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Centenário das aparições: A segunda visita da Virgem e a Capela da Cumeada

No âmbito das comemorações do centenário da definição dogmática da Imaculada Conceição, que ocorrera em 08/12/1854, Nossa Senhora de Fátima regressou ao Algarve para percorrer todas as paróquias, vindo a permanecer em S. B. de Messines durante 7 dias, entre 12 e 19/09/1954.
Os messinenses foram receber a Virgem, nas Caldas de Monchique, de onde em cortejo automóvel foi conduzida até à Calçada. Aqui foi organizada uma procissão para a igreja matriz, na qual participaram milhares de pessoas e velas, “caminhando lentamente, estrada fora, todos cantando e rezando numa romagem de fé, que dificilmente será esquecida”, noticiava, sobre o acontecimento, o periódico “Folha do Domingo”. No largo da Igreja, completamente repleto, foi celebrada uma missa campal, na qual, entre outros, participou o padre Guerreiro.
Nos dias seguintes ocorreram diferentes celebrações e encontros na matriz, enquanto a imagem percorreu alguns lugares da freguesia, como Messines de Baixo e Portela, Benaciate, Amorosa e Cumeada. Os habitantes destes locais recebiam Nossa Senhora de manhã, transportavam-na em cortejo até àqueles sítios e devolviam-na ao fim do dia à matriz.
Na noite do dia 18, Nossa Senhora percorreu também as ruas da aldeia, por entre alas muito extensas e casas iluminadas. Na verdade os messinenses não descuraram a receção, juncando as ruas, ornando-as de verduras e arcos e iluminando as fachadas dos prédios em todas as ruas onde a Virgem passou, a sua participação nas iniciativas relacionadas com aquela solenidade foi também massiva.
No dia seguinte a aldeia recebia o bispo coadjutor D. Francisco Rendeiro que, pela primeira vez, visitava a paróquia. Recebido na Portela de Messines o prelado recebeu uma grande ovação na capela de S. Sebastião, onde foi saudado em nome da freguesia por João Figueiredo de Mascarenhas, saindo dali em procissão para a matriz. Após as cerimónias próprias da visita pastoral, a Virgem foi transportada, por entre milhares de fiéis, até à estação de caminho de ferro, seguindo de comboio para S. Marcos da Serra.

Se estas visitas acabavam por ser efémeras, na década de 1960 a freguesia iria consagrar um templo a Nossa Senhora de Fátima, a igreja da Cumeada.

Embora se projetassem construir outras igrejas, como em Benaciate ou Amorosa, só aquela se concretizaria, graças ao empenho de D. Maria Felicidade Nunes de Mendonça. Pretendia a benemérita, através da edificação do templo, cumprir uma promessa na sequência de uma intervenção miraculosa da Virgem. Contudo a sua materialização deparou-se com algumas adversidades, como a oposição de alguns familiares da miraculada, que protelariam a concretização da obra.

Solucionados os obstáculos, D. Maria Felicidade doou em 26/04/1966 à Fábrica da Igreja de S. B. de Messines, representada pelo pároco João José Guerreiro, uma faixa de terreno para edificação de uma capela para serviço público, dedicada a Nossa Senhora de Fátima, na Cumeada. A construção iniciou-se um ano depois, em 27/04/1967, a partir de um projeto do arquiteto Manuel Gomes da Costa, notável impulsionador da arquitetura moderna no Algarve.

Capela da Cumeada

Durante a construção a obra seria embargada, resolvido esse contratempo, ficou concluída em 1969. A inauguração e sagração ocorreu a 1 de junho, sendo benzida pelo então bispo do Algarve, D. Júlio Tavares Rebimbas. A benfeitora cedeu não só o terreno, como custeou integralmente a edificação do templo, sendo que para as alfaias contribuíram os habitantes da Cumeada e da Nora.
Mais recentemente a imagem peregrina de Nossa Senhora de Fátima voltou a percorrer a freguesia de S. B. de Messines entre 12 e 27 de abril de 2008 e a visitar a vila na noite de 19 e manhã de 20 de dezembro de 2015.
Cem anos depois, tal como em todo o país, o culto à Virgem enraizou-se nas várias gerações de messinenses, patentes na aquisição de imagens, pela construção de uma capela da sua invocação, ou pela forma festiva como a Virgem Peregrina foi recebida durante as quatro visitas à freguesia. Tudo isto sem esquecer as procissões anuais em sua honra, ou as diversas deslocações da comunidade, seja em romaria, ou de caráter particular, ao Santuário de Fátima.

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