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CulturaSociedade

Grupo de Teatro Penedo Grande comemorou 30 anos

Paula Bravo
Última Atualização: 2017/Dez/Qui
Paula Bravo
8 anos atrás
Lisete Martins, a fundadora do Grupo, com o galardão oferecido pela vereadora Luísa Conduto Luís
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O Grupo de Teatro Penedo Grande comemorou 30 anos da apresentação do seu primeiro espetáculo e 31 anos de existência, no dia 8 de dezembro.
Nascido a 8 de dezembro de 1986, este grupo que inicialmente se apresentava como grupo de teatro da Sociedade de Instrução e Recreio Messinense, onde ensaia desde sempre, apresentou o seu primeiro espetáculo um ano depois da sua constituição, a 8 de dezembro de 1987.
“A Casa de Bernarda Alba”, de Federico Garcia Lorca foi a primeira peça que o grupo apresentou.
A partir de 1987, levou à cena mais de 35 diferentes peças, principalmente de autores portugueses, e dezenas de outros trabalhos encenados, de poesia e teatro. Em diferentes períodos teve também uma Secção Infantil a funcionar que apresentou diversos espetáculos.
São centenas os espetáculos em que o Grupo de Teatro Penedo Grande promoveu e participou, em dezenas de localidades no Algarve, Alentejo e Lisboa.
Teve como fundadora Lisete Martins que ainda assume a função de presidente do Grupo, contando com muitos elementos destacados que acompanham este percurso desde os primeiros tempos, como Vítor Gonçalves. Atualmente, procura renovar-se com o intuito de não deixar morrer todo o valioso património acumulado.

Lisete Martins, a fundadora do Grupo, com o galardão oferecido pela vereadora Luísa Conduto Luís

Ao comemorar o seu 30º aniversário, o Grupo de Teatro Penedo Grande afirma-se como um caso sério no panorama do Teatro amador, com um trabalho reconhecido por espectadores, críticos, atores, jornalistas, autarcas e diversas personalidades que elogiam a ação destes entusiastas, em prol do teatro e da cultura no nosso concelho e na região algarvia.
Do programa do aniversário constou a inauguração de uma exposição fotográfica com fotos do percurso do grupo, e que poderá ser vista até ao início de janeiro.
O teatro esteve presente, através da atuação de Mariana Justino e Filipa Sequeira, do Penedo Grande, que apresentaram um excerto da peça, “As lágrimas amargas de Petra Von Kant”, de Rainer W. Fassbinder; e da atuação da Companhia Krisálida, que apresentou o “Auto da Índia”, de Gil Vicente. Um espetáculo integrado nas comemorações deste aniversário que foi proporcionado pelo convite da Companhia AL Teatro à sua congénere de Caminha.

Mariana Justino e Filipa Sequeira

De salientar que estiveram também presentes a secretária da Junta de Freguesia de S. Bartolomeu de Messines, Carla Benedito, em representação da mesma, e a vereadora Luísa Conduto Luís, da Câmara Municipal de Silves, que, além de destacarem a importância do Grupo de Teatro Penedo Grande para a comunidade messinense e da região, fizeram votos para que o mesmo prossiga o seu trabalho, nos anos vindouros, o mesmo desejo manifestado pela presidente da Sociedade de Instrução e Recreio Messinense, Paula Bravo, que abriu as comemorações do aniversário. Na sua breve intervenção, destacou ainda a grande capacidade de trabalho e de persistência deste grupo amador que conseguiu este facto muito pouco comum de se manter durante três décadas em constante atividade, praticamente sem quaisquer apoios.

 

 

Grupo de Teatro Penedo Grande

Hélia Coelho

Na arte e na vida nenhuma obra é fruto de só homem.
O Grupo de Teatro Penedo Grande que hoje celebra 31 anos de vida, é a mais real prova provada daquilo que acabei de dizer, os 35 atos que levou à cena às tábuas dos diversos palcos onde representou, são obra de múltiplos homens e múltiplas mulheres, são obra de diferentes rostos, de diferentes silhuetas, de diferentes vozes, de diferentes raízes, de diferentes credos, de diferentes convicções e de diferentes gostos e matrizes, que se uniram em uníssono muitas vezes no tempo e no silêncio, para no escuro da sala sob a luz intensa e calorosa dos projetores, fazerem acontecer…. o teatro.

O teatro… sim essa arte de representar o outro, essa arte de representar o real, o irreal, essa arte de representar o quotidiano, o surreal, o amor, o drama, o riso, a morte, essa arte de representar, enfim a VIDA.

Ao longo destes 31 anos que o Penedo Grande comemora hoje, foram inúmeras as pessoas que o alimentaram com um pouco de si, ou melhor dizendo com um muito de si mesmos.
Sim, porque o teatro faz-se de pessoas, e de sensibilidades.
Foram muitos os atores/ as atrizes (as pessoas) que deram o seu tempo, a sua voz e o seu corpo ao personagem, para fazer acontecer nesta vila do interior algarvio o teatro.
Volto a repetir, nenhuma obra, nenhuma arte é feita de homem só, e se virmos mais além, iremos encontrar muitos homens, muitas mulheres no Grupo de Teatro Penedo Grande, tanto nas personagens que levou à cena, e que nos trouxeram à memória, outros tantos homens e outras tantas mulheres do nosso dia a dia.
À parte dos personagens representados por estes atores, surgem ainda outros homens e outras mulheres, criadores do texto, os escrevinhadores, aqueles que transportaram para o papel tudo aquilo que foi levado à cena nestes 35 atos do grupo Penedo Grande.

Desde o longínquo texto de Frei Luís de Sousa, aos contemporâneos textos de Fernando Pessoa e de Sarah Adamapoulos, o Penedo Grande mostrou coragem, ambição, rigor, criatividade, determinação, e muita firmeza na planta pé para pisar o palco e fazer acontecer esta arte que é o Teatro.
Se fecharmos os olhos aposto que conseguiremos pelo menos revermo-nos numa ou outra personagem, num ou outro sentimento levado a cena, num ou noutro momento da vida deste grupo.

Muitas terão sido as vezes que como público não gostámos, que como público não nos revimos, mas muitas também terão sido as vezes que nos arrepiamos, que choramos, que soltamos o riso, tenho a certeza que muitas foram ainda as vezes, que ficámos em suspenso desassossegados no silêncio da sala.

Minuto esse onde aconteceu o teatro, a arte e essa coisa que se chama cultura.
Por isso, aplausos que Grupo de Teatro Penedo Grande hoje faz anos.

Texto de Hélia Coelho, lido pela própria, no dia 8 de dezembro de 2017

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PorPaula Bravo
Natural de S. Bartolomeu de Messines, nascida em 1963. Licenciada em Comunicação Social. Desde 1986, trabalhou em vários órgãos de comunicação nacionais e regionais. Dirigente associativa. Fundadora e diretora do Terra Ruiva desde abril de 2000.
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