Breves Recordações de S. Bartolomeu de Messines na década de 1930!
Ao fim de 70 anos, revivo acontecimentos pessoalmente testemunhados que se projectam no ecrã da memória, onde igualmente aparecem pessoas conhecidas, tudo acontecendo com uma nitidez não esperada, e tendo por cenário recantos de S. Bartolomeu de Messines, então uma já desenvolvida aldeia na beira Serra do Caldeirão, que surpreendentemente me surge agora com uma outra dimensão, revestida de valores culturais e socioeconómicos que me passavam despercebidos face aos verdes anos que então possuía.
Recuando àquela época, seria muito difícil encontrar em todo o Algarve, outra aldeia que já possuísse simultaneamente um cinema, dois médicos, um desempenhando funções de Delegado de Saúde, duas farmácias, sendo uma propriedade de um licenciado pela Universidade de Coimbra em Ciências Físico-químicas e em Farmácia, duas escolas primárias, servidas de um escol de professores de alto gabarito, havendo ainda uma apreciável professora de desenho e de pintura e uma outra que ensinava a arte de tocar piano.
Havia ainda em S. B. Messines, um consultório para-dentário, duas Sociedades Recreativas, uma Junta de Freguesia, uma Regedoria, um delegado residente da Conservatória de Registo Civil de Silves, uma estação de C.T.T. com telefone público, recepção de telegramas em morse, uma igreja matriz, diversas firmas comerciais, com uma que se impunha pela sua actividade a nível de grande parte do Algarve, um lagar de azeite, equipado com tecnologia de ponta para a época, duas fábricas de moenda de cereais, a que acresciam três moinhos de vento. Possuía ainda S. B. Messines, um posto de observação meteorológica, estação de caminhos-de-ferro e a sede de uma empresa de camionagem.
A tudo isto, que já não é pouco, podemos focar a existência de três ferrarias, de uma carpintaria bastante evoluída, um abegão, algumas fábricas de fardos de cortiça, possivelmente destinados às fábricas de Silves, e ainda outras menores actividades artesanais.
Era S. B. Messines uma zona fortemente agrícola, com muitas verdejantes hortas, várias culturas de cereais e outras de arvoredo. Contudo possuía ao tempo, um apreciável desenvolvimento socioeconómico de que enumerámos alguns aspectos, sem invocar todos os que a memória regista e que ficam aguardando nova oportunidade que se me ofereça para regressar ao mesmo tema, não de forma generalizada como fica descrito, mas o mais pormenorizadamente possível se até lá a memória não me faltar.
António Graça Mira
Junho de 2014


