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História & PatrimónioSociedade

S.B. Messines foi elevada à categoria de Vila há 45 anos, Um breve olhar sobre as tentativas de emancipação da aldeia

Aurélio Cabrita
Última Atualização: 2018/Mar/Sáb
Aurélio Cabrita
8 anos atrás
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A 7 de março de 1973 os messinenses rejubilaram com a publicação do decreto que elevava a aldeia a vila. Ainda assim um regozijo embaçado, pela não promoção simultânea a sede de concelho.
A freguesia, depois da elevação de Monchique e Lagoa a municípios, em 1773, até então pertencentes ao termo de Silves, tornou-se na segunda mais importante do concelho, e em várias épocas mesmo a mais relevante.

O bairrismo messinense está no sangue das sucessivas gerações e não raras vezes, ou melhor, sempre que se consideram lesados nos seus interesses, opuseram-se à edilidade silvense, por exemplo em 1825, aquando a instituição da Feira de Nossa Senhora da Saúde. Realizada a petição a D. João VI para a sua criação, a qual o monarca anuiu, exigiu a Câmara receber metade do terrado da feira. Tal foi considerado um insulto e logo os messinenses solicitaram ao rei que a receita revertesse na íntegra para a Confraria de Nossa Senhora da Saúde, até porque os terrenos onde o certame se realizava eram privados. A concessão chegou no ano seguinte e a desejada verba só terá entrado nos cofres da autarquia uma vez.

Mas foi a implantação da República que trouxe a primeira tentativa de autonomia. Logo em 1910 a imprensa noticiou várias movimentações ocorridas em S. B. de Messines, com vista à formação de um novo concelho, juntamente com São Marcos da Serra e Alte.

Quatro anos depois o deputado João de Deus Ramos, filho do poeta, apresentava um projeto lei na Câmara dos Deputados com vista à elevação da freguesia a sede de concelho. A proposta desceu à Comissão de Administração Pública não voltando a plenário por motivos que desconhecemos. Mas se os messinenses viram gorada a sua pretensão não desmoralizaram.
A aldeia continuou a crescer, tornando-se num importante centro de comércio e indústria, de tal forma que na década de 1920 passa a intitular-se vila, categoria que todas as publicações da época lhe atribuem. Depois do golpe militar de 1926 acreditava-se indubitavelmente que o novo Código Administrativo conferiria com justiça a ascensão a vila e a sede de concelho. Mas o novel Estado Novo não traz a desejada autonomia, já anos antes a Ditadura Militar usurpara a S. B. de Messines o busto do poeta João de Deus, colocando-o em Faro.
Em meados da década de 1940 a Câmara de Silves torna prioritária a electrificação da aldeia, bem como a construção do novo mercado municipal, após rumores de que os messinenses haviam solicitado ao governo a emancipação concelhia. Terminantemente contra tal pretensão a edilidade, com aquelas obras, esbate o argumento da falta de investimento na freguesia, conseguindo impedir a sua independência.

Todavia, se S. B. de Messines não seria autónoma administrativamente, seria-o economicamente nas décadas seguintes. Messinenses empreendedores levaram o nome da freguesia aos quatro cantos do país e pelo mundo fora, ao estabelecerem na aldeia importantes unidades industriais, principalmente com Teófilo Fontainhas Neto, que em determinados períodos constituiu a maior empresa exportadora de frutos secos do Algarve, ou ainda com Ramiro da Graça Cabrita.

Em resultado a aldeia engrandece, e os messinenses não deixam os seus créditos por mãos alheias.
Lutam por uma estátua a João de Deus, pela construção do Jardim Escola ou do polidesportivo, nasce ainda um moderno edifício para o cinema e outro para a Sociedade de Instrução e Recreio. Da Câmara os investimentos são parcos, por vezes chegam tarde, como o abastecimento de água, apenas em 1968, mas o que não tem remédio, remediado está, diz o povo. É toda uma dinâmica incontestável, ou melhor, “considerando o notável incremento industrial e comercial da referida povoação, e que nela existem diversas instituições de interesse público e colectivo, de natureza social, educacional, cultural e económica”, que justificam a ascensão a vila, assim o diz o decreto n.º 88/73.

Já depois da revolução de Abril, voltam amiúde a tentar a autonomia sem sucesso. Se nos nossos dias a mesma não fará sentido (deveríamos equacionar a agregação dos concelhos pela racionalidade da despesa pública), a relação da Câmara com a freguesia pouco se alterou. Os investimentos chegam tarde e não raras vezes inadequados aos novos tempos. A dispersão dos “terminais” de transportes públicos pela vila, quando por todo o lado se concentram no mesmo local (intermodalidade), são disso exemplo. Em S. B. de Messines a autarquia construiu um jardim, em 2009, nas imediações da estação ferroviária e o novel terminal rodoviário, que ali deveria ter ficado, e a inaugurar por estes dias, foi deslocado para junto do campo da feira, já a praça de táxis fica entre ambos. Um outro exemplo, a iluminação da nova avenida nas Barradas. A densidade de focos de luz é inconcebível e injustificável, quando na ordem do dia está a eficiência energética. Nas imediações da ermida de N.ª Sr.ª da Saúde três candeeiros iluminam todas as noites, há mais de 30 anos, um troço desaparecido da estrada do Algoz. Situações destas não faltam e com elas consumos energéticos e despesas inúteis. Verbas que poderiam ser aplicadas na promoção da freguesia, ou no asfaltamento, sempre adiado, dos acessos a Vale Favas ou a Vale Mós, por exemplo.

Quanto aos messinenses, como é seu apanágio, não descuraram o seu empreendedorismo. Hoje, graças a António Eugénio dispomos de uma área de localização empresarial, que a Câmara nunca “conseguiu” construir, ou a Vítor Neto, que com a empresa Teófilo Fontainhas Neto continua a notabilizar S. B. de Messines. Destaque também para a MAJA – Manuel António & Jorge Almeida, Construções S.A., entre muitas outras empresas de citricultura, de serviços, alimentares, uma instituição Bancária de e para a terra, a Caixa Agrícola, além de instituições de Solidariedade Social, coletividades e até mesmo um jornal, o “Terra Ruiva”.

Empresas e instituições que continuam a fazer de S. B. de Messines uma terra com alguma dinâmica e prosperidade, olhando desde há muito, com justificado desdém, para a ausência de ambição e planeamento estratégico da Câmara Municipal de Silves.
Somos vila pelo empenho e dedicação dos nossos pais e avós há 45 anos, que venham mais 45…

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PorAurélio Cabrita
Natural de S. Bartolomeu de Messines, nasceu em 1978. Licenciado em Engenharia do Ambiente, é mestrando em História do Algarve e técnico superior no Município de Odemira. Tem publicados diversos artigos e livros sobre a história local e regional. É também colaborador no jornal on-line Sul Informação.
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