A preparação para a época alta do turismo está a acelerar o mercado de trabalho no Algarve, que registou uma redução de 23,3% do desemprego na primavera face ao mês anterior, segundo a mais recente análise mensal da Randstad Research baseada em dados do INE, do IEFP e da Segurança Social. O desempenho da região destaca-se num contexto nacional marcado pelo crescimento do emprego e pela descida da taxa de desemprego.
No arranque da preparação para o verão, o desemprego no Algarve diminuiu substancialmente, recuando 23,3% (menos 3.971 inscritos face a março). Esta queda contrasta de forma expressiva com os aumentos na ordem dos 60% observados durante os meses de inverno, evidenciando um mercado de trabalho fortemente condicionado pela sazonalidade da atividade turística.
Embora o Algarve demonstre uma elevada capacidade de absorção da mão de obra disponível nos períodos de maior procura, a repetição anual deste padrão evidencia os desafios estruturais que as empresas da região enfrentam para assegurar maior estabilidade laboral e promover a retenção de talento ao longo de todo o ano.
Isabel Roseiro, diretora de Marketing da Randstad Portugal, afirma que “Os dados que observamos no Algarve exigem uma reflexão urgente na gestão de talento. Mais do que reagir aos picos de procura, as empresas precisam de repensar as suas estratégias, passando de uma visão puramente sazonal para uma aposta em carreiras sustentáveis. A solução para mitigar esta extrema volatilidade passa por reinventar a proposta de valor para o colaborador: investir na requalificação das equipas durante os meses de menor atividade, criar modelos contratuais mais flexíveis e apostar num ‘employer branding’ forte que mantenha os profissionais vinculados à organização o ano inteiro.”
Emprego aumenta e taxa de desemprego recua para 5,7%
Em abril de 2026, as estimativas provisórias mensais revelam que o emprego no país conheceu um aumento de 23.000 pessoas face ao mês de março (+0,4%), continuando a ultrapassar a fasquia dos 5,3 milhões para atingir os 5.344.700 profissionais empregados.
Em termos homólogos, a evolução é ainda mais expressiva, com o mercado a conseguir integrar mais 120.500 trabalhadores (+2,3%), o que impulsionou a taxa de emprego para os 66,2% (um aumento de 1 p.p. face ao ano anterior). Este dinamismo refletiu-se igualmente no crescimento da população ativa, que teve um aumento mensal de 19.900 pessoas e homólogo de 95.200, contabilizando agora um total de 5.666.800 ativos, e voltando a valores recorde.
Paralelamente, a taxa de desemprego recuou para os 5,7%, assinalando uma diminuição de 3.300 pessoas (-1%) face a março, para um total de 322.000 desempregados em Portugal. A análise demográfica mostra que a queda mensal do desemprego se concentrou nas mulheres (-3.700 pessoas; -2,1%) e nos jovens dos 16 aos 24 anos (-3.600 pessoas; -5,1%), contrastando com os ligeiros aumentos registados entre os homens (+400) e os adultos dos 25 aos 74 anos (+300).
Contudo, numa perspetiva homóloga, o cenário é de recuperação generalizada, com o desemprego a diminuir em todos os grupos populacionais, com especial destaque para a redução de 10% nas mulheres e de 10,3% nos jovens.
Em abril, o comportamento ditou uma queda nos pedidos de emprego (-2,7%) e o desemprego registado recuou 4,2% face a março, totalizando 295.756 pessoas, segundo os dados do IEFP. Adicionalmente, a procura de talento por parte das empresas intensificou-se: no final do mês, existiam 16.458 ofertas de emprego por preencher, o que representa um aumento mensal expressivo de 12,3% (+1.754 ofertas). Ao longo de abril, foram recebidas 11.919 novas ofertas de emprego, dinamizadas principalmente pelo setor dos serviços (8.567 ofertas), e o serviço público realizou 9.051 colocações a nível nacional.
Em termos de rendimentos, a remuneração média por trabalho dependente declarada à Segurança Social (referente a março) fixou-se nos 1.592,11€. Este valor assinala um crescimento de 1% face a fevereiro e de 4,2% em comparação com março de 2025. Lisboa e Setúbal apresentam os valores mais altos, com 1.852,50€ e 1.673,28€ respetivamente, enquanto a região de Beja continua a registar as remunerações mais baixas (1.308,99€).






