Entrar na Casa Museu da Serra é uma oportunidade para reviver ou descobrir muitos elementos do passado recente, com objetos do dia a dia que a maior parte das pessoas reconhece, possivelmente da casa dos avós.
Mas a Casa Museu da Serra pretende ser mais do que um museu. Um forno e uma destilaria comunitária ligam o passado ao futuro.
A Casa Museu da Serra foi inaugurada pela Junta de Freguesia de São Marcos da Serra no dia 25 de setembro, numa cerimónia que juntou o presidente da Junta, Luís Cabrita e a presidente da Câmara de Silves, Rosa Palma, entre outros autarcas, representantes das forças vivas locais e muitos populares.

Localizado junto ao Largo da Igreja, na rua que era, há décadas atrás, a entrada principal da aldeia, o edifício tinha, nesse tempo, lugar de destaque na vida comunitária, por ser ali que se encontrava a “Loja das Novidades”.
Quem nos conta a história deste lugar é Esmeralda Ramos, do executivo da Junta de Freguesia de São Marcos da Serra, e o seu presidente, Luís Cabrita, que acompanham o Terra Ruiva numa visita, poucos dias depois da inauguração.

Falecido o proprietário da loja, na casa ainda residiu uma das suas filhas. Anos mais tarde, o edifício foi adquirido pela Junta de Freguesia, pelo então presidente José Folgado, com o objetivo de vir a servir de casa mortuária. Uma ideia que o novo executivo, dirigido por Luís Cabrita, não prosseguiu, optando pela ideia de criar a Casa Museu da Serra, com objetos do quotidiano.
A possibilidade da Junta de Freguesia apresentar uma candidatura ao PDR 2020, dinamizado pela Associação In Loco, em 2023, no âmbito da dinamização de territórios rurais, abriu a possibilidade da ideia se concretizar. O “mealheiro” que a Junta vinha fazendo há alguns anos, com o objetivo de concretizar esse projeto, permitiu-lhe ter a verba necessária para a sua comparticipação.
Garantido o financiamento para a reabilitação do edifício, seguiu-se o trabalho de recolha de objetos, uma ação que teve grande colaboração da população, como destaca o presidente da Junta. Objetos esses que foram depois limpos e recuperados pelos funcionários da Junta.

Agora, as portas do belo edifício abrem-se para uma sala, com a serra a entrar pela janela, onde se encontram expostas essas ofertas, de móveis a objetos. Um dos quartos “de uma das filhas”, diz Esmeralda Ramos, foi decorado com bonitos móveis “ que pertenciam a famílias com posses” e a tradicional cama de ferro.
Neste piso há ainda para ver uma cozinha, onde já se notam uns toques de “modernidade”, nomeadamente nos azulejos… Junto à cozinha, umas escadas levam à “sala do pão”. Mas não é por acaso que esta sala foi criada. No quintal existe um forno, destinado ao uso comunitário, no âmbito dos projetos que a Junta quer desenvolver. Em breve, será não só possível utilizar este forno comunitário, como também a destilaria, instalada no antigo espaço da Loja das Novidades.
A ampla sala, diz Luís Cabrita, tem também condições para fazer alguns eventos e workshops que a Junta pretende dinamizar.
Por agora, quem quiser visitar a Casa Museu da Serra deve dirigir-se à Junta de Freguesia de São Marcos da Serra, a poucos metros de distância. Mais tarde, a Casa Museu ficará ligada à rede de museus concelhia e passará a ter um funcionário, para garantir a abertura do espaço a locais e a turistas.
A integração da freguesia na rota da Via Algarviana e no Geoparque Algarvensis são dois factores que podem dinamizar as visitas turísticas a São Marcos da Serra, que vai notando um número crescente de turistas e de novos residentes e a Casa Museu da Serra assume-se como ponto obrigatório de passagem e de visita.
(Nota: Esta reportagem foi realizada no dia 29 de setembro, antes das eleições autárquicas de 12 de outubro de 2025.)








