O Projeto de Relatório de Avaliação Preliminar dos Riscos de Inundações Região Hidrográfica das Ribeiras do Algarve (RH8) – 3º ciclo está em consulta pública até ao dia 30 de junho.
O processo é promovido pela Agência Portuguesa do Ambiente e tem como objetivo fazer a revisão da Diretiva das Inundações que pretende reduzir os impactos negativos das inundações sobre a população, o ambiente, o património cultural e as atividades económicas. Este diploma prevê a revisão, a cada seis anos, da Avaliação Preliminar dos Riscos de Inundação.
A revisão confirmou que as Áreas de Risco Potencial Significativo de Inundações (ARPSI), identificadas no 2º ciclo continuam a ser vulneráveis a este tipo de risco. Foi ainda identificada a necessidade de incluir 18 novas ARPSI. Assim, está agora em consulta pública um total de 79 ARPSI.
A RH8 integra 18 municípios, entre os quais o Município de Silves.
No levantamento realizado dos eventos de inundação, surgem alguns ocorridos no concelho de Silves. Verifica-se que em 2003, 2004, 2007, 2010 e 2015 ocorreram inundações junto ao Rio Arade, Ribeira de Alcantarilha, Ribeira de Odelouca e Ribeiro Meirinho que afetaram um total estimado de 66 pessoas, causando milhares de euros de prejuízos. O episódio mais significativo foi provocado pela Ribeira de Alcantarilha, terá atingido cerca de duas dezenas de pessoas e prejuízos superiores a 50 mil euros.
No concelho de Silves, destaca-se ainda a situação da Bacia Hidrográfica do Arade, condicionada pela gestão das barragens do Arade, Funcho e Odelouca, que em situações de cheias pode obrigar a descargas elevadas provocando inundações.
O concelho possui outra zona vulnerável, nomeadamente a zona costeira de Armação de Pêra, passível de sofrer o impacte ao nível dos processos de erosão e inundações costeiras, que ocorre sobretudo devido a alterações nos níveis da água, motivadas pela subida do nível médio do mar, mas também pela sua combinação com marés, sobrelevações meteorológicas e agitação marítima.
Numa zona do país que tem estado nos últimos anos sujeita a uma seca extrema, a preocupação com cheias e inundações pode parecer meio absurda, mas não é. O relatório destaca que no Algarve o regime de precipitação tem vindo a sofrer grande variabilidade, sendo os períodos húmidos menos frequentes e de menor duração. Contudo, têm ocorrido eventos extremos com maior frequência e intensidade, que, na maioria dos casos, conduzem à ocorrência de cheias e inundações com impactos significativos.
A documentação pode ser consultada no portal www.participa.pt e quem desejar pode deixar sugestões ou críticas relativas a este projeto.


