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10 anos a criar linces em Silves

No Centro de Reprodução em Silves (Foto ICNF)

O Centro Nacional de Reprodução de Lince Ibérico (CNRLI) de Silves festejou o seu 10º aniversário, no dia 26 de outubro.
Desde o dia 26 de outubro de 2009, dia em que recebeu o seu primeiro lince, a Azahar, que se encontra no Jardim Zoológico de Lisboa, que o CNRLI já assistiu o nascimento de 122 animais, dos quais 89 sobreviveram.

Hoje, são já 69 os linces que foram reintroduzidos em Mértola e em vários locais de Espanha, na Analuzia, Extremadura e Castilla La Mancha. Segundo o ICNF, “dos animais que não foram reintroduzidos, 5 foram integrados no programa de cria em cativeiro como reprodutores, e os restantes – não podendo ser libertados nem incluídos no programa de cria por problemas genéticos – foram encaminhados para Zoos ou encontram-se à espera de serem colocados em Zoos ou cercados de visitação. Dos 8 animais nascidos em 2019, 7 vão ser reintroduzidos na natureza no início de 2020, e 1 será integrado no Programa Ex Situ como reprodutor.”
O CNRLI, gerido pelo ICNF através de um contrato de comodato, é propriedade da empresa Águas do Algarve e tem, por via das medidas de sobrecompensação da construção da Barragem de Odelouca, compromissos financeiros atribuídos que permitem o seu funcionamento até 2025.
Com a entrada em funcionamento deste Centro, Portugal passou a contribuir ativamente para o Programa de Conservação Ex Situ e para os esforços de recuperação das populações em liberdade, através da cria em cativeiro, preparação e solta de exemplares destinados à reintrodução.

Lince em Silves (Foto ICNF)

Neste momento, anuncia o ICNF, encontra-se em construção “uma Zona de Expansão no CNRLI, que permitirá melhorar a preparação de exemplares para projetos de reintrodução e em simultâneo recuperar animais de campo que sofram lesões ou doenças que impeçam a sua sobrevivência e ponham em risco a de outros linces no meio natural. Esta instalação permitirá fazer a ponte entre o trabalho veterinário com os linces de cativeiro e de campo, unificando protocolos e equipas e potenciando uma gestão veterinária global para a espécie em território nacional.”

O lince-ibérico (Lynx pardinus), considerada a espécie de felino mais ameaçada do mundo, está originalmente confinado à Península Ibérica. Em Portugal atingiu no início do Século XXI uma fase de pré-extinção, sendo que os últimos vestígios de lince em território nacional foram detetados em 2001, em zona de fronteira, provavelmente de um lince dispersante de populações em Espanha. Antes disso, o último vestígio de lince comprovado em Portugal foi registado no início da década de 90 do Século XX. É provável que Portugal tenha perdido as suas populações estáveis durante a década de 80.
As últimas populações viáveis de lince-ibérico limitavam-se então no fim do século passado à Andaluzia em Espanha, divididas por dois núcleos contendo cerca de 100 indivíduos no total. Estas, devido à sua reduzida área geográfica e efetivos, estavam em situação muito vulnerável a processos estocásticos (epidemias, fogos, etc.) que poderiam facilmente conduzir a espécie à extinção. A espécie sofrera um declínio muito acentuado e encontrava-se num vórtex de extinção.

Foi então estabelecido, em 1998, o arranque de um programa de reprodução em cativeiro como ferramenta prioritária para viabilizar a conservação da espécie, para que constituísse um seguro de vida face à possibilidade real de extinção da espécie no estado selvagem. Este Programa de Conservação Ex Situ teve o seu arranque na Andaluzia, após o que se estendeu a Portugal e Extremadura e as suas metas principais são:
* Estabelecer uma população em cativeiro de linces ibéricos, viáveis do ponto de vista sanitário, genético e demográfico que permita o desenvolvimento de técnicas de reprodução natural e assistida;
* Preparar exemplares de lince-ibérico, adequados do ponto de vista etológico, sanitário e genético para ações de reintrodução em áreas de distribuição histórica da espécie.

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