Praga de cegonhas em Silves

Muitos têm sido os moradores na cidade de Silves a queixar-se dos seus “vizinhos”, quer pelo barulho, quer pela sujidade que deixam atrás de si, considerando existir uma “praga” de cegonhas.

O caso chegou à última sessão da Assembleia Municipal, através de um munícipe, que chamou a atenção da autarquia de Silves, alegando que o crescente número de cegonhas na cidade constituiu um problema em certas zonas.

A situação foi reconhecida pela presidente da Câmara Municipal, Rosa Palma, que esclareceu que a autarquia tem estado a fazer a monotorização do número de cegonhas, mas que não tem podido intervir porque aguarda autorização do ICNF para tomar alguma medida. Isto porque é proibido destruir, danificar, recolher ou deter ninhos de cegonhas negras e brancas, mesmo que os referidos ninhos se encontrem vazios.

Segundo a lei, mediante licença do ICNF, as intervenções sobre os ninhos de cegonhas, podem ser excecionalmente permitidas “desde que não exista alternativa satisfatória e não haja prejuízo para a espécie”. Nesse caso, pode haver transferência de ninhos, pelo seu reposicionamento ou pela sua remoção.
Também o cidadão pode requerer essa licença ao ICNF, caso os ninhos estejam a afetar um condomínio ou uma habitação, sendo que não existe prazo estipulado para o ICNF responder a esse pedido. Esta entidade recebe pedidos ao longo de todo o ano, mas o período indicado para este tipo de intervenções situa-se entre o mês de setembro e o final do ano, por estes serem os meses em que as cegonhas não se encontram em época de nidificação.

No entanto, a remoção de um ninho num determinado local, não garante a resolução do problema, pois a cegonha é um animal de hábitos e volta a tentar fazer ninho no mesmo sítio. Nos últimos tempos, em muitas cidades e zonas habitacionais têm surgido problemas relacionados com o aumento das cegonhas. Sendo uma espécie que esteve há poucas décadas (anos 80) em vias de extinção, foram criadas vários mecanismos para a sua proteção e repovoamento. Mas a sua evolução e o facto de muitos animais, sobretudo casais reprodutores, já não migrarem e permanecerem todo o ano no mesmo local, constitui hoje uma questão delicada, em que se procura um equilíbrio entre a natureza e o humano.

No Alentejo, há já algumas experiências nesse sentido, em que se aproveitam terrenos do Estado e das autarquias para concentrar uma zona de postes e tentar levar as cegonhas a construir aí os seus ninhos. Nalguns casos, as cegonhas “aceitaram”, segundo se lê na imprensa.

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