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Noudar e Niassa, de Silves, reforçam grupo de linces em liberdade

O trabalho desenvolvido no Centro Nacional de Reprodução em Cativeiro de Lince-Ibérico (CNRLI), em Silves, continua a contribuir fortemente para a recuperação desta espécie ameaçada de extinção.
No dia 17 de fevereiro, teve inicio a época de 2017 de libertações de linces, com o casal Noudar e Niassa, nascidos em Silves, que foram soltos em meio natural no Vale do Guadiana. O mais “especial” neste linces é que, ao contrário dos seus progenitores, não tiveram contacto direto com humanos e possuem portanto um comportamento selvagem.

Libertação de lince no Vale do Guadiana ( Foto ICNF)

Segundo um comunicado do ICNF, “ a equipa de técnicos e tratadores em Silves, acompanhou o seu nascimento e evolução indiretamente, através de um sistema de câmaras de videovigilância, avaliando as suas capacidades com base numa experiência de mais de 5 anos de observação contínua de linces e crias. Seguindo um protocolo estabelecido no Programa Ex situ Ibérico, são fornecidos coelhos bravos a estes animais para que as suas aprendizagens de caça fiquem consolidadas”.

Noudar e Niassa foram ainda submetidos a uma avaliação da sua condição física e sanitária, antes de serem libertados no Vale do Guadiana onde, desde 2015, já foram soltos 19 animais dos quais 12 possuem já territórios estabilizados na área do Sítio “Guadiana”, da Rede Natura 2000. Estes indivíduos são monitorizados por uma equipa no terreno através de seguimento por sinais rádio e/ou GSM ou por foto-armadilhagem.

“Presentemente, o procedimento é o de solta dura de linces em novas zonas, uma vez que já existem linces residentes, que vão estimular os novos indivíduos recém- chegados a estabelecer o seu território independente. A dinâmica espacial da espécie é um fator importante para a sua sobrevivência, sabendo-se que os machos sobrepõem o seu território ao de uma ou mais fêmeas, podendo também realizar movimentos dispersivos e exploratórios de longa distância, antes de se estabelecerem”, diz ainda o ICNF.
“Os locais de solta no Vale do Guadiana são também escolhidos de acordo com a importante colaboração de proprietários e gestores de herdades e com base nos resultados dos censos sazonais de coelho-bravo, realizados por técnicos, vigilantes da natureza e pessoal afeto às zonas de caça. Esta recolha de dados e a sua análise permite aferir, com detalhe, a abundância disponível da presa principal da espécie e que é o fator fundamental para cada uma das fêmeas potencialmente reprodutoras poderem estabelecer um território de cerca de 5 km2 .”
Até ao final de março serão libertados oito linces no concelho de Mértola, e 40 em Portugal e Espanha, todos nascidos em cativeiro, na rede de cinco centros de reprodução em cativeiro na Península Ibérica.

As libertações em Portugal começaram em dezembro de 2014, com Katmandú e Jacarandá, uma fêmea proveniente do Centro de Silves. Em maio de 2016, foi divulgado que esta deu à luz as primeiras crias de lince confirmadas na natureza nos últimos 40 anos.

Jacaranda com a sua cria Nossa, o primeiro lince nascido em liberdade ( Foto ICNF)

Entretanto, no CNRLI de Silves, já aconteceu o primeiro parto da temporada de 2017 quando, no dia 28 de fevereiro, a fêmea Biznaga deu à luz três crias com vitalidade normal.

Com estes três novas crias, já são 17 os filhos de Biznaga nascidos em Silves, desta fêmea de 12 anos.

Todas estas ações estão integradas no Projeto “Recuperação da Distribuição Histórica do Lince Ibérico (Lynx pardinus) em Espanha e Portugal (LIFE+10/NAT/ES/000570 – Iberlince), co-financiado pelo programa LIFE da Comissão Europeia.

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