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Exposição “Feira de Todos os Santos em Recortes de Jornal”

Em Silves, no edifício da Câmara, encontra-se patente, até ao final do mês de novembro, a Exposição do Arquivo Municipal com o tema “ Feira de Todos os Santos em Recortes de Jornal ”.
A exposição é acompanhada de imagens e documentos.
O Terra Ruiva colabora com esta iniciativa do Arquivo Municipal publicando uma versão resumida do texto da exposição. A versão integral, com fotos e documentos, está disponível aqui: Expo_DM_novembro_2017

Feira de Todos os Santos em Recortes de Jornal

A Feira de Todos os Santos que encanta miúdos e graúdos ao longo de vários séculos é uma das mais antigas e tradicionais feiras do Algarve, comemorando este ano 525 anos de existência.
As feiras nasceram da necessidade de promover a troca de produtos entre o homem do campo e o da cidade e são um dos espaços mais importantes da organização económica da Idade Média.
Em Silves, não consta que as feiras medievais tivessem a sua fundação nas chamadas “cartas de feira” que os monarcas outorgaram a muitas cidades e vilas, mas decorrentes da carta de foral outorgada à cidade por D. Afonso III, em 1266, à semelhança de Lisboa.

Todavia, e quanto à Feira de Todos os Santos, a mesma foi criada em finais do Século XV, em novembro de 1491, quando o rei D. João II concedeu a Silves a sua “Carta de Feira”, passando a realizar-se desde 1492.

A Feira de Silves foi criada à semelhança da feira de Tavira, beneficiando de todas as isenções, ou seja, todos os que viessem ao certame para vender ou para comprar estariam seguros da ida e no regresso. Segurança que gozavam três dias antes de começar a feira até três dias após o término daquela, não sendo penhorados no reino por alguma dívida e aquele que causasse dano aos homens que viessem à feira pagaria à Coroa 6.000 soldos e daria o dobro daquilo que tivesse tirado ao seu dono.
Nos primeiros tempos de existência, a feira franca de Silves era a maior feira do Algarve e uma das maiores do país. Com a duração de 49 dias, iniciava-se a 1 de setembro e prolongava-se até 19 de outubro, véspera do dia de Santa Iria, mas no decorrer dos anos foi-se reduzindo e em meados do Século XVIII já estava concentrada em três dias, de 31 de outubro a 2 de novembro.
Devido ao papel que a Igreja desempenhou na figura medieval da “paz da feira”, que estipulava um período de paz enquanto a feira durasse e cujas transgressões eram severamente punidas, aliada à festa litúrgica, quase todas as feiras se realizam em épocas relacionadas com festas da Igreja Católica e Silves não é exceção, já que a sua feira coincide com a festa litúrgica do dia de Todos-os-Santos, e daí também o seu nome.

A feira no Largo da Ermida dos Mártires

No que respeita à sua localização desconhece-se onde tiveram lugar as primeiras feiras francas. Em 1841, João Baptista da Silva Lopes refere que a feira se realizava num imenso campo situado nos arredores da Ermida de Nossa Senhora dos Mártires. Quarenta anos depois, em 1881, o Presidente da Câmara Municipal de Silves, Diogo João Mascarenhas Netto, propôs a sua mudança para o lugar conhecido como Torrejão, nos subúrbios a nascente da cidade, pela falta de espaço, da construção de habitações, e o novo terreno apresentar melhores condições e uma área mais extensa.
Mas cinco anos depois, em 1886, a feira regressa às imediações dos Mártires, passando a realizar-se no largo junto à Ermida, devido à existência de um poço com água boa e abundante.
Nas primeiras décadas do século XIX, a feira ainda se realizava nesse espaço estendendo-se, em 1920, até junto ao Largo da República, utilizando um terreno da propriedade da Sra. D. Ilda Mascarenhas Leote.
Mais tarde, em 1936, foi transferida para a propriedade rústica municipal denominada “Cerca da Feira”, que abrangia um vasto espaço compreendido entre o jardim municipal e a rotunda da Fissul, com entrada junto ao jardim, através de um arco que ainda hoje existe.
Passados trinta e seis anos, no ano de 1972, a feira realizou-se ao longo da variante à E. N. 124, no troço a partir das traseiras do campo de futebol e no sentido da Oliveira do Guerrilha, ocupando ainda uma parte da Cerca da Feira, o que veio a suceder até 1975, ano da construção das instalações definitivas da Escola Preparatória de Silves.
Posteriormente, e após a demolição das ruínas das antigas fábricas de cortiça situadas à entrada da cidade, em frente da ponte, onde hoje está a Praça Al- Mouhatamid, em 1977, a feira centralizou-se neste espaço, estendendo-se entre o Largo Conselheiro Magalhães Barros e ruas da baixa, nomeadamente pela avenida marginal.

A feira junto ao rio

Decorridos três anos, em 1980, o certame deslocou-se para os terrenos adquiridos pela Câmara Municipal, denominados Tapada, compreendidos entre o rio, a ocidente, e a Fissul e estendendo-se igualmente pela avenida, o que só deixa de acontecer em 1995, passando a estar enquadrada entre a Fissul e as piscinas municipais.
Desde 2005 que a localização da tradicional Feira de Todos os Santos é no parque de estacionamento localizado a norte do Castelo e arruamentos adjacentes, perto do Cemitério.

Atual localização da feira

À Feira de Silves acorrem pessoas oriundas de todos os pontos do concelho e dos concelhos limítrofes, que não dispensam uma visita ao certame secular. Ali tudo se compra e tudo se vende, desde a infindável gama de vestuário e calçado, passando pelos brinquedos, artesanato, marroquinaria e quinquilharia, peças e utensílios domésticos para todos os fins, plásticos, madeiras, latões, cestaria, maquinaria diversa, sem esquecer dos tradicionais “comes e bebes”, da bifana e da imperial, das farturas, churros, pipocas, algodão doce, torrão de Alicante, tremoços, polvo assado e a castanha assada, entre outras iguarias, para todas as bolsas.
Para assinalar o evento e a sua importância para a cidade e as suas gentes, apresenta-se uma série de notícias publicadas em diversos jornais, ao longo do século XIX e XX. Ilustramos assim a importância do certame sob o ponto de vista social e cultural, que atrai a Silves inúmeros visitantes, enchendo a cidade com outra cor, luz e som, servindo de ponto de encontro e convívio entre as gentes de diferentes gerações.

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