Há 23 anos que a APSI desenvolve a Campanha de Prevenção de Afogamentos de Crianças e Jovens em Portugal, sendo que, há quatro edições, conta com a parceria da Guarda Nacional Republicana (GNR) neste esforço que se continua a afigurar muito relevante e atual.
Hoje, como antes, a finalidade máxima da Campanha é a sensibilização das famílias para a forma como o afogamento infantil ocorre — de forma rápida, silenciosa e em pouca água — e relembrar as medidas de segurança a respeitar junto da água, nomeadamente, nas piscinas e tanques, praias, rios, barragens e qualquer ambiente com água, independentemente da quantidade desta.
No sentido de reforçar a consciencialização da sociedade para a problemática do afogamento de crianças e jovens, de forma mais direta e abrangente, os militares da GNR encontram-se no terreno desde o dia 16 de junho e até 30 de setembro, à semelhança dos últimos anos, empenhados na sensibilização das famílias — residentes ou não — para a adoção de medidas de prevenção, por forma a que todos tenham um verão e umas férias em segurança.
Tendo em consideração a análise dos últimos números dos casos de Afogamentos de Crianças e Jovens em Portugal, cujo relatório pode ser consultado aqui, este ano acompanhado de uma novidade — uma infografia — consideramos e esperamos que os mesmos ajudem na compreensão e perceção desta problemática, no que respeita a este tipo de acidentes no nosso país.
Na década passada, o valor médio do número de mortes situava-se abaixo das dezenas, na maioria dos anos (8,9/ano), sendo que, na década atual, estes números estão a revelar-se absolutamente devastadores — A média anual ascendeu aos 14 mortos e também as chamadas para o 112 (incluindo acidentes de mergulho) não têm parado de aumentar.
Entre 2020 e 2023 o número médio de mortes por afogamento, por ano, subiu para 14 (quando 7,3 foi a média do triénio antecessor). Este facto, associado ao
maior número de casos de afogamentos fatais e não fatais registados na imprensa nos últimos 5 anos, parece indiciar, ao contrário do que vinha acontecendo, uma tendência de aumento no número de mortes por afogamento. De notar que também nos casos reencaminhados pelo 112 para o CODU/INEM, que incluem os acidentes de mergulho, se verificou um aumento em 2020, 2021, 2022 e 2023.
Em 2023, houve 10 mortes por afogamento até aos 19 anos.
Nos últimos 13 anos analisados, em média, por ano, 10 crianças morreram na sequência de um afogamento e 21 foram internadas.
O maior número de mortes por afogamento ocorre na faixa etária dos 15 aos 19 anos e o maior número de internamentos na faixa etária dos 0 aos 4 anos. No geral,
os afogamentos verificam-se mais até aos 4 anos de idade.
Nos últimos 4 anos, para os quais existem dados disponíveis, 55 crianças e jovens morreram por afogamento (14 em 2020, 12 em 2021,19 em 2022 e 10 em 2023, de acordo com dados do INE): 19 crianças até aos 4 anos, 4 crianças entre os 5 e os 9 anos, 8 adolescentes entre os 10 e os 14 anos e 24 jovens entre os 15 e os 19 anos.
Em termos de padrões de ocorrência dos afogamentos com crianças e jovens:
– é nos rapazes que se verifica o maior número;
– as piscinas são o local onde acontecem mais;
– a tipologia de piscinas onde acontecem mais são as de uso particular;
– nos últimos anos tem havido poucos casos em poços e tanques e aumentado os casos em planos de água naturais (ex.: rio, praia);
– a maior parte dos afogamentos em piscinas foi com crianças dos 0 aos 4 anos;
– nos rios/ribeiras/lagoas aconteceram mais no grupo dos 10 aos 14 anos;
– nas praias verificaram-se mais no grupo dos 10 aos 14 anos;
– aconteceram mais em julho, agosto e junho.









