O portal imobiliário idealista publicou uma análise ao mercado imobiliário sobre a evolução da oferta de habitação e dos preços entre 2020 e 2025, por capitais de distrito e regiões autónomas.
Os dados mostram uma transformação profunda do mercado, movendo a oferta para escalões de preços cada vez mais elevados e afastando as famílias dos patamares de habitação acessível.
- Verifica-se o desaparecimento das casas até 2000 €: a oferta caiu 73% em apenas cinco anos.
- Em contraste, as casas entre 2000–500.000 € aumentaram 37%. E a oferta acima dos 500.000 € disparou 42%.
- Em várias cidades — Funchal, Faro, Lisboa, Ponta Delgada, Porto, Setúbal, Aveiro e Braga— as casas até 200.000 € praticamente desapareceram do mercado em cinco anos.
- O crescimento da oferta acima de 2000 € é generalizado e muito expressivo, mostrando um mercado claramente a afastar-se da classe média
- No verão de 2025, o acesso a casas até 200.000 € tornou-se quase residual: 1% do stock no Funchal, 2% em Lisboa, 3% em Faro e 5% no Porto.
- Há apenas cinco anos, no verão de 2020, estas mesmas faixas representavam mais de 25% do mercado no Funchal e no Porto, e mais de 10% em Lisboa e Faro.
O retrato habitacional português não é animador: a oferta de casas mais acessíveis à carteira das famílias tem caído de forma acentuada, dando lugar a outras bem mais caras. É isso mesmo que espelham os dados do idealista/data: a oferta de casas à venda até 200.000 euros desceu 73% entre o terceiro trimestre de 2020 e o mesmo período de 2025. Também no patamar seguinte – entre 200.000 e 300.000 euros – o stock disponível para comprar recuou 32%.
Por outro lado, têm aparecido no mercado residencial português casas a preços mais elevados. O número de habitações colocadas à venda por valores entre 400.000 e 500.000 euros subiu 37% em cinco anos. E as casas para comprar que custam mais de 500.000 euros cresceram 42%. Os elevados custos de construção, atrasos nos licenciamentos e alta carga fiscal pode ajudar a explicar esta evolução, acabando por puxar os preços para cima a nível nacional.
Oferta de casas acessíveis: onde caiu mais?
Olhando à lupa para a realidade do país, ao nível das capitais de distrito ou de regiões autónomas, verifica-se que praticamente todas as grandes cidades têm, hoje, menos casas à venda até 200.000 euros do que há cinco anos. A única exceção é Vila Real, onde a oferta de habitação mais acessível cresceu 16%.
Aliás, observa-se ainda que a oferta de casas até 200.000 euros caiu para quase metade neste período em várias cidades portuguesas, como Funchal, Faro, Lisboa, Ponta Delgada, Porto, Setúbal, Aveiro e Braga.
No patamar seguinte de preços das casas – entre 200.000 e 300.000 euros – observou-se uma queda na oferta em 12 grandes cidades entre o verão de 2020 e o verão de 2025. As maiores reduções foram observadas no Funchal, Faro e Lisboa (todas acima de 75%), enquanto no Porto a queda foi de 44%.
Evolução da oferta de casas à venda nas grandes cidades
O crescimento da oferta de casas à venda acima de 500.0000 euros é ainda mais expressivo, abrangendo praticamente todas as cidades e registando incrementos de maior magnitude, o que pode ser explicado pela limitação de oferta de casas neste alto nível de preços observada há cinco anos. Lisboa e Porto são as únicas exceções: há menos casas à venda acima de meio milhão de euros do que há cinco anos. Afinal, existe uma maior pressão da procura por este tipo de imóveis nas duas maiores cidades do país e a oferta já estava bem elevada em 2020 (representava 45,5% do stock da capital e 23,5% do stock da Invicta).
Casas acessíveis Vs casas premium: onde se concentra a oferta?
Depois dos grandes recuos observados nos últimos cinco anos, a oferta de casas à venda até 200.000 euros tornou-se muito escassa nos grandes centros urbanos no verão de 2025.
Embora a queda de habitação a preços mais baixos tenha sido generalizada entre as capitais de distrito/regiões autónomas (à exceção de Vila Real), várias cidades do interior do país têm ainda uma oferta bem expressiva. Na Guarda, Portalegre, Castelo Branco, Beja e em Bragança, as casas à venda até 200.000 euros representam mais de metade dos respetivos stocks municipais, mostram os mesmos dados do idealista/data.
Dando o salto para o patamar de preços mais elevado – casas à venda acima de 500.000 euros -, observa-se que estes imóveis residenciais representam mais de metade da oferta local no Funchal (66%), em Faro (63%) e em Lisboa (63%). No Porto, uma em cada três casas para comprar custa mais de meio milhão de euros. E onde antes a oferta de habitação premium era escassa, agora passa a ter mais representatividade. Aveiro é um exemplo disso mesmo, passando de uma oferta de 4,4% no verão de 2020 para cerca de 25% no verão de 2025.
Apesar dos aumentos da oferta bem acentuados nos últimos cinco anos nas grandes cidades do interior do país, o peso das casas acima de 500.000 euros continua a ser inferior a 10% em Beja, Portalegre, Bragança, Guarda e Castelo Branco, mostram os mesmos dados.
Ver artigo completo, aqui: https://www.idealista.pt/news/imobiliario/habitacao/2025/11/27/72703-casas-a-venda-ate-200-mil-euros-oferta-cai-73-em-cinco-anos?utm_source=chatgpt.com


