Proponho ao leitor mais uma reflexão à roda desta questão da estabilidade emocional e da forma como podemos desenvolver a nossa inteligência emocional. Esta tem sido uma temática recorrente, pela importância que a saúde mental tem nas nossas vidas, não estivesse ela cada vez mais na ordem do dia, face aos números alarmantes de situações de desequilíbrio e consumo de fármacos, nomeadamente antidepressivos e ansiolíticos.
Como podemos desenvolver a nossa inteligência emocional, para assim atingirmos um maior equilíbrio? Impõe-se aqui logo uma primeira pergunta: Costuma pensar sobre as suas emoções?
Raramente paramos para pensar no que a emoção que estamos a sentir representa. Ainda mais difícil é “olhá-la nos olhos” e aprender com isso. Na maioria das situações deixamo-nos levar por um turbilhão de emoções sem as identificar ou compreender. Quantas vezes se demonstra RAIVA e na realidade o que se sente é FRUSTRAÇÃO. Quantas vezes se demonstra ÓDIO e na realidade se sente é MEDO.
Já se sentiram confusas em relação às vossas emoções? Já explodiram por razões tão insignificantes que, depois de pensar sobre o assunto, se sentem surpreendidas com a vossa própria atitude? Já perderam oportunidades porque sentiram dificuldade em expressar a vossa opinião de forma assertiva, sem deixarem a raiva dominar ou a insegurança bloquear? Todos nós já passamos por situações similares em algum momento da vida. Talvez ainda não se tenha dado conta que pode lidar com estas situações e sair delas de uma forma mais adequada, se conhecer melhor o seu mundo interno e as suas emoções. É frequente achar-se que não é possível mudar: “Eu sou assim…”, “Sempre fui assim…”; já o meu… era assim…”; “sou igual a …” , são expressões vulgarmente escutadas. Mas na verdade… Não gostamos de admitir que estamos a agir de uma forma imatura. Achamos que como adultos somos maduros e sabemos lidar com a vida. Como se uma condição fosse necessária e suficiente para a outra.
“Agi assim, porque aquela situação exigia que fosse assim. Não havia outra alternativa!” – Orgulho ferido!
Contudo, a maturidade não se conquista exclusivamente com a idade. São necessárias experiências de vida diferentes e abertura da mente. Basta olharmos à nossa volta e conseguiremos identificar adultos imaturos que propagam ódios e contagiam de forma negativa quem está à sua volta, pois quem maioritariamente fala é a “criança interna” que foi ferida em algum momento da sua vida.
Que fazer então? Como melhorar?
Devemos fortalecer a nossa inteligência emocional. É ela que nos faz crescer como seres humanos e nos faz progredir com sentido e propósito de vida. Assim, é fundamental:
. desenvolver a capacidade de lidar com as emoções e usá-las a seu favor,
. desenvolver a capacidade de fazer escolhas conscientes. Agir, em vez de reagir em piloto automático,
. compreender as emoções dos outros,
. desenvolver a capacidade de criar motivações pessoais e persistir no objetivo, apesar das dificuldades,
. controlar os impulsos, sabendo aguardar pela satisfação dos desejos pessoais, mantendo o humor e impedindo que a ansiedade interfira na capacidade de raciocinar
A capacidade de identificar e compreender os sentimentos e emoções vai ajudar a escolher os melhores caminhos a seguir. A ausência de inteligência emocional, leva a que nos deixemos arrastar pelas emoções e a fazer más escolhas. Bons exemplos disto mesmo, são os comportamentos de agressividade física/verbal no trânsito ou nos estádios de futebol, ou ainda o comportamento compulsivo de comer ou beber para “afogar” as frustrações.
O desenvolvimento de uma boa inteligência emocional permite a crianças, jovens e adultos, uma melhor comunicação, mais otimismo e menos depressão, mais empatia, menos medo, menos comportamentos de consumo excessivo, mais sucesso na vida pessoal e profissional, entre outros benefícios.
A mudança não é fácil. Implica trabalho e desenvolvimento da autoconsciência. É preciso estar atento ao mundo interno e promover as mudanças de forma progressiva e, se necessário, pedir ajuda para este processo. Admitir e aceitar a vulnerabilidade individual, é um ato de maturidade.
Um primeiro passo: Observe a sua respiração. Ela é um “termómetro” do seu estado emocional, Se estiver mais calma, a sua mente também fica mais calma. Inspire pelo nariz, leve o ar para a barriga, sustenha por uns breves segundos e expire pela boca lentamente. Comece por ai!
“ A inteligência é o único meio que possuímos para dominar os nossos instintos e nos mantermos em equilíbrio. “ – Sigmund Freud








