A ZERO- Associação Sistema Terrestre Sustentável divulgou um parecer negativo sobre o Parque Eólico de Silves, por considerar que o mesmo ameaça áreas críticas, nomeadamente da Rede Natura 2000 – Zonas Especiais de Conservação e Zonas de Proteção Especial para as Aves de Monchique e Caldeirão.
A “falta de informação nos processos de consulta pública” é outra falha apontada por esta associação ambientalista.
Segundo a ZERO, “O Parque Eólico de Silves, com uma área de estudo superior a 7.300 hectares e uma LMAT (Linhas de Muita Alta Tensão) indefinida, ameaça a Serra de Monchique, também ela uma Importante Bird Area (IBA) e área crítica para aves de rapina, sobrepondo-se igualmente a áreas da Rede Natura 2000 – Zonas Especiais de Conservação e Zonas de Proteção Especial para as Aves de Monchique e Caldeirão. Perante este cenário, aliado à falta de informação nos processos de consulta pública (que mais parecem um formalismo vazio) e à ausência de uma análise séria de alternativas que contemple a redução significativa do número de aerogeradores para evitar zonas sensíveis ou a não realização do projeto, a ZERO não teve outra alternativa senão emitir também parecer desfavorável a este projeto.”
Para a ZERO, verifica-se uma tendência, à escala nacional, para transformar o processo de Avaliação de Impacte Ambiental (AIA), apenas uma “via verde para aprovar todo e qualquer projeto submetido junto das autoridades ambientais”.
E assim, “a Natureza em Portugal prepara-se para receber “presentes” particularmente preocupantes sob a forma de projetos de energia renovável mal localizados. A ZERO manifesta uma profunda apreensão e discordância perante propostas de parques eólicos que podem ameaçar a integridade de áreas classificadas e redutos de biodiversidade, desvirtuando os urgentes e necessários objetivos da transição energética.”
Os exemplos apresentados pela associação referem-se ao Parque Eólico de Tendais, localizado integralmente na Zona Especial de Conservação (ZEC) de Montemuro; ao Parque Eólico de Arcos de Valdevez, no Parque Nacional da Peneda-Gerês; e ao Parque Eólico de Silves.
A ZERO sublinha que não é contra a produção de energia renovável, mas considera que estes projetos, “na forma como estão a ser propostos, representam um rude golpe nos esforços de conservação.” A associação defende que “Portugal possui território artificializado e áreas fora de zonas naturais classificadas suficientes para cumprir as suas metas energéticas sem sacrificar a biodiversidade que é igualmente fundamental para o nosso futuro coletivo.” Assim, a ZERO apela a uma reflexão séria e a uma mudança de paradigma.
Como o Terra Ruiva divulgou na edição passada, o Parque Eólico de Silves é um projeto do grupo Madoqua IPP. S.A. que quer instalar 32 aerogeradores, com uma altura de 112 metros e um diâmetro de cerca de 175 metros na freguesia de Silves. A entidade licenciadora é a Direção Geral de Energia e Geologia – DGEG.
A área de estudo do parque eólico ocupa mais de 7.000 hectares enquanto a área dos corredores da linha elétrica (AE – LMAT) é de cerca de 87.000 hectares. No concelho, passa pelas freguesias de Silves, São Bartolomeu de Messines e São Marcos da Serra.
Ao ser instalado, este será o maior parque eólico do Algarve.
A proposta do estudo de impacte ambiental do parque e respetiva linha elétrica esteve em consulta pública até ao dia 12 de maio, mas a ZERO sublinha a pouca participação neste processo e questionava se “esse número significa realmente uma aceitação por falta de contestação ou se não será uma falta de informação disponibilizada para a maior parte da população local que se queira pronunciar?”








