A obra de construção da primeira Estação de Dessalinização de Água do Mar (EDAM) em Portugal, irá iniciar-se na próxima semana, para entrar em funcionamento em 2028.
Em comunicado divulgado hoje, a empresa Águas do Algarve anuncia que “a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) aprovou o arranque da construção da primeira Estação de Dessalinização de Água do Mar (EDAM) em Portugal Continental, assinalando um momento histórico na estratégia nacional de gestão dos recursos hídricos.
O projeto, considerado estruturante para reforçar a resiliência do Algarve face às alterações climáticas e à escassez de água, permitirá transformar água do mar em água potável, contribuindo para um abastecimento mais estável e seguro, particularmente numa região reconhecidamente vulnerável a fenómenos de seca.”
De acordo com a APA, “esta decisão surge na sequência da conclusão da apreciação dos elementos prévios ao início da obra, no âmbito da Decisão de Conformidade Ambiental do Projeto de Execução (DCAPE), emitida a 25 de novembro de 2025, que determinou a viabilidade da infraestrutura, condicionada ao cumprimento de um conjunto rigoroso de medidas de mitigação, minimização, monitorização e compensação ambiental.”
A futura unidade recorrerá a um processo avançado de dessalinização, concebido para assegurar elevados níveis de fiabilidade operacional, flexibilidade e capacidade de resposta às necessidades do sistema de abastecimento. O projeto integra ainda soluções orientadas para a otimização do consumo energético, com recurso a equipamentos de elevada eficiência e a sistemas de recuperação de energia, permitindo reduzir o esforço global do processo e reforçar o seu desempenho ambiental.
Numa primeira fase, a infraestrutura terá capacidade para produzir até 16 hectómetros cúbicos de água por ano, podendo ser ampliada futuramente para 24 hectómetros cúbicos por ano. Este reforço será determinante para assegurar o abastecimento público, apoiar as atividades económicas e reduzir a pressão sobre as reservas de água doce, constituindo uma origem alternativa robusta e estratégica.
Ainda segundo o comunicado, “a infraestrutura foi concebida de forma a garantir uma integração responsável no território, minimizando os impactes sobre os ecossistemas marinhos e terrestres. O projeto incorpora um conjunto de medidas ambientais destinadas à proteção da biodiversidade, à preservação dos recursos naturais e à monitorização contínua dos efeitos da operação, assegurando o cumprimento das melhores práticas e das exigências legais aplicáveis. Esta abordagem reflete o compromisso com uma gestão equilibrada entre a necessidade de reforço da disponibilidade hídrica e a salvaguarda dos valores ambientais.”
A Águas do Algarve, entidade responsável pelo sistema multimunicipal de abastecimento de água e saneamento na região, assume um papel central na concretização deste projeto, “assegurando a sua articulação com o sistema existente e garantindo que esta nova origem de água contribua de forma eficiente, segura e sustentável para o abastecimento público.”
O investimento será executado pelo Agrupamento Complementar de Empresas – ACE, formado pelas empresas Luságua- Serviços Ambientais, S.A; Aquapor- Serviços, S.A. e GS Inima Environment, S.A.U. Nesta conformidade, foi ontem, dia 22 de Abril de 2026, assinado o Auto de Consignação da Empreitada do Sistema Multimunicipal de Abastecimento de Água e de Saneamento do Algarve, a “Conceção-construção e exploração do Sistema de Dessalinização na Região do Algarve”.
Protestos
De recordar que a decisão da construção da dessalinizadora no Algarve não reúne consenso, quer do ponto de vista da sua localização, no concelho de Albufeira, junto à Praia da Falésia, quer do ponto de vista da sua eficácia, o que tem sido contestado pela PAS- Plataforma que reúne uma série de associações ambientalistas que se pronunciaram contra esta decisão, desde o início do projeto.







