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25 de Abril- 45 anos (Dia 3) – O Terra Ruiva nas comemorações

Na celebração dos 45 anos da “Revolução dos Cravos”, o “Terra Ruiva” associa-se às comemorações e publicar todos os dias, durante o mês de Abril, um texto ou poema alusivos ao 25 de Abril.
Uma iniciativa organizada por Rui Cabrita e que decorre em simultâneo no jornal Postal do Algarve.

 

 

“Um povo sem memória não perpetua um país, preenche um espaço sem identidade.”

Carlos Esperança

 

25 de Abril – A Marinha

“A Marinha era, até 1961, uma pequena corporação com um corpo de oficiais que se distinguia pela cultura, pelo aprumo e pela disciplina e onde todos se conheciam, de todos se sabiam as qualidades, os defeitos e as fraquezas…
Em contacto frequente com o estrangeiro, os oficiais da Armada começaram a ser sensíveis à argumentação com que por lá Portugal era atacado em razão da defesa do Ultramar. A literatura e os livros que liam corriam no pendor socialista, fazendo reviver uma velha tendência esquerdista que datava dos últimos tempos da Monarquia e fizera com que a Marinha tivesse tido papel preponderante na proclamação da República e na política dos primeiros tempos do novo regime. As camadas novas recebiam a influência da onda geracional.

Um dia descobriu-se que cada curso da Escola Naval se mantinha organizado depois de sair da vida académica, numa espécie de célula maçónica, e que os vários cursos já se entendiam entre si. O que fora, ao princípio, simples intenção de manter, pela vida fora, a amizade e solidariedade que ligara os estudantes dos mesmos anos, começara a converter-se numa organização em que se tratava de interesses profissionais e até de problemas políticos. A democracia e o socialismo ganhavam terreno. E a aversão à guerra do Ultramar também: aqui não tanto por cansaço, mas por repugnância pela própria natureza da guerra.

Começaram a surgir os pedidos de saída da Marinha, alguns formulados por jovens oficiais que exemplarmente se tinham comportado e às vezes haviam ganho altas condecorações, mas que se confessavam tocados na sua sensibilidade pelos actos praticados.”

in “Depoimento”, Marcelo Caetano, Rio de Janeiro/S.Paulo, Record, (1975), pags. 177-178.

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