Concentração em Messines pelo Serviço Nacional de Saúde

Cerca de duas dezenas de pessoas concentraram-se ontem, dia 12 de outubro, frente à Extensão de Saúde de São Bartolomeu de Messines, para exigir melhores condições de funcionamento e de atendimento.
Na continuidade de protestos semelhantes, que têm sido organizados pela Comissão de Utentes do Serviço Nacional de Saúde (SNS) de Messines, os presentes exigiram mais médicos, de forma a que a população da freguesia possa usufruir de “consultas atempadas” e de “um tratamento digno”.
Reivindicaram ainda o alargamento do horário de funcionamento da Extensão de Saúde de Messines e mais pessoal para o atendimento.

Usou da palavra o representante da Comissão de Utentes, Bruno Luz, que lembrou os anteriores protestos e sublinhou que, ano após ano, as reivindicações continuam a ser as mesmas, um sinal, disse, de que as presentes dificuldades em nada têm a ver com a pandemia, mas que são crónicas. No entanto, acrescentou, a pandemia veio intensificar a necessidade do SNS ter condições para receber e tratar a população, pelo que deixou “uma palavra de esperança” e a certeza de que “as lutas irão continuar”.
Também interveio a presidente da Junta de Freguesia de São Bartolomeu de Messines, Carla Benedito, que afirmou ser “inadmissível” que as pessoas tenham de esperar “ dois ou três meses para uma consulta” e chamou a atenção para o facto de muitas pessoas desta vasta freguesia percorrerem longas distâncias para se deslocarem ao Centro de Saúde, sendo que, muitas vezes, não conseguem marcar ou ter acesso à consulta que precisam. Abordou ainda a questão da falta de médicos e a sua constante transferência, o que deixa muitos messinenses sem atendimento, e a falta de funcionários, que faz com que “os telefones não sejam atendidos”, o que aumenta ainda mais as dificuldades em marcar consultas. Carla Benedito terminou a sua intervenção, lembrando que a Junta de Freguesia de Messines tem estado sempre presente na luta para melhores condições no Serviço Nacional de Saúde, do qual todos dependemos, e que assim irá continuar.

O deputado João Dias, Bruno Luz e Carla Benedito

Entre os presentes, encontrava-se o deputado do PCP, João Dias, enfermeiro de profissão, que, acompanhado por uma delegação do PCP, se dirigia para Portimão, onde iria reunir com a diretora do ACES Barlavento (Agrupamento de Centros de Saúde do Barlavento), para discutir assuntos relacionados com a saúde na região. O deputado do PCP enfatizou a necessidade de todos terem acesso ao médico de família: “quando nos tiram o médico de família, retiram-nos o acesso à saúde, pois é quem nos dá o acesso a tratamentos e exames e à prevenção na saúde”, sublinhou.
João Dias falou ainda da necessidade de “proteger a população”, numa conjuntura particularmente difícil para os serviços de saúde: “onde havia um buraco há agora um alçapão”, disse. Abordou ainda a questão da existência de inúmeros hospitais e clínicas privadas no Algarve, contestando que a saúde seja um negócio privado, e defendeu a melhoria e a valorização do SNS.

Seguiu-se uma troca de testemunhos, vindos de algumas pessoas que se encontravam presentes e que relataram as dificuldades que têm sentido para conseguir ter médico de família e para fazer os exames que necessitam. Ouviram-se ainda algumas referências ao facto deste protesto ter reunido um número de participantes muito inferior aos anteriores.

“Poucos ou muitos não podemos ficar calados, porque o SNS é o que nos vale a todos”, rematou o deputado João Dias.

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