Cerca de uma centena de pessoas concentraram-se no passado sábado, dia 26 de novembro, junto ao Hospital de Portimão para protestarem contra o encerramento de alguns serviços, nomeadamente da maternidade, pediatria e obstetrícia.
No final aprovaram também uma moção em defesa do Serviço Nacional de Saúde e apelando à resolução dos problemas que se vivem neste sector e em particular no Hospital do Barlavento Algarvio, declarando, mais uma vez que “a saúde não é um negócio”.
A moção tem o seguinte teor:
“O ataque ao Serviço Nacional de Saúde continua! Os utentes sentem a falta de serviços no Hospital de Portimão!
Os utentes sofrem da falta de médicos e enfermeiros, da falta de equipamento, de indisponibilidades diversas que só demonstra que há realmente um desinvestimento no Serviço Nacional de Saúde!
O Barlavento Algarvio e os seus hospitais continuam a ser dos mais afetados pela política do Governo de degradação do Serviço Nacional de Saúde, com o principal objetivo de incentivar o crescimento da oferta privada do negócio da “Saúde” e privar o acesso de milhares de algarvios a condições dignas e justas de saúde e sem que o dinheiro seja factor condicional de garantia.
A falta de condições de trabalho e atendimento no hospital de Portimão, os elevados tempos de espera para as consultas e cirurgias, o estado do Serviço de Urgências, a gritante falta de médicos, enfermeiros, técnicos de diagnóstico e terapêutica, assistentes técnicos, assistentes operacionais dão razão às justas reclamações de utentes e profissionais da Saúde. Os cuidados públicos de saúde têm piorado, e comisso facilitam-se as condições para uma gradual transferência dos cuidados de saúde para os grandes grupos privados da “Saúde” e que sobrevivem à custa dos bolsos dos utentes e dos recursos públicos que são desviados do SNS.
De referir também a falta de condições de atratividade dos médicos e de outros trabalhadores, dezenas de cortes mensais de salas operatórias e rotura em vários serviços por saída de profissionais de várias especialidades reivindicam a resolução dos problemas como a falta de profissionais, de instalações condignas para os profissionais exercerem e utentes serem atendidos, medidas de fixação dos profissionais de Saúde como a valorização das suas carreiras profissionais e retributivas, equiparação das condições de funcionamento de todas as Unidades de Saúde nivelando pelas cujo funcionamento se revela mais eficiente de proximidade e qualidade, e todas as restantes medidas sobejamente conhecidas e prometidas e não implementadas.
A Comissão de Utentes do SNS de Portimão, não pode deixar de se manifestar contra o estado do SNS, em particular no Hospital de Portimão, exigindo ao governo a rápida resolução dos problemas que põem em causa a vida e a saúde dos algarvios.
No hospital de Portimão, continuam os graves problemas já há muito denunciados por esta Comissão e para os quais se exige resposta urgente.
De tempos a tempos, vem a tentativa de, nas costas da população, encerrar ou reduzir serviços. E neste momento, volta a pairar a ameaça do encerramento da maternidade; voltam a verificar-se dias e dias com o bloco de partos fechado, sem médicos pediatras e obstetras que assegurem as Urgências Pediátrica e Obstétricas. Voltam a transferir-se mulheres e crianças, muitas em risco, para Faro, ou para o privado, numa viagem de 60km; transferências estas que colocam mulheres, crianças e profissionais em risco; pela falta de segurança que é impossível garantir dentro de uma ambulância e com um hospital com toda a eficiência de meios, a quase uma hora, quando não duas ou mais de distância.
Encerrar a maternidade do Hospital de Portimão não é a solução.
Encerrar a maternidade do Hospital de Portimão é um crime contra as populações.
As mulheres, as crianças e toda a população não podem ficar reduzidos a uma maternidade no Hospital de Faro para meio milhão de habitantes.
Os utentes de Aljezur, e Vila do Bispo por exemplo ficariam a 2 horas de distância, com os riscos e os custos que tal medida comportaria.
A perda das valências de Obstetrícia e Pediatria põe em causa os direitos das mulheres, das famílias e o progresso social, e limita o acesso à saúde e ao bem-estar, num centro hospitalar que serve os concelhos de Albufeira, Lagoa, Silves, Portimão, Lagos, Monchique e Aljezur e uma população de mais de 213 mil habitantes
Num país com baixas taxas de natalidade, em que o Serviço Nacional de Saúde é o verdadeiro e único garante de acesso à saúde por todos, independentemente da sua condição socioeconómica, este encerramento obrigará à deslocação das grávidas para outros hospitais mais distantes, quando existe um centro hospitalar que serve e deve servir para essa função, sem colocar em risco as mães e os seus bebés.
As crianças e as famílias da região do Barlavento, continuam sem resposta para que se assegure o seu direito a cuidados de saúde de qualidade e acessíveis. As crianças e bebes das terras do Barlavento continuam sem a garantia de poder nascer e ser tratadas neste hospital.
Os utentes a reivindicar melhores serviços no Hospital de Portimão
A solução é a luta. A união de todos, utentes e profissionais em defesa do Serviço Nacional de Saúde e do Hospital de Portimão.
A Comissão de Utentes de Saúde de Portimão alerta e denuncia a grave situação do Hospital de Portimão e muitas têm sido as iniciativas encetadas em defesa do SNS e do direito das populações do Algarve a cuidados de saúde de qualidade e acessíveis.
Não desistiremos da defesa desta instituição que tão cara e importante nos é, como o é o Hospital de Portimão e a sua Maternidade. Queremos que as gerações futuras, os nossos filhos, as nossas crianças possam aqui nascer e ser tratadas. Por tal queremos estar do lado da solução. Esta maternidade faz falta e tem de se manter aberta, assim como os seus profissionais têm de aqui manter-se.
Posto os argumentos enunciados e face à continua degradação dos serviços de saúde no Algarve e em particular em Portimão, a Comissão de Utentes de Saúde de Portimão propõe a aprovação desta moção exigindo do Governo que:
- Garanta efetivamente o direito das crianças a nascer e ser cuidado no Hospital de Portimão, com a manutenção da Maternidade, Serviço de Obstetrícia e Pediatria, melhorando a qualidade de todos estes serviços;
- Recupere e melhore todos os serviços e valências dos hospitais de Portimão;
- Proceda à construção célere de um novo Hospital de Lagos e do Hospital Central do Algarve;
- Dote as unidades hospitalares algarvias de recursos humanos, materiais e financeiros adequados à prestação de cuidados de saúde de qualidade;
- Considere e atenda às justas reivindicações laborais e salariais dos profissionais de saúde garante essencial da qualidade do SNS, de modo a fixa-los no Hospital de Portimão;
- Faça o levantamento das necessidades de cuidados de saúde da população do Algarve, com vista à apresentação de um plano integrado da reorganização dos serviços públicos de saúde, ao nível dos cuidados primários de saúde, cuidados hospitalares e cuidados continuados integrados, envolvendo na sua definição os contributos dos utentes, dos profissionais de saúde e das autarquias.
Pelo direito a nascer no Hospital de Portimão, por mais meios, por mais profissionais, e por um melhor Serviço Nacional de Saúde.
Assim afirmamos, a saúde é um direito consagrado na Constituição da República Portuguesa, não é um negócio.
Não desistimos!!!! A luta continuará em defesa do SNS, das suas instituições e dos seus profissionais.”






