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Ambiente & CiênciaConcelho

Balanço dos fogos de 2017 – Mais incêndios menos área ardida

Paula Bravo
Última Atualização: 2017/Dez/Seg
Paula Bravo
9 anos atrás
Posto de Vigia da Proteção Civil Municipal (foto de arquivo)
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Até ao dia 31 de outubro, o Concelho de Silves registou 55 ocorrências, o que significa um ligeiro aumento relativamente ao ano passado. Mas a área ardida reduziu imenso. O maior incêndio ocorreu em Odelouca.
Na luta contra o fogo, por toda a serra do Concelho, há equipas variadas que desenvolvem um trabalho pouco divulgado. Este ano incluiu até fuzileiros navais.

Estes são alguns dos números fornecidos ao Terra Ruiva pelo Serviço Municipal de Proteção Civil e Florestas de Silves ( SMPCF), da Câmara Municipal de Silves.
Este ano verificou-se “um ligeiro aumento do número de ocorrências comparativamente com o período homólogo do ano transato (de 44 para 55)”, um valor que “segue a tendência da região” mas é “substancialmente mais baixo” do que a média nacional.
A grande diferença encontra-se na área ardida. Em 2016 arderam 1.950 hectares no Concelho, quando se registaram dos maiores incêndios da região: na Perna Seca (freguesias de S. Bartolomeu de Messines e S. Marcos da Serra), no qual arderam 1.782 hectares e no Almarjão (freguesia de Silves) que destruiu 150 hectares.
A maioria das ocorrências verificou-se no barrocal e litoral em áreas agrícolas ou incultas em áreas de povoamento disperso. “Na área florestal, grosso modo, a norte da estrada nacional (EN 124) verifica-se um padrão de distribuição ao longo das principais vias de comunicação, com maior concentração na área envolvente aos aglomerados urbanos de São Marcos da Serra, São Bartolomeu de Messines e no eixo Falacho/Odelouca/Porto de Lagos”.
Foi precisamente na zona de Odelouca (freguesia de Silves) que se registou o maior incêndio, quando o fogo proveniente do concelho de Portimão consumiu 10 hectares.
Segundo o SMPCF, “as 55 ocorrências registadas foram dominadas nos primeiros minutos em ataque inicial”, o que terá sido possível pela “intervenção imediata dos meios preposicionados no terreno”, nomeadamente as “equipas de sapadores municiais mais móveis e com conhecimento do território e a rápida e assertiva mobilização de meios por parte do CDOS Faro”.

Grupo de Combate Ampliado (GRUATA) da FEB destacado em São Marcos da Serra

Medidas de prevenção
O pré-posicionamento de meios no terreno tem sido uma das preocupações do Município de Silves, consciente do grande risco de incêndios florestais que este território tem.
Assim, esteve posicionada uma equipa de combate a incêndios florestais (ECIN) em S. Marcos da Serra, a funcionar de forma contínua, 24 horas por dia; uma Força Especial de Bombeiros (FEB), também em S. Marcos da Serra e igualmente 24 horas por dia, composta por uma equipa de avaliação da situação (ERAS), um Grupo de Combate em Ataque Ampliado (GRUATA), provenientes dos distritos da Guarda e de Castelo Branco, reforçado por autotanques dos bombeiros voluntários de S. Bartolomeu de Messines e Albufeira.

No terreno estiveram também as equipas municipais de sapadores florestais: uma Equipa Municipal de Intervenção Florestal (EMIF 13.01) e uma equipa de Sapadores Florestais (SF 05-150) que estiveram posicionados em locais estratégicos em São Marcos da Serra e na área florestal das freguesias de Messines e Silves. A estas, juntou-se uma equipa constituída por elementos da Junta de Freguesia de S. Marcos da Serra (EMIF 13.02).

 

Colaboração com o Exército
Desde 2014, fruto de um protocolo com o Exército português, nos meses de julho, agosto e setembro, há patrulhas feitas por militares do Regimento de Infantaria nº 1 de Beja que, a partir da Quinta Pedagógica de Silves, fazem vigilância às áreas circundantes. A articulação com a GNR permitiu também efetuar patrulhamentos a cavalo, em áreas mais vulneráveis.
De assinalar que este ano, face ao prolongamento da época de incêndios, durante o mês de outubro, os meios do Exército foram rendidos por elementos da Armada (fuzileiros navais).

Militares do Regimento de Engenharia (RE1- Tancos) com a presidente da Câmara

Este protocolo com o Exército tem permitido também “a construção de diversas infraestruturas de defesa da floresta contra incêndios, designadamente a abertura de caminhos e acessos” numa “intervenção de grande amplitude, considerada ímpar na região e no país”.
Num trabalho que foi desenvolvido em conjunto pelo Exército e pelos serviços da Câmara Municipal, foram reabilitados “180 km de rede estruturante e cerca de 70km de acessos e caminhos de transição secundários” e estabeleceu-se acessos “a 32 pontos de água”.

 

Em 2017 foram também concluídos “3 postos de vigia” estando prevista a construção de “pelo menos, mais 2, um no Pico Alto, em S. Bartolomeu de Messines e outro em S. Marcos da Serra, entre o Talurdo e a Herdade da Parra”.
Também foram realizadas “diversas intervenções” de silvicultura preventiva, desbaste e poda seletiva” e “desmatação”, o que foi possibilitado por um protocolo que a autarquia realizou com o Instituto do Emprego e Formação Profissional.

Posto de Vigia da Proteção Civil Municipal

Estas e outras ações desenvolvidas na luta contra os incêndios são fundamentais e terão contribuído para um combate eficaz ao fogo. Mas o Serviço Municipal de Proteção Civil de Silves considera necessário que a população cumpra a legislação vigente e assuma “uma atitude proactiva de alerta, aplicando no dia a dia procedimentos de salvaguarda coletiva”.
Procedimentos que os mais pequenos já aprendem, na Semana da Proteção Civil, organizada pelo SMPCF e Sector de Educação da Câmara Municipal, em colaboração com a GNR, Cruz Vermelha e Bombeiros Voluntários de Silves e de S.B. Messines. Em 2017, esta iniciativa chegou a cerca de 600 crianças.

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PorPaula Bravo
Natural de S. Bartolomeu de Messines, nascida em 1963. Licenciada em Comunicação Social. Desde 1986, trabalhou em vários órgãos de comunicação nacionais e regionais. Dirigente associativa. Fundadora e diretora do Terra Ruiva desde abril de 2000.
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