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EconomiaEconomia & Emprego

Apenas 26% dos portugueses consideram comprar ou vender objetos em segunda mão

Terra Ruiva
Última Atualização: 2021/Ago/Qua
Terra Ruiva
5 anos atrás
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De acordo com o estudo europeu realizado pelo Echangeur, um dos centros de investigação económica do departamento Prospetivo do Cetelem – BNP Paribas Personal Finance, 26% dos portugueses consideram comprar objetos, livros ou roupa em segunda mão a outros indivíduos. As conclusões constam do Circular Economy Book, divulgado este mês, e tem por base os dados do Access Panel, plataforma que reuniu respostas de 14 000 indivíduos na Bélgica, Espanha, França e Portugal em 2020.

Entre os 10 perfis de consumo avaliados, a que corresponderão os estilos de vida mais comuns em Portugal, os Casais Jovens (32%) são os que aderem mais à segunda mão, nomeadamente através de serviços que permitam comprar ou vender a outros indivíduos (CtoC). Além de estarem bastante preocupados com a sustentabilidade, veem nestas práticas uma forma de minimizar o peso significativo das despesas pré-alocadas, permitindo que vivam experiências de vida com menos pressão financeira.

Em segundo lugar, encontram-se as Famílias Pressionadas (31%) financeiramente, seguidas pelas Famílias Estrategas (30%), ambas por razões orçamentais, uma vez que lhes permite poupar. Já para as Famílias Abastadas (28%) e os Casais Ouro de Meia-Idade (28%) a compra ou venda em segunda mão parece ser uma oportunidade para poderem comprar bens de luxo, além de uma forma de limitar o impacto ambiental. Os Trabalhadores Solteiros (27%) completam o TOP 5 desta lista, existindo maior envolvimento em serviços de compra e venda a outros indivíduos entre os que têm menos de 45 anos, uma vez que os ajuda a contrabalançar o peso das despesas pré-alocadas que suportam sozinhos.

Os Seniores Solitários (19%), de todos os perfis, são os que menos aderem a esta prática, maioritariamente porque esta geração tende a favorecer a propriedade.

 

A preferência por alugar em vez de comprar

Segundo os dados do estudo Cetelem, de forma geral, 29% dos portugueses estariam dispostos a optar pela prática de alugar em vez de comprar. 21% alugariam, por exemplo, um carro; 7% um Smartphone; 5% um Tablet ou um computador; e 5% um Eletrodoméstico.

Entre os perfis que estão mais dispostos a aderir ao aluguer, encontram-se as Famílias Abastadas (45%), principalmente por estarem muito comprometidas com a economia circular e também devido à margem de manobra e conforto orçamental. 36% das Famílias Estrategas e 32% dos Casais Jovens também estão entre os perfis mais dispostos a alugar em vez de comprar certos equipamentos. Sensíveis aos benefícios dos serviços de leasing em geral, as Famílias Pressionadas (31%) demonstram estar prontas a adotar essa prática e a economia de custos surge como o principal incentivo.

Os Modestos de Meia-Idade (23%), por outro lado, são os menos envolvidos nestas práticas, preferindo muitas vezes adquirir os equipamentos/produtos do que alugar.

Portugueses escolhem comprar a produtores locais

O estudo revela igualmente que 36% dos portugueses compram bens alimentares diretamente aos produtores locais. Os Seniores Solitários (44%), entre todos os perfis analisados, são os que o fazem mais vezes, potencialmente por valorizem as recomendações de pessoas de confiança, como, por exemplo, de comerciantes conhecidos.

Seguem-se os Modestos de Meia-idade (39%), uma vez que se encontram mais inclinados para o consumo tradicional. No entanto, apesar de estes casais serem sensíveis à compra de produtos locais diretamente aos produtores, os baixos rendimentos impedem-nos de considerar a sustentabilidade enquanto critério nas suas decisões de compra.

Já 39% das Famílias Abastadas compram bens alimentares diretamente a produtores locais porque têm os meios e a vontade de realizar um consumo sustentável; e 37% dos casais ouro de meia-idade porque favorecem a qualidade, o que os pode levar a envolverem-se mais em práticas de economia circular.

10 perfis e a economia circular

Famílias Abastadas: Campeãs da economia circular

As famílias abastadas aparecem como campeãs da economia circular, pois são o perfil que adotou a economia circular mais profundamente nos seus hábitos. Como beneficiam de margens orçamentais, estão na vanguarda do consumo e podem integrar práticas mais circulares. Estas famílias não hesitam em comprar produtos caros que parecem ser os melhores em termos de qualidade, impacto ambiental e saúde.

Jovens Adultos, Casais Jovens, Famílias Estrategas e Casais Ouro de Meia-Idade

Simpatizantes da economia circular

Encarando a economia circular como uma forma de reduzir custos, enquanto vivem experiências de vidas gratificantes, os jovens adultos despreocupados, os casais jovens, as famílias estrategas e os casais ouro de meia-idade são simpatizantes da economia circular. Regra geral, não são proprietários e demonstram interesse pelos serviços de aluguer, sendo também atraídos pelas compras a outros indivíduos (CtoC). Estes encontram-se, também, bastante preocupados com as questões ambientais.

Os jovens adultos despreocupados têm um orçamento reduzido e, por isso, favorecem os serviços CtoC como a compra ou venda em segunda mão (26%), assim como sites de reservas na Internet ou troca de alojamento (29%). São pró-consumo sustentável, mas a preocupação com os preços dificulta um compromisso mais profundo com a sustentabilidade nas decisões de compra. Contudo, no que toca à tecnologia os jovens adultos estão dispostos a pagar preços mais elevados por artigos de melhor qualidade e duráveis (44%).

Os casais jovens lidam com economia circular como um meio para moldar o futuro do seu agregado familiar com redução de custos, enquanto vivem experiências. Estes incorporaram fortemente os serviços CtoC nas suas práticas, principalmente para fazer face às despesas a que estão sujeitos. De facto, a compra e venda, em segunda mão (32%), sites de reservas na Internet ou troca de alojamento (26%) são muito populares entre este grupo.

As famílias estrategas parecem estar prontas à compra ou venda em segunda mão (30%), pois permite-lhes ter produtos de qualidade a um preço mais baixo. Apesar de estarem conscientes do papel que têm a desempenhar a nível ambiental, não dão prioridade à sustentabilidade quando compram um produto, nomeadamente por razões orçamentais.

Os casais ouro de meia-idade possuem os rendimentos e bens mais elevados de todos os perfis e têm uma capacidade de poupança significativa. Mesmo que a sustentabilidade nas decisões de compra não surja como uma grande preocupação, quando compram um produto são muito sensíveis à boa qualidade e estão dispostos a pagar por isso.

Famílias Pressionadas, Trabalhadores Solteiros e Modestos de Meia-Idade

Indivíduos que estão um pouco envolvidos nas práticas de economia circular

Entendendo a economia circular como um meio para economizar custos e fazer face ao elevado peso das despesas pré-alocadas a que se submetem, as famílias pressionadas, os trabalhadores solteiros e os modestos de meia-idade, aparecem como pouco empenhados na economia circular.

As famílias pressionadas são o perfil mais limitado em termos de orçamento e veem a economia circular como um meio de redução de custos. A sustentabilidade nas decisões de compra não é uma preocupação para estas famílias, pois não se encontram numa posição em que possam comprar produtos de menor impacto ambiental, por terem um preço mais elevado.~

Dentro dos trabalhadores solteiros existem dois grupos: os 30-44 anos e os 45-59 anos. Estão ambos ligados por um traço comum que é o de viverem sozinhos e suportarem as despesas pré-alocadas. Estas duas subpopulações, devido ao seu intervalo geracional, têm hábitos distintos, o que altera a forma como se envolverem na economia circular. Ambos parecem considerar a sustentabilidade como um critério importante na compra de um produto. No entanto, como têm muitas despesas, o preço surge, especialmente para aqueles com mais de 45 anos, como um critério importante nas suas decisões de compra.

Os modestos de meia-idade são indivíduos com baixo rendimento, com bastantes despesas e uma capacidade de poupança limitada. São fiéis ao consumo mais tradicional e não parecem mudar para se envolverem em práticas de economia circular, até porque estão menos envolvidos digitalmente. Apesar de parecerem sensíveis à compra de produtos locais diretamente aos produtores (39%), o seu baixo rendimento impede-os, de considerarem a sustentabilidade como um critério nas decisões de compra (dando preferência a produtos de baixa qualidade).

Os Casais Reformados e os Seniores Solitários

Idosos não são atraídos por serviços ligados à economia circular

 Estando mais inclinados para o consumo mais tradicional, onde a propriedade é importante, os casais reformados e os seniores solitários não aparecem como alvos estratégicos dos serviços de economia circular, nomeadamente por razões geracionais. Contudo, como os casais reformados estão ligados à sustentabilidade, os princípios da economia circular estão bem enraizados na sua mentalidade. Os casais reformados e os seniores solitários estão longe do uso do CtoC, em comparação com os outros perfis.

Metodologia

O inquérito quantitativo do Echangeur by BNP Paribas Personal Finance foi realizado através de um painel online (Access Panel). Este teve por base uma amostra nacional representativa de 4 000 indivíduos com mais de 18 anos de idade. O trabalho de campo foi realizado em duas fases: 3 000 indivíduos foram entrevistados em janeiro de 2020 e 1000 em setembro de 2020. Fundado em 1997, o Echangeur BNP Paribas Personal Finance faz parte do Departamento Prospetivo do Cetelem BNP Paribas Personal Finance e tem como principal objetivo acompanhar e analisar a aplicação das tendências tecnologias no retalho, além de partilhar o impacto que a inovação tecnológica tem no comércio e nos comportamentos dos consumidores no futuro.

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