mês, sempre com extraordinária afluência e 1 mercado semanal às quintas feiras.
Possuímos: 1 Posto da G.N.R. em edifício recentemente construído com 1 comandante e 7 (sete) praças, Posto de Registo Civil, Regedor e Julgado de Paz. (…) No capítulo do Ensino existem: 1 Jardim-Escola (único no Algarve), 17 Escolas Primárias, 1 Telescola, 1 Colégio-Externato (…) Capítulo de Saúde, Educação e Cultura: dois médicos, duas farmácias, um dentista, um posto médico (…). Uma colectividade de Instrução e Recreio com sede própria condignamente instalada com quatrocentos e cinquenta sócios; Um cinema moderno inaugurado em 8/3/1972 com a lotação de quinhentos lugares e um Centro Social Nº743 com 166 sócios.
Assistência Religiosa tem um Padre (…) existe além da Igreja Matriz templo magestoso e considerado Monumento Nacional mais cinco Igrejas em toda a Freguesia.
Actividade Agrícola: sendo esta freguesia essencialmente agrícola o Grémio da Lavoura de Silves tem mil e noventa e cinco sócios (…)
Principais indústrias: Azeite, Carvão, Cortiças, Aguardente de medronho, Farinhas em rama, Rebolos e pedras de amolar, Trituração de alfarroba e Manufactura de Figo e Amêndoa (…) Industria Diversa (..) Sector Comercial (…) Negociantes Diversos(..)

É verdadeiramente espectacular e impressionante o movimento centralizado nesta localidade no sector de Exportação de Frutos Secos indiscutivelmente o maior do País cujo número fidedignos reveladores da sua grandeza são expressos no montante de Esc. 190.000.000$00. (Cento e noventa milhões de escudos).

Nas Empresas Exportadoras ocupam-se mais de 600 empregados e operários que com o seu labor constante dinamisaram a tal ponto o seu desenvolvimento Sócio-Económico que transformou S. Bartolomeu de Messines no maior Centro Comercial da Provincia. Aqui também existem dois armazém de mercearia um dos quais pode considerar-se o mais importante do Sul do País.
Excelência: A fundamentação extensa do nosso pedido os números e estruturas evidenciados revelam iniludivelmente a dimensão grandiosa de S. Bartolomeu de Messines nos vários aspectos Sociais, Educacionais, Culturais e económicos e a essa dimensão e esse nível de desenvolvimento, que nos dão todo o ânimo, toda a força moral, para solicitar do Governo da Nação que seja elevada à categoria de Vila a nossa querida povoação, berço do grande Poeta e Pedagogo Imortal figura das letras portuguesas que foi João de Deus cuja memória foi honrada com a criação do magnífico Jardim-Escola inaugurado em 8 de Março último ano quando do seu aniversário e único do Sul do País.
Os habitantes de S. Bartolomeu de Messines e a sua Junta de Freguesia confiam no alto espírito de justiça de V. Exª., e ficam aguardando o deferimento da sua pretenção que se ajusta seguramente às realidades locais. O deferimento premiará o esforço contínuo dos seus filhos e estimulá-los-á a continuar trabalhando cada vez com mais fé e ardor no caminho do progresso da paz e da justiça social” .

S. Bartolomeu de Messines viu satisfeita a sua aspiração a Vila, através da publicação do Decreto n.º88/73, de 7 de março, promulgado pelo presidente da República Américo Tomás.

A agora Vila, nos anos seguintes, continuou marcada pelo constante crescimento e evolução, beneficiando com a edificação da Escola Preparatória e do novo Cemitério. Em 1977 foi criada a Associação dos Bombeiros Voluntários de S. Bartolomeu de Messines que beneficiou com a construção do seu quartel.
Por sua vez a década de 1980 ficou assinalada pela construção do novo edifício da Junta de Freguesia, Estrada Nacional 264, variante à EN 124 e IP1, da aquisição de casa onde nasceu o poeta João de Deus, construção do campo de jogos da União Desportiva Messinense, criada em 1975, pavimentação de diversos arruamentos da vila, construção de reservatórios de água e pela construção do Bairro da Cooperativa Che Silvense – Núcleo de S. Bartolomeu de Messines.

A década seguinte destacou-se pela edificação de infraestruturas como abastecimento de água e saneamento em diversas povoação da freguesia, como Messines de Baixo, Messines de Cima, Portela de Messines, Nora, Torre, Cortes, Cumeada, Gregórios e Fonte da Venda, pela construção do Sistema Intercetor e ETAR de S. Bartolomeu de Messines, Jardim Municipal e inauguração da Casa Museu João de Deus.

Tudo isto são fatores relevantes para o desenvolvimento e crescimento de Messines até aos dias de hoje e decorridos quarenta e cinco anos da elevação a Vila os messinenses devem orgulhar-se da obstinação e trabalho desenvolvido pelos seus antepassados, passando de geração em geração o orgulho de ser messinense.

Uma das entradas da Vila

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