A exposição “Passeios do 1º Ciclo de Fotografia” será inaugurada no Café da Sociedade de Instrução e Recreio Messinense, no próximo sábado, dia 12 de outubro, pelas 16 horas.
Esta exposição reúne alguns dos “momentos capturados” durante dois passeios fotográficos realizados no ano passado, no 1º Ciclo de Fotografia organizado pela Sociedade de Instrução e Recreio Messinense.
Esses passeios tiveram lugar pelas “ruas de cima” da vila de Messines e pelo Pomar da Quinta da Lameira e nas Frutas Lurdes.
A exposição que agora se apresenta está integrada nas atividades do 2º Ciclo de Fotografia que está a decorrer durante todo o mês de outubro. A primeira atividade, um passeio fotográfico pela cidade de Silves teve lugar no dia 6 de outubro.
Estão ainda agendados os seguintes eventos:
–18 de Outubro, 21h– Apresentação do Livro “Diários dos que ninguém quer”, um livro do fotógrafo Carlos Filipe que “promove a reflexão através da fotografia e da escrita, trazendo à tona histórias de animais que muitas vezes permanecem esquecidas.” As receitas das vendas dos livros revertem na sua totalidade para a Animalife.

–20 de Outubro, 09h30 às 13h – Sessão Fotográfica Solidária, na qual se propõe uma sessão de fotografias “onde os patudos são as verdadeiras estrelas”, que brilharão através das fotos de Carlos Filipe. Esta sessão tem como “objetivo apoiar uma causa nobre, através da fotografia”. Para participar, pede-se donativos de rações, mantas, peitorais e camas para os animais enfrentarem o inverno e outros itens que serão destinados à Wigglestail Animal Sanctuary, uma organização da freguesia de São Bartolomeu de Messines que cuida de animais maltratados e abandonados.
Para esta iniciativa é necessário inscrição prévia no código QR que consta nos cartazes, o “linktree” da Sociedade ou através do email sociedademessines@gmail.com.
–26 de Outubro, 21h – Tertúlia “Tempo e Luz”, com o Astrofotógrafo Miguel Claro e o fotógrafo Nuno Borges ‘LoveJoyDivision’.

Esta tertúlia, diz a organização, é “imperdível para quem deseja aprender sobre a arte da astrofotografia, da longa exposição e de como o tempo e a luz moldam a nossa percepção do mundo e do universo.”
Miguel Claro é um fotógrafo profissional especializado em astrofotografia de paisagem, autor de dois livros: “Astrofotografia – Imagens à luz das estrelas” e “Dark Sky Alqueva – O Destino das Estrelas / A Star Destination” e dedica “grande parte do seu trabalho a imagens que traduzem a beleza do Céu Profundo captadas a partir do
Observatório Oficial do Dark Sky® Alqueva – o primeiro destino do mundo certificado como “Starlight Tourism Destination””, onde é fotógrafo oficial.

Nuno Borges adoptou o pseudónimo ‘LoveJoyDivision’ e o seu trabalho tem como principal característica a “libertação das formas congeladas da fotografia convencional, derretendo-as em desfoques que nos fazem lembrar pinceladas numa tela.” Outra das suas especialidades é “desenhar com luz, criando composições que jogam com as linhas, as formas e as texturas através da técnica de “Light Painting””.
A entrada é livre.
O 2º Ciclo de Fotografia tem o apoio da Câmara Municipal de Silves, Junta de Freguesia de São Bartolomeu de Messines e de empresas locais.








Embora sem legenda a acompanhar, reconheço – no lado esquerdo da foto que introduz a notícia, mesmo vivendo longe da minha amada terra, há quase setenta anos e com pouco receio de me equivocar – a viela que conduz ao pequeno largo, de que se vê uma estreita nesga, ao fundo, onde nasceu o nosso ilustre conterrâneo João de Deus, o pedagogo criador da velhinha Cartilha Maternal (por onde aprendi as primeiras letras), poeta de uma lírica simples, quase “naïve”, de uma ternura que nos envolve até à alma.
O seu passamento constituiu um evento que envolveu extrema comoção, em todo o país.
Repousa no Panteão Nacional, entre os nossos maiores, como Pedro Álvares Cabral, Infante D. Henrique, Vasco da Gama e Almeida Garrett, entre outras figuras ilustres.
NOTA : Não resisto a colocar a alguém que, eventualmente, leia este comentário a pergunta se imaginará qual a origem da palavra “nesga”, que, ali, utilizei.
A nossa terra, devido à situação meridional, assim como à posição isolada e afastada do litoral, constitui-se, ao longo dos séculos – desde os distantes tempos do domínio árabe, na Península – como uma das depositárias mais fiéis e zelosas de termos de origem árabe, já arcaísmos noutras zonas, os quais, designadamente, nos meus tempos de criança, ouvia, integrados na fala comum do dia-a-dia.
Eis alguns exemplos que guardo dos anos 40 / 50 do século passado, cuja memória ancestral vivia ainda na linguagem popular :
– “Azougue” (literalmente, “mercúrio”, em Árabe), termo que se empregava, por exemplo, em relação a um ferro magnetizado que atraia limalha de ferro.
Era comum ouvir, por exemplo, a seguinte frase: “aquele môce parece que tá com azougue” ou seja, “não pára quieto”, cujo sentido replica e mima as bolinhas de mercúrio, quando as pretendemos juntar e elas, quanto mais se lhes mexe, mais se dividem e nos fogem.
Esta é uma situação que ocorre, quando é o caso de se partir um termómetro.
– “Fateixa” (literalmente, “buscadora”, em Árabe), espécie de gancho ou pequena âncora, embora de braços mais finos, utilizada para reaver qualquer objecto caído num poço, como seja um balde, que pega pela asa deste e permite içar.
– “Almarear”, ficar tonto (mesmo sentido em Árabe).
“Já ‘tou almareado de andar às voltas”, dizia-se.
– “Anexim”, alcunha (O mesmo em Árabe).
– “Comua” (literalmente, “lixo”, “imundície”).
Utilizava-se, popularmente, na expressão “fecha a comua”, no sentido de “cala-te ! “, “fecha a boca, não digas asneiras !”, quando da boca de alguém estão saindo parvoíces, equiparadas ao remoto sentido “lixo” etimológico árabe.
– “Xarifa” (literalmente, “racha”, “vulva”, “vagina”).
Imagine-se, a utilização na frase: “Tap’ a su’ moça. Na vê k’el’anda de xarifa ó léu ?”.
Refira-se que o termo “xarifa” podia ser utilizado na linguagem normal, por não ser de conotação pesada.
Finalmente, a resposta à origem da palavra “nesga”: provém do ár. “nasaq” (literalmente, “sequência”), espaço diminuto, fresta.
Muitos mais termos de antanho, de origem árabe, ouvi ainda, ao longo da minha juventude, na minha terra, São Bartolomeu de Messines, transmitidos “de ouvido”, pelo povo analfabeto, e mantidos, de geração em geração, ao longo de doze séculos, termos que em mais nenhum local registei.
Após ter lido o meu comentário, acima, alguém me telefonou, a pedir que aqui deixasse igualmente a respectiva palavra árabe das que enunciei.
Com muito gosto, aqui vão:
– “Azougue” (do ár. ár. az-zârîq)
– “Fateixa” (do ár. fattâxa)
– “Almarear” (do ár. al-marra)
– “Anexim” (do ár. na-naxîd )
– “Comua” (do ár. qumâx)
– “Xarifa” (do ár. xarîfa)
Inúmeros outros termos poderia aduzir, de que o nosso povo messinense guardava a ancestral memória e os tempos fizeram perder, os quais, de que eu tenha conhecimento, já em mais nenhum outro lugar existiam.
O milenar casco antigo da nossa terra – embora como testemunha muda – melhor do que “ninguém” poderá confirmar a ancestralidade secular desse falajar árabe de que falo, cujos sons se ouviam pelas suas ruelas e travessas, e de ele próprio é parte viva, desde esses coevos tempos, razão por que a sua cultura, o seu edificado, as suas pedras ruivas (arenito), que afloram do solo, ainda virgens e tudo o que o integra devem ser tratados, pelas autoridades que o tutelam, com o respeito e vetustez que merece, de modo a que não seja descaracterizado, algo que lamentaríamos irremediavelmente.
Rectifico, no meu segundo comentário, o termo árabe que, erradamente, grafei para a palavra “anexim”, como “na-naxîd”, quando deverá ser “an-naxîd” (a alcunha).
A talho de foice, posso acrescentar que o elemento “an-“ nada mais é do que o conhecido artigo definido árabe “al-“.
No caso, ele passa a “an-“, visto que a palavra seguinte principia pela consoante /n/ (cuja designação, na língua árabe, é “nūn”), sendo que, como esta consoante é solar, logo, provoca a assimilação do /l/ do “al” para /n/, passando, pois, a “an-“.
As minhas desculpas pelo lapso