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Dia da Criança: GNR alerta para a segurança dos mais jovens na estrada e na água

Terra Ruiva
Última Atualização: 2026/Jun/Seg
Terra Ruiva
3 horas atrás
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Por ocasião do Dia da Criança, a Guarda Nacional Republicana (GNR) reforça o seu compromisso com a proteção e salvaguarda dos mais jovens, divulgando dados agregados sobre a sinistralidade e os afogamentos em menores de idade.

Com o aproximar do período de férias escolares e da época estival, a Guarda apela aos pais, cuidadores e à sociedade em geral para o reforço da vigilância ativa e adoção de comportamentos preventivos. A análise dos dados estatísticos da GNR, no período de 2024 a abril de 2026, detalha o impacto dos acidentes rodoviários em crianças e jovens até aos 16 anos, divididos por três categorias de vulnerabilidade, nomeadamente crianças como passageiras, como peões e como condutoras de velocípedes.

 

1-    Crianças como passageiras

Esta categoria regista o maior volume de vítimas infantis, estando habitualmente associada à deslocação em ambiente familiar. No que diz respeito à evolução dos números, registaram-se 1 196 crianças vítimas na condição de passageiras em 2024, um valor que subiu para 1 271 no ano de 2025. Já no primeiro quadrimestre de 2026, com dados provisórios recolhidos até 30 de abril, contam-se já 356 vítimas. Ao analisarmos as faixas etárias, o grupo dos 11 aos 16 anos é claramente o que regista maior sinistralidade, com 496 vítimas em 2024 e 478 em 2025. É contudo de notar e lamentar que, no ano de 2025, se tenha registado 1 vítima mortal na faixa dos 11 aos 16 anos e 4 vítimas mortais na faixa dos 6 aos 10 anos.

Ao nível da distribuição geográfica, os distritos do Porto, que contabilizou 69 vítimas em 2024 e 59 em 2025 na faixa dos 11 aos 16 anos, e de Braga, figuram de forma destacada entre as regiões com maior volume de registos acumulados.

2-    Crianças como peões (Atropelamentos)

No âmbito do comportamento e vulnerabilidade das crianças enquanto peões, os dados mostram um cenário relativamente estável, mas ainda assim preocupante, com o registo de 234 vítimas em 2024, 236 em 2025 e 67 feridos reportados até abril de 2026. Olhando para o perfil das idades, a vulnerabilidade aumenta significativamente à medida que a autonomia cresce, concentrando-se de forma expressiva no grupo dos 11 aos 16 anos, que somou 131 vítimas em 2024 e 130 em 2025. No entanto, o perigo estende-se também aos mais novos, sendo importante sublinhar que, em 2024, se registaram 2 vítimas mortais por atropelamento na faixa etária dos 6 aos 10 anos. No mapa nacional da sinistralidade nesta categoria, os distritos do Porto e de Lisboa são os que se destacam negativamente.

3-    Crianças como condutoras de velocípedes

O uso de velocípedes por crianças e jovens tem vindo a demonstrar uma tendência de crescimento na sinistralidade, com os registos de evolução a subirem de 325 vítimas em 2024 para 406 em 2025, somando-se já 106 ocorrências até 30 de abril de 2026. Quando se estratificam estes dados por faixas etárias, constata-se que o risco se concentra esmagadoramente nos jovens dos 11 aos 16 anos, escalão que reuniu 307 vítimas em 2024 e 389 em 2025. A gravidade deste tipo de sinistralidade é acentuada pelo facto de, no ano de 2024, se ter registado 1 vítima mortal nesta faixa etária específica, localizada no distrito de Aveiro.

AFOGAMENTOS

No que concerne à problemática dos afogamentos com menores, que se assume como um verdadeiro perigo silencioso, embora os dados consolidados de 2025, com 5 casos registados, mostrem uma redução positiva face aos 11 casos verificados em 2024, a GNR manifesta particular preocupação relativamente a este fenómeno, reforçando a necessidade extrema de uma vigilância ativa e permanente por parte dos adultos.

No que se refere ao perfil de risco por género, constata-se que o risco é expressivamente superior nos rapazes, os quais representaram cerca de 60% do total das vítimas, traduzindo-se em 6 rapazes afetados em 2024 e 3 no ano de 2025.

Avaliado o fenómeno sob a perspetiva da relação entre a idade e o local da ocorrência, os dados expõem dois padrões comportamentais muito distintos. A faixa etária dos 0 aos 4 anos afirma-se como a de maior risco, concentrando 34% dos casos totais. Nestas idades, o afogamento ocorre tipicamente de forma rápida e silenciosa, tendo como principal cenário as piscinas, com especial incidência nas particulares e residenciais. Os resultados operacionais de 2024 e 2025 dão nota de acidentes trágicos com crianças de tenra idade, incluindo bebés de 18 meses, em ambientes de piscinas privadas, mas também em estruturas agrícolas como tanques e poços.

Por outro lado, no grupo dos 10 aos 14 anos, que representa o segundo escalão de maior risco com 27% dos casos, o padrão altera-se significativamente, com os acidentes a transitarem maioritariamente para espaços naturais, tais como praias, rios, ribeiras e lagoas.

Geograficamente, a distribuição dos casos revela que o distrito de Santarém registou o maior número de ocorrências no ano de 2025, contabilizando 3 casos, seguido de perto por Braga e Setúbal, com 1 caso cada. Esta realidade contrasta com o panorama de 2024, ano em que os distritos de Braga, Faro e Viseu tinham liderado os nossos registos, com 2 ocorrências cada um.

Como ação proativa para mitigar estes indicadores, a GNR executa anualmente, durante os meses de verão, a operação “Prevenção de Afogamentos”. Através desta iniciativa, a Guarda direciona ações de sensibilização de proximidade, procurando combater a falsa sensação de segurança das famílias no ambiente doméstico e alertar para os perigos invisíveis da água.

Relativamente aos afogamentos envolvendo vítimas menores de idade, a Guarda Nacional Republicana registou, nos anos de 2024 e 2025, os seguintes valores:

Afogamentos de menores de 18 anos por género
Ano 2024 2025
Feminino 5 2
Masculino 6 3
Total 11 5

A distribuição dos afogamentos por distrito apresenta-se da seguinte forma:

Distrito 2024 2025
Braga 2 1
Castelo Branco 1 0
Faro 2 0
Leiria 1 0
Lisboa 1 0
Porto 1 0
Santarém 1 3
Setúbal 0 1
Viseu 2 0
Total 11 5

Relativamente às consequências dos afogamentos e aos respetivos locais de ocorrência, registam-se os seguintes dados:

                 
  Consequência do afogamento Local do afogamento
Ferimentos graves Ferimentos ligeiros Vítima mortal Sem ferimentos Total Praia Piscina Praia Fluvial Lagoa Rio Total
2024 3 3 3 2 11 1 7 1 1 1 11
2025 3 2 0 0 5 0 3 2 0 0 5

Com o objetivo de garantir um futuro seguro aos mais jovens e mitigar os riscos associados à sinistralidade rodoviária, importa focar a atenção num conjunto de comportamentos preventivos essenciais sempre que circulamos na estrada:

  • Utilize sempre sistemas de retenção, nomeadamente, a “cadeirinha” homologada e devidamente adaptada ao tamanho e ao peso da criança, garantindo também o uso do cinto de segurança, mesmo nos trajetos mais curtos;
  • Na condução de velocípedes, o uso do capacete assume-se como fundamental, devendo os adultos incentivar as crianças a andar de bicicleta exclusivamente em locais seguros e supervisionados, longe do tráfego rodoviário;
  • Promova hábitos de travessia segura, instruindo as crianças a utilizar sempre as passadeiras e a garantir o contacto visual com os condutores. Reforce a importância de estarem totalmente focadas na envolvente rodoviária, eliminando distrações como ecrãs ou o uso de auscultadores.

Do mesmo modo, e no que concerne à prevenção de acidentes em ambiente aquático, a adoção de uma postura de vigilância ativa e de segurança na água passa por regras de ouro que salvam vidas:

  • No caso de crianças mais novas, a supervisão deve ser feita a uma distância que permita tocar-lhes imediatamente, dado que o afogamento é um processo rápido e totalmente silencioso;
  • A implementação de vedações eficazes em redor de piscinas particulares constitui a medida mais eficiente para evitar quedas acidentais sempre que os menores escapem à supervisão por breves instantes;
  • Após a utilização, assegure-se de que esvazia por completo as piscinas insufláveis, baldes ou tinas, procedendo ainda à cobertura estanque e segura de poços, tanques e fossas.

A segurança das crianças depende inteiramente da responsabilidade e da atenção dos adultos, pelo que garantirmos a sua integridade constitui o melhor presente que lhes podemos dar.

Fonte: GNR

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