No âmbito das comemorações do Centenário do Partido Comunista Português que ontem, dia 6 de março, se festejou com uma série de iniciativas por todo o país, realizou-se em Silves, junto à Fissul, uma ação comemorativa desta data.
Esta ação, à semelhança de outras que à mesma hora decorreram no Algarve teve o lema «Liberdade, Democracia, Socialismo – Pelos direitos, a melhoria das condições de vida e o progresso social. Contra a exploração e o empobrecimento», e pretendeu, “a denúncia dos problemas com que o País está confrontado e a exigência de uma política que responda aos problemas, aos anseios e reivindicações dos trabalhadores e do povo português, da alternativa patriótica e de esquerda, pela democracia avançada, pelo socialismo.”
A fundação ( Texto publicado pelo Museu do Aljube Resistência e Liberdade)
A 6 de março, no ano de 1921, na sede da Associação dos Empregados de Escritório, em Lisboa, realizava-se a reunião que fundaria o Partido Comunista Português.
“A fundação do PCP, em 6 de março de 1921, não foi fruto do acaso nem de uma decisão arbitrária. Foi a expressão de uma necessidade histórica da sociedade portuguesa. Foi o resultado da evolução do movimento operário português ao atingir um determinado estádio de desenvolvimento”.
A partir da vontade dos trabalhadores, sob o impacto internacional da Revolução de Outubro de 1917, a fundação do PCP influenciou o percurso do movimento operário português, a resistência antifascista e a luta pela liberdade.
Ilegalizado após o golpe militar de 28 de maio de 1926, o PCP foi forçado à clandestinidade sob forte repressão. É nessa nova etapa, depois de 1929, que Bento Gonçalves tem um papel muito importante, com a criação da imprensa clandestina (o “Avante!” e “O Militante”) e na definição de orientações para uma estratégia de enraizamento popular.
As inúmeras prisões e perseguições que atingiram a sua atividade obrigaram à reorganização de 1940-1941, cujas decisões foram decisivas para que o PCP tivesse resistido como nenhum outro partido à violência da repressão fascista durante os 48 anos do regime, alargasse a sua influência no território nacional, promovesse a unidade antifascista e definisse a via insurrecional para o derrubamento do fascismo. Ao longo deste processo Álvaro Cunhal teve um papel central, integrou o Secretariado de 1942 a 1949, período durante o qual contribui decisivamente para a definição de identidade do PCP, e em março de 1961 foi eleito Secretário-geral, intervindo decisivamente para a correção do chamado desvio de direita e no “Rumo à Vitória” sobre a unidade antifascista e as condições que levariam ao 25 de Abril de 1974.
No VI Congresso (1965), num período de crise da ditadura e guerra colonial, o “Programa do PCP para a revolução democrática e nacional” definia como objetivos a liquidação do poder dos monopólios, a reforma agrária, a libertação de Portugal do imperialismo e o direito dos povos das colónias portuguesas à independência.
Com o 25 de Abril de 1974 torna-se um Partido legal e participa ativamente no processo revolucionário, integrando os Governos Provisórios entre 1974 e 1976. Em outubro de 1974 realizou o seu VII Congresso (Extraordinário), o total dos anos passados na prisão pelos então 36 membros do Comité Central ultrapassava os 300 anos.
O PCP assinala em 2021 o seu centenário. A gerações e gerações de mulheres e homens que foram perseguidos, presos, torturados, e até assassinados, e que contribuíram decisivamente para a conquista da liberdade e da democracia, o Museu do Aljube Resistência e Liberdade presta homenagem.