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Reading: 90º Aniversário dos Bombeiros Voluntários de Silves – (Parte I)
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História & PatrimónioSociedade

90º Aniversário dos Bombeiros Voluntários de Silves – (Parte I)

Vera Gonçalves
Última Atualização: 2016/Mai/Qui
Vera Gonçalves
10 anos atrás
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Nos Paços do Concelho, em Silves, encontra-se patente, até ao final do mês de maio, a Exposição do Arquivo Municipal com o tema “90º Aniversário dos Bombeiros Voluntários de Silves – Parte I”.

Esta exposição pretende divulgar as origens dos bombeiros de Silves, bem como testemunhar a sua existência ao longo dos anos, fazendo um contributo para a memória desta Instituição.
Encontra-se dividida em duas partes: a 1ª parte desde a origem até à data do seu renascimento, em 1926; e a 2ª parte de 1926 até à atualidade.
A exposição é acompanhada de deliberações camarárias, ficha individual de Bombeiro, fotografias e medalhas.
Como habitualmente, o Terra Ruiva colabora com esta iniciativa do Arquivo Municipal publicando uma versão resumida do texto da exposição. A versão integral estará disponível aqui: Bombeiros Voluntários de Silves Parte I

90º Aniversário dos Bombeiros Voluntários de Silves – Parte I

Os Bombeiros Voluntários de Silves comemoram, no dia 15 de maio de 2016, o seu 90º aniversário.
A sua fundação remonta a 1896, quando em sessão camarária de 21 de fevereiro, sob presidência de José Teixeira Gomes, o vice-presidente, padre Bernardo José de Loureiro informou que “tendo sido convidado para assistir a uma reunião que teve logar na noite de 20 do corrente mez e em que foi nomeada uma Commissão para angariar por meio de subscripção aberta entre os principaes proprietarios, negociantes e industriaes d’esta cidade os recursos necessarios para a compra d’uma bomba d’ incendios e respectivo material, bem como para a organisação d’um Corpo de Bombeiros Voluntarios”.
Passando em seguida a vereação a discutir este assunto e reconhecendo “a necessidade de se montar n’esta cidade o serviço d’estruição d’incendios o que é uma das despesas obrigatorias do municipio, deliberou, por unanimidade, contribuir com a quantia de duzentos cincoenta mil reis para auxiliar a compra da bomba e mais material necessario para o indicado serviço, sendo para lamentar que as circunstancias financeiras do municipio não lhe permittam contribuir com quantia mais elevada, ou antes manter só por si este serviço, como era desejo de toda a Vereação”.

Bombeiros Voluntários de Silves, no quartel no largo dos Paços do Concelho
Bombeiros Voluntários de Silves, no quartel no largo dos Paços do Concelho

A Associação Humanitária Bombeiros Voluntários de Silves foi então fundada no mês de março desse mesmo ano, com o lema «Vida por Vida». Da primeira direção, constituída por membros de famílias ilustres silvenses, fazia parte: Francisco d’Assis Mascarenhas Grade (presidente), Neutel Augusto Marreiros (secretário) e Manuel de Vasconcellos (tesoureiro). Foi seu sócio fundador n.º 1 Alberto Pereira Taveira de Magalhães e 1.º comandante da corporação António de Mascarenhas Júdice e 2.º comandante António de Matos Correia Teles. O corpo de efetivos era composto essencialmente por operários das fábricas de cortiça.
Um mês depois, tendo os Bombeiros solicitado à Câmara a cedência de uma casa onde pudessem recolher a bomba de incêndio, o carro do material e mais utensílios foi deliberado “ceder a caza onde se acha actualmente o açougue”, ficando para quartel e sede da direção o edifício situado na atual rua 25 de Abril, nas instalações ocupadas pela Cruz Vermelha.
Durante a primeira década de existência os soldados da paz tiveram um importante papel na sociedade silvense, uma vez que a cidade assistia a um período de surto industrial e o consequente aumento da massa populacional. Como as questões de segurança nas fábricas de cortiça eram praticamente inexistentes e o manuseamento de produtos inflamáveis reiterado os incêndios eram muito frequentes.
Pese embora esta realidade, a corporação foi decaindo e na primeira metade de 1908 a Associação estava moribunda, levando à sua extinção. Durou cerca de doze anos a primeira fase dos Bombeiros Voluntários de Silves.

Na sessão ordinária da Câmara Municipal, realizada a 22 de julho de 1908, sob a presidência de António Manuel Pereira Caldas “Achando-se desorganisado o corpo de bombeiros voluntarios d’esta cidade e em completo abandono o material respectivo, foi deliberado por proposta do Snr. Vereador Luiz Mascarenhas, que a Camara tomasse a iniciativa de mandar recolher todo o equipamento e material que se acha disperso, (…) diligenciando a formação d’um novo corpo de bombeiros, sob a fiscalisação e direcção da Camara”.
Dez anos depois, na sessão da Comissão Administrativa de 24 de junho de 1918, sob a presidência de João Domingos Alves, resolveu-se oficiar José Álvaro Marques, anterior comandante da corporação, para que “entregasse ao Fiscal de Via e Obras a casa que serviu ao quartel dos bombeiros, de que aquele está na posse, bem como todos os utensilios e materia na posse do mesmo senhor e de que a Camara precisa urgentemente para se organisar um inventario indispensavel”.
Quinze anos depois do início do interregno, na sessão da Comissão Executiva de 30 de julho de 1923, sob a presidência de Sebastião Roldam Ramalho Ortigão, o vereador Sousa Gago referenciou a “necessidade de se organisar n’esta cidade uma corporação de bombeiros voluntários resolvendo, por unanimidade, a Comissão encarregar o referido vereador da organização da referida corporação”.
No entanto, só três anos depois, em 1926, é que se encontraram reunidas as condições para a organização de um Corpo de Bombeiros Voluntários em Silves, o qual foi apresentado à Comissão Executiva, na sessão de 24 de maio, aquando da exposição de um ofício da Comissão Organizadora dos Bombeiros “pedindo auxilio moral e material desta Camara”.
A vereação deliberou “louvar a iniciativa “ e manifestou a sua satisfação ao ver em vias de solucionar-se um assunto que há muito preocupava a Camara, e afirmando, por isso, puderem todos “contar não só com toda a boa vontade, como tambem com o auxilio material que fôr compativel com a situação economica do Municipio, tendo (…) resolvido, desde já, pôr a disposição da referida Corporação as casas necessarias a instalação do quartel e sede, propôr ao Senado Municipal, em sua proxima sessão, a inscrição nos futuros orçamentos, dum subsidio anual de dez mil escudos, destinado á reconstrução e aquisição de material para a mesma Corporação. A Comissão e o lançamento do máximo do imposto a que estão por lei sujeitas as Companhias de Seguros e que reverterá, na sua totalidade, a favôr da mesma Corporação.”
Estava restaurada a Corporação de Bombeiros, agora denominada Corporação Voluntária de Salvação Pública – Bombeiros Voluntários de Silves. Os seus fundadores foram José Emílio Mendonça Vila Lobos, Afonso Dias da Silva, António Marques e António Tomé, sendo nomeado comandante instrutor José Cruz.
Pouco depois, foi dado conhecimento, através de ofício da referida corporação, que achavam-se “já na posse do material da antiga Corporação de Bombeiros e estranhando que esta Camara ainda não tenha ordenado as obras prometidas referentes a adaptação do quartel e sede daquela corporação, comunicando mais ter recebido o orçamento do material a adquirir para a nova corporação e que importa em vinte mil escudos, em vista do que pede para esta Camara informar, se dentro de curto prazo pode dispor de seis mil escudos, importancia que falta para a aquisição do referido material”. Analisando o assunto, foi deliberado informar que “devido à incertesa e pouca estabelidade, que a presente situação oferece para esta Camara, não pode a mesma tomar qualquer compromisso quanto à importancia de que aquela corporação necessita para a aquisição de material visto não ter qualquer verba em orçamento para esse fim”. Viviam-se momentos de indefinição política advinda do Movimento Militar de 28 de Maio de 1926, ocorrido dias antes e eles eram bem patentes na resolução tomada.
O assunto transitou para a reunião de Câmara no dia 21 de junho, presidida por António Vaz Mascarenhas, na qual o presidente propôs que a Camara “sancione a deliberação já tomada pela Comissão Executiva relativa à adaptação do quartel e sede daquela corporação em casa apropriada, bem como a entrega à mesma corporação de todo o material devidamente reparado que pertenceu á antiga Corporação de Bombeiros desta cidade; mais propôs para que seja concedida à referida Corporação de Bombeiros um subsidio anual de dez mil escudos, destinados à aquisição do material necessario e bem assim para que nos termos do artigo decimo primeiro da lei 1453, sejam coletadas as companhias de seguros, com o imposto de dez por cento sobre a importancia dos premios de seguros efetuados neste concelho pelas mesmas Companhias”.
O vereador Manuel Joaquim Sequeira Júnior também usou a palavra, dizendo que apesar de concordar “que a Camara deva auxiliar iniciativas desta natureza, acha exagerada a importancia do subsidio proposto discordando tambem dos serviços de adaptação da casa destinada ao quartel e sede da referida Corporação de Bombeiros, que, diz prejudicar a estetica do edificio”. A proposta foi aprovada por unanimidade, na parte respeitante à entrega do material da antiga Corporação à nova Corporação de Bombeiros Voluntários desta cidade, e ao lançamento do imposto de dez por cento sobre os premios de seguros efetuados neste concelho pelas respetivas Companhias de Seguros; e por maioria, na parte relativa ao subsidio de dez mil escudos anuais, destinado à aquisição de material necessario aos serviços da Corporação, e á adaptação e instalação do quartel e sede destinada á mesma Corporação”.
Entretanto e na sequência do 28 de Maio foram os executivos substituídos e nomeadas comissões administrativas. Assim, na sessão da Comissão Administrativa, realizada no dia 5 de agosto de 1926, presidida por Aníbal Sant’Ana, compareceu o Dr. Vila Lobos, enquanto presidente e representante da Corporação de Bombeiros, dando conhecimento de que se encontravam já aprovados os estatutos da referida corporação, os quais submeteu à apreciação da Comissão que resolveu “indicar para representar esta Camara junto da mesma Corporação o vogal senhor Albumino d’Encarnação Mira”.
Deste modo, estava restaurada a corporação silvense de Bombeiros Voluntários.

(continua)

Bibliografia:
REIS, João Vasco, Vida Por Vida – Os Bombeiros Voluntários de Silves, Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários de Silves, 2010.
http://www.bombeiros.pt

Agradecimento
À Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários de Silves, na pessoa do Sr. Comandante Luís Simões, pelo acolhimento e disponibilização de fotografias, medalhas e documentos administrativos.

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PorVera Gonçalves
Natural da Sé de Faro, oriunda de S. Brás de Alportel, nascida em 1980. Licenciada em Línguas e Literaturas Modernas variante de Estudos Portugueses e Pós-graduação em Ciências Documentais – Ramo Arquivo pela Universidade do Algarve. Funcionária da Câmara Municipal de Silves, desde 2005, como técnica superior de arquivo.
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