O verão no Algarve sabe a muita coisa: a sardinhas assadas, a saladas frescas, a cataplanas partilhadas em família, a almoços demorados à sombra e a fins de tarde que pedem mesa cheia. Sabe a tradição, a memórias e àquela forma tão nossa de viver à volta da comida.
Mas numa altura em que somos constantemente bombardeados com novas dietas, receitas “fit” e superalimentos com nomes difíceis de pronunciar, talvez valha a pena fazer uma pergunta simples: será que os pratos tradicionais algarvios ainda têm lugar numa alimentação saudável?
A resposta é, felizmente, muito mais simples do que parece: sim, têm.
Basta olhar com atenção para aquilo que sempre fez parte da nossa gastronomia. Peixe, marisco, leguminosas, hortícolas, ervas aromáticas e azeite são presença habitual em muitos pratos típicos da região. E, na verdade, são também a base daquilo que hoje continuamos a defender como alimentação equilibrada: comida simples, fresca, local e pouco processada.
Uma refeição de sardinhas assadas com salada e batata cozida, por exemplo, não precisa de um nome moderno nem de aparecer nas redes sociais para ser nutricionalmente interessante. Continua a ser uma refeição completa, rica em proteína, gorduras saudáveis, vitaminas, minerais e fibra. O mesmo acontece com uma salada de polvo, um feijão-frade com atum ou uma cataplana de peixe e marisco. São pratos que mostram, de forma muito clara, que tradição e saúde não são opostos. Muitas vezes, são exatamente a mesma mesa.
Claro que a forma como comemos hoje já não é a mesma de há algumas décadas. Movemo-nos menos, passamos mais horas sentados e vivemos rodeados de produtos ultraprocessados, rápidos, práticos e quase sempre menos interessantes do ponto de vista nutricional. E no verão, entre férias, convívios e horários trocados, também é fácil cair na ideia de que “agora não faz mal” e deixar os hábitos completamente para trás.
Mas talvez o problema nunca tenha estado nos pratos tradicionais. Muitas vezes está no excesso, na frequência, nas quantidades ou naquela ideia de que comer bem implica seguir modas, cortar tudo o que dá prazer ou viver numa luta constante com a comida.
A verdade é que a cozinha algarvia tem muito mais para nos ensinar do que às vezes imaginamos. Lembra-nos que uma alimentação saudável não tem de ser complicada, cara ou cheia de regras. Pode ser simples, saborosa, partilhada e feita com aquilo que cresce perto de nós.
No meio de tantas tendências alimentares que aparecem e desaparecem à velocidade de um scroll, talvez esteja na altura de olharmos para a nossa mesa com um pouco mais de orgulho. Porque, às vezes, aquilo que andamos à procura lá fora… já estava cá dentro há muito tempo.






