Um novíssimo e velho querido amigo. Há mais de meio século. Tinhas-me convidado este verão para a cerimónia do teu Doutoramento Honoris Causa, a 25 do corrente mês de setembro, pela Universidade do Algarve.
Infelizmente não pude comparecer. Um vírus virulento tomou-me de embirração e reteve-me duas semanas em casa.
Sei que desculparás o meu silêncio e a minha sombra ausente ante ti, no Auditório da UALg.
A tua aparência austera não consegue esconder corpo e espírito que tão bem te enformam, apesar de teres sempre conseguido expulsar as adiposidades de um e outro no longo curso da tua vida.

Estiveste em todas com enorme coragem e lucidez. Desde a crise académica de 1962 e a luta pela democracia que te obrigou a ter de abandonar o Instituto Superior Técnico e rumar a Itália que te acolheu durante treze anos.
No regresso a Portugal iluminaste, com a tua inteligência, sensibilidade e conhecimento os caminhos pedregosos da democracia no teu e nosso Algarve.
Na militância cívica, no turismo, no governo, nas associações empresariais, na Teófilo Fontainhas Neto, que o teu pai fundara em 1940 e reergueste. Recebeste infinitas e merecidas distinções ao longo do teu percurso profissional.
Conhecemo-nos convergentes. E divergentes do mesmo catecismo. Hoje, a ignorância e a má-fé querem-nos trazer o vil passado que bem conhecemos e tu, ainda mais, na pele agredida.
Estamos e estaremos no mesmo lado, o da democracia, da liberdade e do humanismo.
Eu te saúdo querido Victor. Espero que um abraço forte, de belisca-costas ao vivo, não perca pela demora!


