A decisão de encerrar a fábrica da Amorim Cork Solutions em Silves e de transferir a produção para a fábrica de Vendas Novas apanhou de surpresa as entidades locais e regionais, nomeadamente a Câmara Municipal de Silves e CCDR Algarve.
Segundo notícia do jornal ECO Online, e que o Terra Ruiva confirmou junto do vereador da Câmara de Silves, Maxime Sousa Bispo, só na quarta-feira, dia 7 de maio, é que a autarquia, a CCDR Algarve e os trabalhadores tomaram conhecimento desta decisão.
O encerramento da fábrica foi comunicado ao Município de Silves, cerca das 10 horas, no decorrer de uma reunião que se encontrava agendada há algum tempo, e que deveria ter sido a 16ª reunião de monitorização do processo com vista à resolução dos problemas de poluição e ruído, que nos últimos anos levaram a protestos de moradores nas proximidades. Nestas reuniões estavam envolvidos a Câmara Municipal de Silves, a CCDR Algarve, representantes dos moradores de Vale de Lama, organizados no movimento “Os Vizinhos da Fábrica” e o grupo hoteleiro Pestana, proprietário do campo de golfe próximo.
Segundo o vereador Maxime Sousa Bispo, as razões apresentadas pela empresa são as já divulgadas, e prendem-se com a proximidade de Vendas Novas à matéria-prima e o declínio da procura de aglomerados de cortiça, devido à concorrência de produtos mais baratos, como lã de rocha e esferovite. Esses e outros fatores, acrescenta o vereador, faziam com que a “fábrica já não fosse sustentável” e, nos últimos anos a sua existência seria suportada, “em grande parte, por insistência do antigo diretor” que se encontrava muito ligado a esta unidade fabril.
“O mercado falou mais alto”, afirma o vereador que também salienta que a decisão de encerramento nada tem a ver com a Câmara Municipal de Silves ou com as ações dos vizinhos da fábrica e as exigências que foram feitas à empresa para cumprir determinados critérios ambientais.
No que respeita ao terreno onde está instalada a fábrica, e sobre o qual, segundo algumas vozes, haverá interesse do Grupo Pestana, eventualmente para a construção de uma unidade hoteleira, quer a Câmara de Silves, quer a Corticeira Amorim asseguram que nada está decidido.

Comunicado da Câmara Municipal
Entretanto, hoje à tarde (dia 9 de maio), a Câmara Municipal de Silves divulgou um comunicado afirmando que foi “com tristeza e desolação” que tomou conhecimento, no dia 7 de maio, que a Fábrica da Corticeira Amorim irá encerrar a sua atividade industrial de produção de aglomerados de isolamento de cortiça, durante o próximo mês de junho.
“Com efeito, o contínuo declínio da procura dos aglomerados de isolamento de cortiça, por serem mais onerosos do que outros produtos alternativos existentes no mercado, sem haver indícios de inversão desta tendência nos próximos anos, conjugado com o aumento dos custos da matéria-prima, proveniente dos montados de sobro do Alto Alentejo, e aliado à instabilidade internacional no que respeita à tributação de exportações de produtos nacionais, fez prevalecer a decisão de encerramento baseada, única e exclusivamente, num critério de racionalidade económica e de mercado”, adianta a autarquia.
Confrontada com esta realidade, a Câmara de Silves diz ter indagado “imediatamente acerca do futuro dos trabalhadores e da salvaguarda dos seus direitos laborais”.
Segundo a Câmara, os representantes da Corticeira Amorim assumiram “ o compromisso de aceitar a transferência de trabalhadores para a unidade fabril de Vendas Novas, caso algum trabalhador assim o deseje, e, nos casos de cessação laboral, atribuir compensações monetárias em dobro do valor previsto na lei a título indemnizatório.
Ficou ainda garantido que as casas de função manter-se-ão disponibilizadas aos trabalhadores e seus familiares que lá residam, até que sejam encontradas outras e melhores soluções que satisfaçam todas as partes interessadas.”
Ainda assim, o Município de Silves manifesta-se “inquieto com os 31 trabalhadores da Fábrica da Corticeira Amorim de Silves e totalmente disponível para, no âmbito das suas competências legais, prestar-lhes todo o apoio possível na busca das melhores soluções para o seu futuro.”
No seu comunicado, a autarquia esclarece ainda que desde finais de 2021, vinha desenvolvendo “importantes esforços para evitar que este encerramento alguma vez viesse a ocorrer”. Por essa razão, liderou e mediou, “pelo menos, 16 reuniões de um longo processo participativo e construtivo, que integrou os representantes da Corticeira Amorim, da CCDR-Algarve e demais interessados diretos, com a finalidade de compatibilizar a continuidade do funcionamento desta unidade fabril, com o cumprimento de exigências legais em matéria de ruído e a adoção de medidas de mitigação de poluição atmosférica.”
Todo este longo trabalho, acrescenta a autarquia, “fez com que a unidade fabril de Silves tenha sido aquela que mais atenção e investimento tenha merecido do Grupo Amorim, nos últimos quatro anos, no que diz respeito à melhoria das condições de laboração dos seus trabalhadores, ao cumprimento de exigências legais aplicáveis ao funcionamento da fábrica e à adoção de recomendações ambientais, criando um contexto positivo que, infelizmente, acabou por não resistir à quebra abrupta de novas encomendas, com a consequente redução dos níveis de faturação da fábrica.”
No final, o Executivo Permanente da Câmara Municipal de Silves deixa “uma mensagem de confiança e de esperança no amanhã”, considerando “de extrema importância frisar que a forte ligação da cidade de Silves à indústria transformadora da cortiça está longe de terminar.”








