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História & PatrimónioSociedade

O Arco da Rebola

Vera Gonçalves
Última Atualização: 2018/Jan/Seg
Vera Gonçalves
8 anos atrás
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Exposição “O Arco da Rebola”

Em Silves, no edifício da Câmara, encontra-se patente, até ao final do mês de janeiro, a Exposição do Arquivo Municipal com o tema “ O Arco da Rebola ”.
A exposição é acompanhada de imagens e documentos.
O Terra Ruiva colabora com esta iniciativa do Arquivo Municipal publicando uma versão resumida do texto da exposição. A versão integral está disponível aqui: Expo_DM_janeiro_2018

 

O Arco da Rebola

A cidade de Silves guarda alguns locais interessantes, entre os quais podemos destacar o Arco da Rebola, sito na Rua Cruz da Palmeira, assim designada a partir de 1922, sendo até então conhecida como Rua Horta do Rebola.
Este arco está datado de 1853, remontando somente à segunda metade do século XIX. A sua construção foi requerida à Câmara Municipal de Silves, sob a presidência de Manuel Raimundo Telles Corte Real, por Santos Garcia e Domingues e consta na ata da sessão camarária de 30 de março de 1853 “Foi presente hum requerimento de Santos Garcia e Domingues pedindo licença para construirem hum Arco, ou passadiço, que comunique das cazas que os suplicantes andao construindo ao Sul da Orta da Rebola, para o Novo Quintalão, ao qual pertendem dar vinte palmos de luz pouco mais, ou menos, e a Camara para resolver este negocio com conhecimento de causa passou a visturisar as casas que se estão construindo, e a estrada sobre que deve construir se o arco ou passadiço, com consequencia do que observou deliberou que concedem aos suplicantes licença para, no local que designao, poderem construir o arco que pretendem, dando ao mesmo arco vinte palmos de luz.”
Reza a história que se chama de Rebola porque as casas juntas ao mesmo eram propriedade de uma mulher com esse nome. Contudo há ainda a versão defendida pelo estudioso Dr. Garcia Domingues, de que essa mulher se chamava assim por morar no local de uma antiga Porta do Arrabalde (Al-Rovale), daí porta da Rebola, que correspondia a uma parte da terceira linha de muralhas.
Silves possuía no período islâmico além do Castelo, as Muralhas da Almedina e as do Arrabalde, que constituíam o sistema defensivo da cidade. Atualmente só restam as duas primeiras e presumíveis vestígios da última. As Muralhas da Almedina estão quase intactas, só cortadas por algumas ruas e no troço demolido para a construção do edifício dos Paços do Concelho.
Das Muralhas do Arrabalde, que envolveriam a parte mais baixa da cidade, quase nada resta, tendo o grosso sido arrasado pelo passar dos tempos e pelos Homens.
O silvense Dr. Garcia Domingues defendia, nos seus estudos, que as origens do Arco da Rebola remontam ao tempo em que Silves era a Capital do Algarve, coincidindo com uma antiga Porta do Arrabalde (Al-Rovale).
Segundo esta perspetiva, o Arco da Rebola correspondia ao que resta ainda hoje daquilo que foram as muralhas do arrabalde, feita numa estrutura de material mais pobre do que o utilizado nas muralhas da Almedina e no Castelo, e que perdurou durante séculos sucessivos até sofrer as alterações autorizadas pela Câmara em 1853.
Como testemunha o “Livro do Almoxarifado de Silves”, a extensão da muralha junto ao Rio existia ainda no século XV, e a população moura habitava na Mouraria que ficava situada no arrabalde. O livro faz referência ao Arco da Rebola (ou do Rovale) como sendo a «Porta do Cerco da Mouraria». O espaço ocupado pelos Mouros começava junto à parte exterior do Arco das «Portas da Al-Medina», junto ao atual edifício dos Paços do Concelho, e estendia-se para Sul numa área que ia do Moinho da Porta, passando pela ponte e contornando o Rio, passando pelo Arco do Rovale.
No entanto, estudos realizados recentemente refutam esta teoria de Garcia Domingues. Desta forma, a origem deste arco remonta ao século XIX, quando em 1853 foi mandado erigir.

Silves é uma cidade carregada de história onde, por entre as suas ruelas e vielas, ainda se sente um charme especial e quando, em 1853, o Arco da Rebola foi edificado e datado marcou a História, constituindo um marco que ainda hoje perdura pelo local e pelo que representa, característico pelas suas pedras de grés vermelho em destaque na parede de cal branca.

 

Bibliografia: DOMINGUES, J. D. Garcia, Guia Turístico da Cidade e do Concelho, Câmara Municipal de Silves, 2.ª edição, 2002; http://fortalezas.org/index.php

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PorVera Gonçalves
Natural da Sé de Faro, oriunda de S. Brás de Alportel, nascida em 1980. Licenciada em Línguas e Literaturas Modernas variante de Estudos Portugueses e Pós-graduação em Ciências Documentais – Ramo Arquivo pela Universidade do Algarve. Funcionária da Câmara Municipal de Silves, desde 2005, como técnica superior de arquivo.
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