O grupo Madoqua IPP. S.A. quer instalador um parque eólico com 32 aerogeradores na freguesia de Silves. Uma vez instalado será o maior do Algarve.
O objetivo é abastecer o projeto de hidrogénio verde em Sines. A proposta de definição de âmbito do estudo de impacte ambiental do parque e respetiva linha elétrica está em consulta pública até ao dia 12 de maio.
A entidade licenciadora do projeto é a Direção Geral de Energia e Geologia – DGEG.

O projeto em discussão – Parque Eólico de Silves – contempla a implantação de aerogeradores com um diâmetro de cerca de 175 metros e uma altura de 112 metros e uma linha elétrica de muito alta tensão associada. O parque eólico terá uma potência instalada de cerca de 220 MW. Haverá ainda um subestação elétrica coletora, com edifício de comando e armazém.
Ao nível de emissões sonoras, o funcionamento dos aerogeradores pode atingir níveis sonoros de 92 dB(A) a 106,9 dB(A), dependendo da velocidade do vento. Quando os aerogeradores se encontrem imobilizados, o mesmo diminuirá e será nulo.
A área de estudo do parque eólico (AE – PE) ocupa 7.357,81 hectares enquanto a área dos corredores da linha elétrica (AE – LMAT) representa 86.415,61 hectares. Em termos administrativos, a área de estudo insere-se na região do Algarve, e no Baixo-Alentejo, no distrito de Beja. No Algarve abrange freguesias nos concelhos de Monchique, Portimão, Loulé e Tavira. No concelho de Silves, passa pelas freguesias de Silves, São Bartolomeu de Messines e São Marcos da Serra.
A construção do parque terá três fases principais e estima-se que tenha uma duração de 12 meses. A fase de exploração (vida útil) prevista para o parque é de 30 anos.
A escolha do local
Segundo a empresa promotora, a localização escolhida para a implementação do Parque Eólico de Silves foi definida com base numa análise que considerou diversos fatores.
Foram avaliados critérios técnicos, como a viabilidade de implantação dos aerogeradores e o desempenho esperado; critérios ambientais, garantindo a minimização dos impactes negativos; a proximidade a pontos de ligação, que assegura eficiência na distribuição de energia; o potencial eólico, fundamental para garantir a rentabilidade e eficiência do projeto; e a disponibilidade de áreas para arrendamento, imprescindível para a concretização da iniciativa.
Os terrenos foram escolhidos pela sua área e localização favoráveis para este tipo de projetos. Estas áreas apresentam um bom recurso eólico e estão afastadas de grandes centros populacionais. A envolvente do Parque Eólico é caraterizada por campos agrícolas ou cobertos por matos e floresta. Os recetores mais próximos, correspondem a habitações unifamiliares, maioritariamente dispersas em meio semiurbano.
A maioria dos recetores localizam-se, de forma dispersa ao longo do caminho CM1077, nos lugares de Dobra, Portela do Pedro, Bastos, Vale de Silves, Falacho de Cima, Falacho de Baixo, Monte da Corcha, Parreirinha, Enxerim, Roupa Branca, Pinheiro e Garrado, Santo Estevão, Barragem e Casa Queimada.
De acordo com a análise da Carta de Ocupação do Solo, a Área de Estudo do projeto do parque abrange diversas classes de ocupação sendo os matos a classe dominante e as restantes são florestas de eucalipto e de pinheiro manso.
No âmbito dos pontos de escuta e observação, realizados até ao momento, foi possível detetar 34 espécies diferentes, sendo que duas apresentam estatuto de ameaça, segundo a Lista Vermelha das Aves de Portugal Continental: águia-pesqueira, classificada como “Criticamente em Perigo”, e o peneireiro classificado com o estatuto “Vulnerável”.
O objetivo
O projeto tem como objetivo a produção de energia elétrica a partir da energia eólica. A energia produzida será introduzida na rede para o futuro Pólo energético e tecnológico de Sines, a localizar na Zona Industrial e Logística de Sines (ZILS), onde serão instalados eletrolisadores de alta capacidade e demais instalações industriais, com a qual será produzido hidrogénio e amoníaco verde, para fornecimento tanto à indústria local como a clientes pan-europeus.
O amoníaco verde será transportado por uma conduta até ao Porto de Sines e carregado para exportação e/ou utilizado como combustível marítimo. Neste sentido, o Parque Eólico de Silves dará, também, um contributo significativo para a realização das ambições da Estratégia Nacional Portuguesa e Europeia para o Hidrogénio.
Câmara de Silves apresentou condicionantes
Segundo os promotores, o projeto do Parque Eólico de Silves é um projeto novo sem quaisquer antecedentes. É também uma forma de aproveitar as característica que o país tem para produzir uma energia rentável e “verde”.
No entanto, a salvaguarda das populações surge como o factor fundamental na analise destes projetos. Por esse motivo, a Câmara Municipal de Silves, a 17 de junho de 2024, deliberou colocar algumas condicionantes, ao Pedido de Informação Prévia apresentado pela empresa.
Em resposta ao Terra Ruiva, que questionou a autarquia sobre esta questão, recebemos a informação sobre a “deliberação de aprovação parcial do pedido de informação prévia, a respeito da instalação de infraestruturas geradoras de energia eólica, na Serra de Silves.”
No documento confirma-se que a Câmara Municipal, exigiu “Por questões de salvaguarda do impacto visual e de ruído provocado pelas torres nos núcleos urbanos mais próximos: Silves, Pinheiro e Garrado e Pedreira”, a relocalização, mais para norte, de quatro torres.
Estas condicionantes foram tidas em conta pela empresa promotora que apresenta agora uma nova versão do projeto, para tentar responder ás exigências apresentadas pela autarquia de Silves.
Na sequência dessa tomada de posição, a empresa afirma ter reformulado o projeto inicial, nomeadamente relocalizando e eliminado alguns aerogeradores, quer pela sua proximidade a habitações, quer pela elevada proximidade a pontos de água para combate a incêndio. Alguns aerogeradores foram também relocalizados ou eliminados, para evitar a afetação de locais de nidificação de águia de Bonelli.
Nota: Este artigo foi feito com base nos documentos que se encontram para consulta pública no site: www.participa.pt
Recorda-se que os interessados em participar na discussão pública sobre o projeto devem fazê-lo, no referido site, até ao dia 12 de maio.








Será um atentado enorme para Silves, e paravo Algarve.
Espero que não se concretize.
A destruição a nível paisagista, de flora e fauna.
Os interesses económicos de alguns senhores estão por cima de tudo.