Ao utilizar este site, concorda com a nossa politica de privacidadePolitica de Privacidade e Termos e Condições.
Accept
Terra RuivaTerra RuivaTerra Ruiva
  • Concelho
  • Sociedade
    • Ambiente & Ciência
    • Cultura
    • Educação
    • Entrevista
    • História & Património
    • Lazer
    • Política
  • Opinião
  • Vida
  • Economia & Emprego
  • Algarve
  • Desporto
  • Autores
    • António Eugénio
    • António Guerreiro
    • Aurélio Cabrita
    • Carlos Osório
    • Clara Nunes
    • Débora Ganda
    • Eugénio Guerreiro
    • Fabrice Martins
    • Francisco Martins
    • Frederico Mestre
    • Helena Pinto
    • Inês Jóia
    • José Quaresma
    • José Vargas
    • Maria Luísa Anselmo
    • Maria José Encarnação
    • Miguel Braz
    • Paula Bravo
    • Paulo Penisga
    • Patricia Ricardo
    • Ricardo Camacho
    • Rocha de Sousa
    • Rogélio Gomes
    • Sara Lima
    • Susana Amador
    • Teodomiro Neto
    • Tiago Brás
    • Vera Gonçalves
  • Página Aberta
  • AUTÁRQUICAS 2025
    • AUTÁRQUICAS 2021
  • Edições
Reading: A Lua sobre Armação de Pêra – Silves no I Festival do Algarve de 1964
Partilhe
Font ResizerAa
Terra RuivaTerra Ruiva
Font ResizerAa
  • Home
  • Demos
  • Categories
  • Bookmarks
  • More Foxiz
    • Sitemap
Follow US
  • Advertise
© 2022 Foxiz News Network. Ruby Design Company. All Rights Reserved.
História & PatrimónioSociedade

A Lua sobre Armação de Pêra – Silves no I Festival do Algarve de 1964

Última Atualização: 2026/Out/Sex
Carlos Osório
1 hora atrás
Recriação livre de IA (Gemini) da Festa da Lua no dia 20 de agosto de 1964
PARTILHE

Na noite de 20 de agosto de 1964, uma voz que já era a mais célebre de Portugal ecoou sobre a praia de Armação de Pêra. Amália Rodrigues, acompanhada à guitarra por Domingos Camarinha e à viola por Costa Mota, cantou fado à beira-mar, depois de um passeio de barco às furnas e antes de uma ceia de amêijoas, peixe assado e sardinha regada a música algarvia. Chamava-se, no programa oficial, “Festa da Lua”, e era um dos momentos altos do I Festival do Algarve, que teve em Silves, e no seu concelho, um dos seus palcos principais.

A “Capital Antiga” abre o pano

O Festival abriu a 12 de agosto, e abriu em Silves. O programa, publicado no Jornal do Algarve de 25 de julho de 1964, anunciava para essa noite as “Cortes Poéticas” e a representação da Lenda das Amendoeiras dentro das muralhas do castelo — o mesmo que a legenda de uma fotografia da época descreve, sem rodeios, como “o castelo da antiga capital do Algarve”. Para dar à cena um sabor de autenticidade histórica, os organizadores fizeram vir uma orquestra do Norte de África e declamadores árabes, que recitaram poesia arábico-andaluza de poetas que viveram nesta província ou lhe cantaram as belezas. O programa não nomeia os poetas evocados, mas é difícil não pensar em Ibn Ammar (1031-1086), nascido em Silves e uma das vozes maiores da poesia andaluza do século XI — mais apropriado a essa evocação, de resto, do que o seu amigo e mais tarde rival Al-Mutâmide, que passou a juventude em Silves como governador, mas cujo essencial da obra e da fama de “rei-poeta” pertence já à fase de Sevilha e ao exílio final em Marrocos.

Sobre a peça representada há uma coincidência que merece registo, embora não possa aqui ser dada como certa: A Lenda das Amendoeiras é também o título de um bailado com argumento da própria Fernanda de Castro, estreado em 1940 no Teatro da Trindade pelo Grupo de Bailados Portugueses Verde Gaio, com música de Jorge Croner de Vasconcelos e cenários de Maria Keil do Amaral. É muito provável — mas não está confirmado por nenhuma fonte que eu tenha localizado — que a representação em Silves fosse uma adaptação dessa mesma obra, transportada do palco lisboeta para o cenário “autêntico” de um castelo mouro.

A senhora que dirigia o espetáculo

A comissão diretiva do Festival era presidida por Fernanda de Castro (1900-1994), poetisa, romancista e viúva, desde 1956, de António Ferro — o antigo diretor do Secretariado de Propaganda Nacional que, nos anos 30 e 40, tinha feito da encenação cultural um instrumento de política de Estado, e cuja “máquina de propaganda” já promovia o Algarve muito antes de 1964. Convém não exagerar a novidade do Festival: a região tinha, desde os anos 1920 e 1930, casino, hotéis de referência na Praia da Rocha e comissões de iniciativa turística ativas. O que este I Festival trazia de facto novo era a ambição de reunir, num só programa e sob uma só direção, festejos em seis concelhos do Algarve ao longo de um mês inteiro — o que o próprio Jornal do Algarve, na primeira página, descrevia como um “ensaio, com algumas deficiências”, chamado a abrir “a série de festivais anuais” que se pretendia viesse a ter “projeção internacional”.

A Festa da Lua

Do programa completo, divulgado pelo Jornal do Algarve, sabemos que a Festa da Lua em Armação de Pêra incluía passeio de barco às furnas com música, passeio na praia ao som de guitarras e violas, banho da meia-noite e ceia com os petiscos algarvios de sempre — amêijoas, peixe assado, sardinha — acompanhada por música da terra. É desta noite, e não de outra, que vem a atuação de Amália Rodrigues já referida: o programa nomeia expressamente os seus acompanhantes, Domingos Camarinha e Costa Mota, o que confere ao episódio uma solidez documental pouco comum para este tipo de memória local.

Silves volta a entrar em cena

O concelho não ficou pelas duas datas de agosto. A 6 de setembro, já integrado no dia dedicado a Portimão, o programa previa um passeio de barco daquela vila até Silves, com café e doces servidos a bordo; a chegada estava marcada para as 15h30, com “descantes e harmonias” à espera dos visitantes, e o regresso a Portimão, ao fim da tarde, animado por música e bailado. Silves funcionava, assim, como destino de uma pequena excursão fluvial dentro do próprio Festival — uma espécie de digressão dentro da digressão, que hoje é fácil de esquecer, mas que a imprensa de 1964 registou com o mesmo detalhe minucioso dedicado às restantes localidades.

O que resta

Do I Festival do Algarve subsiste, ao que apurámos, uma placa comemorativa entretanto descerrada — não localizámos, porém, data nem local exatos desse ato — e um punhado de fotografias dispersas por arquivos familiares, algumas delas de proveniência e direitos de autor por esclarecer. Fica também, sessenta e dois anos depois, esta pergunta em aberto para os leitores da Terra Ruiva: haverá, nas gavetas do concelho, quem se lembre desse verão em que Silves recebeu poetas árabes dentro do seu castelo e Amália cantou à meia-noite, numa praia de Armação de Pêra iluminada pela lua?

 

 

 

Teatro Sénior de São Marcos da Serra apresenta espetáculo em Silves
Exposição “Alfarroba- Memória(s) de uma vida, na Fábrica do Inglês
“Elektronic Sessions” no Mercado de Messines
Junta de Freguesia de Silves atribui bolsas de estudo para alunos no Ensino Superior
Cursos de Língua Árabe em Silves com inscrições abertas
TAGGED:A festa da LuaAmália RodriguesArmação de PêraCarlos OsórioI Festival do Algarve 1964
Partilhe este artigo
Facebook Email Print
PorCarlos Osório
Nasci em Angola, em 1963 e vivo em Portimão. Fiz os estudos secundários em Coimbra e em 1990, conclui a licenciatura em Línguas e Literaturas Modernas. Em 2003, conclui na Universidade de Aveiro a Pós-Graduação em Multimédia Educacional. Em 2015, na Universidade do Algarve, concluí o Mestrado em Produção, Edição e Comunicação de Conteúdos Multimédia. Fui na Universidade Aberta, de 2007 a 2010, professor da disciplina Os Media na Educação. Sou docente do quadro do Agrupamento de Escolas Júdice Fialho– Portimão e coordenador da Equipa da Escola Digital. Sou Formador em Novas Tecnologias e Fotografia Digital no Centro de Formação de Professores Portimão-Monchique Publiquei cinco livros: Francisco Oliveira: um Fotógrafo de Portimão. Arandis 2016; Fonseca Dias (1874-1959), um Fotógrafo de Vila Nova de Portimão. Arandis. 2016; Um Algarve com Sentidos: Fotobiografia e inéditos de Júlio Bernardo. Platibanda. 2018; Portimão 100 anos 100 fotografias. 1000Olhos. 2024; 65 Anos da ANIS/CNP, História de um Clube. Edição do CNP. 2026
Artigo Anterior Feira de Todos os Santos em Silves
Sem comentários

Deixe um comentário Cancelar resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Últimas

Feira de Todos os Santos em Silves
Concelho
Horóscopo semanal, por Maria Helena Martins
Astrologia Vida
ALGARVE 2030- tem de executar 58 milhões de euros até ao final do ano
Economia Economia & Emprego
Mais de 60% dos pais defende a proibição de telemóveis e redes sociais
Pessoas Vida
Corte de água em Silves, no dia 27 de outubro
Concelho

– Publicidade –

Jornal Local do Concelho de Silves.

Links Úteis

  • Notícias
  • Estatuto Editorial
  • Ficha Técnica

Publicidade

  • Publicidade & Assinaturas
  • Conteúdo Patrocinado

Info Legal

  • Contactos e Info Legal
  • Termos e Condições
  • Politica de Privacidade

Siga-nos nas Redes Sociais

© Copyright 2025, Todos os Direitos Reservados - Terra Ruiva - Created by Pixart
Ajustes de acessibilidade

Com tecnologia de OneTap

Durante quanto tempo queres ocultar a barra de acessibilidade?
Duração de ocultação da barra
Perfis de acessibilidade
Modo de Deficiência Visual
Melhora os elementos visuais do site
Perfil Seguro para Convulsões
Remove flashes e reduz cores
Modo Amigável para TDAH
Navegação focada, sem distrações
Modo de Cegueira
Reduz distrações, melhora o foco
Modo Seguro para Epilepsia
Escurece cores e para o piscar
Módulos de conteúdo
Tamanho do ícone

Padrão

Altura da linha

Padrão

Módulos de cor
Módulos de orientação
Welcome Back!

Sign in to your account

Username or Email Address
Password

Lost your password?