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História & PatrimónioSociedade

O Cine-Teatro João de Deus, em SB Messines – 90 anos de história

Aurélio Cabrita
Última Atualização: 2021/Mar/Sex
Aurélio Cabrita
5 anos atrás
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A invenção do cinematógrafo pelos irmãos Lumiére, em Paris, no final do século XIX, veio originar o cinema, também designado por sétima arte. A primeira exibição pública teve lugar na Cidade Luz a 28/12/1895, expandindo-se nos anos seguintes por todo o mundo. No Algarve foi em Faro, no Teatro Lethes, que a 11/9/1898 ocorreu a primeira exibição. O comboio permitiu a circulação rápida das tecnologias e ele era uma realidade na região desde 1889.

São Bartolomeu de Messines, através da sua estação própria nas imediações da aldeia, tirou também partido dos prodígios dessa facilidade de comunicação. É certo que as primeiras sessões de cinema foram esporádicas, através de animatógrafos ambulantes e tinham lugar ao ar livre, por exemplo no largo da Pontinha, como nos recordou há alguns anos Aura Calado Gameiro (1914-2020).

Porém, no final dos anos de 1920 ganhou consistência a criação de um cinematógrafo fixo na «vila».
A localidade vivia por esses anos um notável incremento comercial e industrial e não por acaso já se intitulava de Vila. Assim, em Julho de 1930, a imprensa regional prognosticava, para o mês seguinte, a conclusão do «belo edifício destinado ao cinema e teatro», lembrando que o mesmo «honrará a iniciativa particular d’alguns filhos desta terra».

Alguns atrasos no licenciamento do espaço fizeram protelar a sua inauguração para 17/11/1930. Promovido por Arlindo Guerreiro Santana, o «Cine-Teatro João de Deus» apresentava uma sala iluminada a eletricidade (a partir de um motor Junkers com dínamo), com uma capacidade de 568 espetadores. O primeiro filme exibido, perante uma plateia repleta, foi o drama «A Hora Suprema».

O novo cinema revelou-se um enorme sucesso, atraindo muitos cinéfilos das freguesias vizinhas e do Baixo Alentejo, motivando mesmo a organização de carreiras especiais nos dias de sessão, normalmente ao domingo. A máquina projetora era desmontável, levando Arlindo a diversas povoações do Algarve, como à Fuzeta. Dois anos depois a 26/5/1932 teve lugar a inauguração do cinema sonoro com a película «Anny no Music-Hall».

No início dos anos de 1940 o espaço foi vendido aos irmãos Inocêncio e Domingos Matias. Em 1970 a sala já não reunia condições, tendo o agora proprietário José Inácio Martins empreendido a sua demolição e a construção de um novo edifício. A inauguração teve lugar a 8/3/1972. Um dia muito especial para São Bartolomeu de Messines pela inauguração conjunta do Jardim-escola João de Deus. O novo cinema, que por estes dias completa 49 anos, com plateia e balcão, apresentava ótima visibilidade e excelentes condições acústicas, ficando a dispor, na época, de cerca de 400 lugares. Tal como havia acontecido em 1930 o novel espaço teve um enorme sucesso, atraindo não só cinéfilos da freguesia, como das limítrofes.

Todavia, a sala não foi apenas usada para projeções, foi aqui que em Janeiro de 1947 os messinenses receberam apoteoticamente João de Deus Ramos, filho do poeta João de Deus, para assistir à conferência «a terra onde se nasce é mãe também», que o mesmo proferiu, integrada no programa das edificações dos Jardins – Escolas João de Deus. Para Mário Lyster Franco, nesse dia «Messines viveu uma das suas horas mais nobres e mais felizes».

Foi também ali que teve lugar a sessão solene de elevação da aldeia à categoria de vila, assim que a notícia foi conhecida, a 2/3/1973, já o decreto foi publicado no Diário do Governo de 7/3/1973.

Volvidos 90 anos da sua inauguração e 49 do atual edifício, depois de alguns interregnos, o «Cine-Teatro João de Deus» continua a ser, nos nossos dias, uma realidade no mundo da 7ª arte no Algarve, ainda que por agora suspenso pela pandemia.

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TAGGED:90 anos de históriaAurélio Nuno CabritaCine-Teatro João de DeusSão Bartolomeu de Messines
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PorAurélio Cabrita
Natural de S. Bartolomeu de Messines, nasceu em 1978. Licenciado em Engenharia do Ambiente, é mestrando em História do Algarve e técnico superior no Município de Odemira. Tem publicados diversos artigos e livros sobre a história local e regional. É também colaborador no jornal on-line Sul Informação.
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